dom 28 nov 2021
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Na COP26, indústria da moda brasileira minimiza mudanças climáticas

Quinto maior produtor de tecidos e quarto maior confeccionista, Brasil teve apenas três grupos empresariais comprometidos com redução de 50% das emissões de gases de efeito estufa até 2030

Durante 12 dias, aconteceu em Glasgow, na Escócia, a 26º Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP26. Entre muitas pautas importantes para o destino do planeta, uma delas chamou a atenção: a indústria da moda.

Segundo ramo mais poluente do mundo, atrás apenas do petrolífero, a indústria têxtil é responsável por 8% das emissões anuais de carbono. Era crucial a discussão acerca do tema entre os vários líderes que participaram do evento. Entretanto, ficou claro o descaso brasileiro. Entre os 130 signatários da Carta da Indústria da Moda para Ação Climática, na qual se declara comprometimento com o cessar das emissões de gases estufa, somente três deles eram brasileiros: o Grupo Soma, Reserva e o Grupo Renner.

A produção de uma peça de roupa envolve muitas etapas. Cada uma delas emite uma quantidade considerável de Gases de Efeito Estufa (GEEs). Tomemos o algodão como exemplo: tudo começa com o preparo do solo, seguido do plantio, realizado com o uso de muitos agrotóxicos. Quando pronto, é hora da colheita, que é mecanizada, liberando gases, como o CO2. Após ser beneficiado, as plumas de algodão são transportadas para fiação e tecelagem, liberando agora GEEs pelo motor do transporte. Depois de pronto, o tecido é transportado novamente para serem produzidas as peças de roupa.

Se analisarmos todas as empresas de fast fashion vigentes no Brasil, ou seja, aquelas que produzem roupas que são substituídas rapidamente, teremos certeza que os três signatários da Carta não poderão reverter essa situação sozinhos.

Hoje, já podemos encontrar em território brasileiro o que chamamos de algodão orgânico, uma fibra alternativa que não utiliza agrotóxicos na plantação. No entanto, esse tipo de fibra é ainda muito pouco explorada por vários motivos. Alguns deles se relacionam com o agronegócio, uma vez que, por visar o lucro, é o que recebe mais investimento e é incentivado por grandes latifundiários.

O Brasil é o quinto maior produtor de tecidos do mundo e o quarto maior confeccionista. É ingenuidade acharmos que tudo que consumimos de vestuário vêm de fora. Segundo a Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), 8,9 bilhões de peças foram produzidas no país só em 2017. Delas, 6,71 foram consumidas aqui. Isso mostra novamente a importância da participação de grandes empresas brasileiras no evento das Nações Unidas. Coisa que não aconteceu.

Há 25,5 mil empresas brasileiras trabalhando no ramo de tecido e confecção. Se analisarmos em números, é alarmante a quantidade de poluentes liberados. Ao não comparecer ao debate, o Brasil não só perdeu a chance de reverter esse quadro, como também negligenciou os desastres ambientais cada vez mais constantes. A COP26 era uma boa alternativa para discutirmos a influência da moda no meio ambiente, porém, para o Brasil, isso não pareceu ser algo prioritário.

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