Reportagem por João Vitor Soares e Victor Lobo
Jaque entra em cena. Saia e camisa preta. O salto alto vermelho é o que chama a atenção em seu pequeno desfile. Ela troca a vestimenta e dá lugar a uma camisola, também da cor vermelha. Descalça. Vinho tinto na mesa. E, assim, a protagonista começa o monólogo “Tenho a mim”, em que Jaque Pereira, personagem e autora, conta sobre sua vida, seus sentimentos e suas histórias ao público, quase que íntimo, no pequeno teatro Guilherme Machado.
O espetáculo faz parte da mostra Fringe, que reúne apresentações com valores acessíveis, e que finaliza o mês da mulher, dentro do Festival de Curitiba. Com premiações no 8° Festival da Unicentro, em 2023, e participação no 1° Festival de Teatro Espetáculo, a peça foi realizada em duas apresentações, nos dias 28 e 29 de março.
A espectadora Fabiane Zoraia (50), terapeuta integrativa, ressalta a importância do Fringe e das apresentações teatrais dentro do Festival. “Dentre todas as artes, o teatro é o que toca o meu coração”. Em 2024, o Fringe reuniu mais de 280 atrações e mais de 1800 artistas em 16 espaços de Curitiba e Região Metropolitana, segundo dados divulgados no site do Festival de Curitiba.
Segundo Jaque Pereira, o monólogo é uma junção de escritas terapêuticas que são abertas ao mundo, após um convite de um amigo, em 2022. ”Não foi pensado em ser sobre a Jaque, mas de ser algo muito maior, de conectar vidas.”
Outra espectadora, Ligia Souza (50), professora, destaca a relevância da peça na vida das pessoas, principalmente, para o sexo feminino. “É uma reflexão delicada, necessária e profunda”, complementa a espectadora.
“Agrado a pessoa mais importante da minha vida, eu mesma”, é uma das frases que mais representa a peça dirigida por Everton Gonçalves. O diretor do monólogo e professor da atriz, salienta que buscou trazer símbolos e representações que voltassem os olhos para a mulher.

A peça é representada com uma conexão musical da protagonista com a trilha sonora, realizada pela cantora e compositora brasileira e radicada na Suécia, Surya Amitrano. As composições utilizadas durante o espetáculo se voltam para temas como a saúde mental e representam, em partes, a solidão de uma mãe e mulher solitária em seu caminho.
Apesar da solidão vivida por Jaque Pereira, o sentimento de aconchego nos próprios braços é o que mostra o poder feminino de encontrar forças para se levantar. E, diante das adversidades, conquistar cada manhã. “Expressar meus sentimentos em palavras me alimenta e me cura, de uma maneira única e íntima, somente minha”, reafirma a protagonista.