Home Blog Page 738

O perigo está dentro das casas

Somente em 2006, a prefeitura de Curitiba contabilizou aproximadamente 2400 acidentes com aranha-marrom. O número é expressivo se comparado com a média nacional de 50 casos anuais. Apesar de ter promovido mutirões de limpeza, palestras e divulgado materiais didáticos a fim de evitar o aumento de envenenamentos, a capital paranaense ainda é a cidade número um em ocorrência desses acidentes.
Por mais que sejam venenosas, as aranhas-marrons não são consideradas agressivas, pois só atacam ao se sentirem ameaçadas: por exemplo, quando são comprimidas contra o corpo da ví­tima. Foi o que aconteceu com a aposentada Eliane de Souza, picada, há 18 anos, no perí­odo de gestação. Ela comenta que, por conta da gravidez, o cuidado com o caso teve que ser redobrado: “Faltava apenas uma semana para minha filha nascer, então os médicos tiveram que tomar muito cuidado com a medicação, garantindo que o veneno não iria interferir no desenvolvimento do bebê”.
Mais da metade das situações de atingidos por aranha-marrom registradas em Curitiba foram classificadas como leves, cerca de 20% como moderadas e apenas 1% como graves. A supervisora do Centro de Controle de Envenenamentos (CCE) do Hospital de Clí­nicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Doutora Marlene Entres, afirma que a gravidade do caso pode estar relacionada tanto com a quantidade de veneno injetado na ví­tima, quanto com a existência de outras complicações de saúde. Por ser asmática e cardí­aca, a secretária de 63 anos, Doraci David, teve os sintomas do envenenamento bastante agravados: “Passei 30 dias indo diariamente ao posto de saúde para fazer o acompanhamento e ter certeza de que o tratamento surtiria efeito”, diz.
Geralmente, a ví­tima não percebe o momento em que ocorre a picada desse aracní­deo – muitas vezes, confundida com a de um inseto comum – e as reações só aparecem horas depois do acidente, como conta a estudante Giovana Bilotta: “Fui picada na noite que passei na casa de uma amiga, mas só percebi no dia seguinte, quando meu pé já estava bastante inchado e dolorido”. O envenenamento por meio da aranha pode evoluir para dois casos clí­nicos: o cutâneo – mais freqüente e menos agressivo e o cutâneo-visceral, com reações mais perigosas (ler “Reações ao veneno”) . Seja qual for o quadro, é recomendado que a ví­tima ingira bastante lí­quido, não manuseie nem coloque soluções caseiras sobre a ferida, procure uma unidade de saúde e retorne diariamente ao posto por, no mí­nimo, dois dias.
De acordo com a Secretaria de Saúde de Curitiba, desde 1995 não é registrado óbito por envenenamento de aranha-marrom. No entanto, a média de 3 mil acidentes causados por esse aracní­deo se mantém nos últimos anos. Segundo a Professora Doutora da Pontifí­cia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Marta Fischer, em Curitiba há, predominantemente, duas espécies da aranha: a Loxosceles laeta e a Loxosceles intermedia . Esta última representa 90% da população do animal na cidade e possui caracterí­sticas bastante peculiares: “A Loxosceles intermedia tem uma enorme facilidade de se locomover, além de se adaptar facilmente ao ambiente”, esclarece a especialista. Além disso, de acordo com Marta, como o animal vive, geralmente, no interior de residências, possui menos predadores e competidores por alimentos, o que facilita o aumento da sua população.

Prevenção de acidentes
As aranhas-marrons possuem de um a três centí­metros de comprimento e são encontradas principalmente na Região Sul do paí­s. Elas têm hábitos noturnos e costumam se abrigar em locais escuros, quentes e secos, como móveis, cortinas, frestas, no sótão e porão, no meio de roupas e sapatos e em materiais de construção.
Algumas medidas simples podem ser tomadas para evitar que a aranha-marrom se aloje, por exemplo: limpar o domicí­lio e seus arredores com freqüência; remover entulhos, como telhas e sobras de material de construção; combater a proliferação de insetos que servem de alimento para o aracní­deo; vedar frestas em paredes, portas e assoalhos; a cada quinze dias, passar pano úmido ou aspirador de pó em locais onde existam teias de aranhas; afastar as camas das paredes; não deixar que as cortinas encostem no chão e examinar roupas e calçados antes de vesti-los.

Procedimento em caso de picadas
Em Curitiba, o CCE possui um serviço gratuito por telefone (0800-41-01-48) que funciona 24 horas por dia e orienta a população a respeito dos acidentes com aranha-marrom. O atendimento aos acidentados é feito também por meio de 107 unidades municipais de saúde e em todas as unidades 24 horas é possí­vel fazer tratamento com soroterapia.

Reações ao veneno
Forma cutânea: em Curitiba corresponde a 99% dos casos. Ela evolui progressivamente e os sintomas são notados nas primeiras 24 a 72 horas após o acidente. As reações podem ser: formação de bolha, vermelhidão, prurido, queimação, necrose, inchaço, febre alta, náusea, dor de cabeça, vômito, visão turva, diarréia, sonolência e irritabilidade.

Forma cutâneo-visceral: além das reações na região da picada, também ocorrem palidez e anemia aguda. O quadro pode evoluir para insuficiência renal, principal causa de morte pelo veneno da aranha-marrom.

Lesão na coxa sete dias após a picada da aranha-marrom: além das reações cutâneas, o envenenamento pela aranha pode causar insuficiência renal
Secretaria de Estado da Saúde do Paraná

Morre a grande dama do teatro paranaense

A atriz paranaense Lala Schneider faleceu na última quarta-feira, 28 de fevereiro, enquanto dormia. Aos 80 anos, ela não estava doente e gozava de boa saúde. Familiares a encontraram em sua cama por volta das dez horas da manhã, quando tentaram acordá-la. Lala foi velada durante toda a noite no hall de exposições do Teatro Guaí­ra e foi enterrada no dia seguinte, no cemitério do Boqueirão.

Uma história de amor pelo teatro

Apesar de ter sido registrada como Lala, seu nome de batismo é Esmeralda. A confusão se deu devido ao tardio registro da atriz, aos 11 anos, quando já era chamada por seus familiares apenas pelo apelido. Nascida no dia 23 de abril de 1926, em Irati, ela logo se mudou com a famí­lia para Curitiba.
Quando criança, já brincava de representar mesmo sem saber de que isso era teatro. Gostava de ler histórias, contá-las e depois interpretá-las junto com os amigos. Como era ela quem distribuí­a os papéis, pegava sempre para si o de princesa.
O seu envolvimento com o teatro aconteceu inesperadamente. Contratada para trabalhar no SESI com o serviço de recreação infantil, Lala foi convidada a participar de uma montagem que seria representada para operários nos bairros de Curitiba. Ela aceitou e, aos 24 anos, estreou nos palcos com a peça “O poder do amor”, de Nilo Brandão.

Dos primeiros passos à consagração

A primeira peça profissional que participoufoi “Um elefante no caos”, de Millôr Fernandes, em 1963. A montagem foi dirigida por Cláudio Correa e Castro para o primeiro grupo oficial de teatro do estado, o Teatro de Comédia do Paraná.
Desde então, Lala atuou em diversos espetáculos, alcançando grande reconhecimento por parte do público de teatro e também da crí­tica especializada. Ela recebeu o Troféu Gralha Azul, grande premiação do teatro paranaense, de melhor atriz por seu trabalho nas peças “Colônia Cecí­lia”, de 1984, e por “O Vampiro e a Polaquinha”, de 1992.
Lala era considerada a primeira grande dama do teatro do Paraná, mas obteve notoriedade em outras áreas. No cinema, a atriz alcançou destaque em 2004, quando recebeu o Kikito de melhor atriz do 32º Festival de Cinema de Gramado, pelo curta-metragem “Vovó vai ao supermercado”, de Valdemir Milani. Na televisão trabalhou nas novelas “Lua cheia de amor”, “Felicidade” e na minissérie “Teresa Batista”, todas na Rede Globo. Seu último trabalho televisivo foi uma participação no seriado “A diarista”, em 2006.
Além de trabalhar como atriz, Lala também foi professora de interpretação. Em 1978 passou a lecionar no Curso Permanente de Teatro do Guaí­ra e, mais tarde, quando este migrou para a Pontifí­cia Universidade Católica (PUC-PR) continuou ensinando. Um de seus mais célebres alunos é Luiz Mello, ator global. Em meados dos anos 90 abandonou a atividade para se dedicar mais ao trabalho de atriz. Lala também fez seis anos de Rádio Teatro e oito anos de Tele-Teatro. Ela trabalhou cerca de dois anos na Rede Globo, gravou cerca de 12 filmes e participou de 99 montagens teatrais.

Reconhecimento à grande Dama do Teatro

Diversas homenagens foram feitas a Lala Schneider durante sua vida. Em 1996, ela foi convidada a participar do espetáculo “Memórias do Teatro do Paraná”, em que pôde falar sobre sua carreira e experiência profissional, além de responder perguntas do público. Em 2000, os 50 anos de carreira da paranaense foram celebrados com uma exposição de recortes de jornal, cartazes e fotografias no Memorial de Curitiba. Entretanto, a maior homenagem que recebeu veio de seus ex-alunos João Luiz Fiani, Sí­lvia Monteiro e Luiz Pazello, que abriram um teatro em Curitiba e o nomearam Lala Schneider.
O último trabalho dela foi o filme “Mistéryos”, adaptado de alguns textos de “O Mez da Grippe e Outros Livros”, de Valêncio Xavier. O personagem do roteiro era inicialmente um homem, mas foi adaptado para que Lala pudesse interpretá-lo. Pedro Merege, um dos realizadores do filme, disse que para a equipe “foi uma honra ter dirigido sua última cena, na qual ela esteve ótima”.
“Lala é um exemplo para todas as pessoas” afirma Regina Vogue, produtora de teatro e amiga da atriz. Para ela, Lala possuí­a uma energia positiva que inspirava todos que estavam a sua volta. Não possuí­a inimigos e estava sempre sorrindo e brincando. “Ela é a melhor e maior atriz do teatro paranaense, sua presença cênica era extremamente forte”, completou Regina.

Festival de Antonina prorroga o prazo de inscrição de oficinas e espetáculos

Os interessados em apresentar propostas de oficinas e espetáculos para o 17o Festival de Inverno da Universidade Federal do Paraná (UFPR) têm até esta sexta-feira para inscrever seus projetos. As propostas devem ser entregues pessoalmente, das 9h às 12h e das 14h às 18h, na Coordenadoria de Cultura da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec), no 3º andar do Edifí­cio Histórico da UFPR. No entanto, o prazo de inscrição para os projetos enviados pelo Correio não foi alterado e a organização só vai aceitar propostas com data de postagem até 28 de fevereiro.
Segundo Lais Murakami, coordenadora de Oficinas do Festival de Inverno da UFPR, a maior parte das propostas chega perto do término do prazo de inscrição. Como neste ano o recesso de carnaval coincidiu com o final das férias e com o fim do perí­odo de inscrições, a Coordenadoria Executiva do Festival resolveu estender o prazo em alguns dias.
Para inscrever oficinas, os interessados devem preencher uma ficha disponí­vel no site da Proec, além de apresentar um currí­culo e um programa que contenha os objetivos e os conteúdos da oficina, a faixa etária do público-alvo, o número de alunos, a carga horária e os pré-requisitos, equipamentos e materiais necessários. Para fazer a inscrição de espetáculos deve-se seguir o mesmo procedimento, além de enviar um DVD, CD ou fita de ví­deo, um mapa de palco, a relação de equipamentos, a relação de músicas e compositores e fotos para divulgação.

Balanço parcial

Até o dia 6 de março, a Coordenadoria Executiva do Festival de Inverno havia recebido 374 propostas de oficinas e espetáculos, número superior ao da edição anterior, que teve 347 propostas inscritas. Após receber os matérias, uma comissão de especialistas vai analisar a consistência das propostas, pré-selecionando as que julgar adequadas ao Festival. Depois, a Coordenadoria Executiva estudará a viabilidade técnica das oficinas e espetáculos selecionados, para só então fazer a seleção definitiva. “Quando há duas propostas muito semelhantes, por exemplo, temos que escolher a mais viável”, revela Murakami.
Cerca de 80 oficinas e 40 espetáculos devem ser oferecidos ao público do Festival, composto principalmente por estudantes da UFPR, professores da Rede Municipal de Ensino de Antonina e crianças da cidade. No ano passado, 1653 pessoas se inscreveram em 70 oficinas e mais de 48 mil participaram de atividades de recreação, exposições de arte, mostra de ví­deos e espetáculos do Festival.
A coordenadora de oficinas do Festival garante que haverá diz que haverá algumas novidades este ano, mas prefere manter segredo por enquanto “para não estragar a surpresa”. Ela acredita que o público do Festival deve aumentar, mas não muito, visto que há a preocupação de não sobrecarregar a infra-estrutura de Antonina. Na edição de 2003, por exemplo, houve tantos visitantes num final de semana que a comida dos restaurantes não foi suficiente para atender a demanda.

Custos

O Festival de Inverno tem um custo elevado. No ano passado, por exemplo, foram gastos cerca de R$ 622 mil com a organização e execução do evento. A maior parte do orçamento do Festival é captada através da Lei Rouanet Lei no 8.313/91, que autoriza determinados projetos culturais a receberem patrocí­nios e doações de empresas e pessoas fí­sicas. O restante é conseguido por meio de patrocí­nios e parcerias público-privadas.

A coordenadora de oficinas do Festival de Inverno, Lais Murakami, recebe proposta de palhaços para oficina de arte circens
Ronaldo Santos Carlos