sáb 23 out 2021
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Com diferentes técnicas, restauração pode recuperar livros danificados

Com o uso de luvas de silicone, jaleco e bisturi, até parece que se trata de uma cirurgia, mas na verdade é profissional em um ateliê de restauração de livros. O processo é delicado e exige paciência, tanto do restaurador quanto do proprietário, que pode esperar mais de seis meses para ter o livro de volta A aposentada Zelma Tamaris Lemr, por exemplo, ficou muito satisfeita com o resultado da bíblia restaurada. “Ela ficou perfeita, posso ler perfeitamente” conta.

Há diversas técnicas para a restauração de um livro e cada caso deve ser analisado separadamente de acordo com o estado da obra e do uso posterior. Revistas, jornais e gibis também podem ser restaurados. Os preços também variam bastante, desde algumas centenas de reais até R$ 4 ou 5 mil. Porém, todas as técnicas tem um mesmo princípio: respeitar a idade do livro. Jessica Petri é restauradora do Atelier Restauro & Papel e toma cuidado para manter a essência da obra original na hora de realizar o trabalho. “Se o restaurador muda muito a obra, ele não faz restauração. Nós somos restauradores e não artistas” explica.

Bíblia da Zelma antes da restauração
(Foto: Jessica Petri)

Por conta do preço e do tempo, a restauração fica inviável para grandes acervos. A biblioteca pública do Paraná recebe cerca de 3 mil visitantes e faz 1,5 mil empréstimos diariamente. Tanto manuseio não deixa os livros impunes e é por isso que a Divisão de Preservação da Biblioteca utiliza a técnica de recuperação – que é mais simples e mais barata que a restauração-, para cuidar de 150 livros por mês. Com apenas três funcionários e dois estagiários, o trabalho é intenso para deixar o acervo bibliográfico de obras gerais acessível para a leitura.

Etapas do processo

 

O livro vai para o setor de recuperação quando está com a capa rasgada, folhas danificadas ou com infestação de pequenos insetos. Cada livro será avaliado e receberá o tratamento de acordo com a necessidade. Os livros são descosturados e desmontados e passam, então, pela segunda fase que é, para a chefe da Divisão de Preservação da Biblioteca Pública do Paraná, Bety de Luna, a mais importante, a higienização.

Depois dos procedimentos básicos, os rasgos são remendados com folhas finas a base de arroz, as páginas são recosturadas manualmente e a lombada ganha reforço. Caso a capa do livro esteja muito deteriorada, ele recebe uma nova encadernação. “Sempre tentamos manter a capa original do livro, ou pelo menos uma parte dela, mas em alguns casos ela está tão destruída que é preciso fazer uma nova” explica Bety.

Os livros que são pouco procurados e ficam muito tempo guardados vão para o laboratório de higienização e são desinfetados através da atmosfera modificada. Essa técnica consiste em deixá-los em um ambiente com alto nível de gás nitrogênio que irá matar os pequenos insetos por asfixia.

Caso o livro tenha muito valor e vá ser guardado por muitos anos, o tratamento deve ser completo. Além da obra passar por uma limpeza a seco página por página, ele é descosturado e levado para o “banho”. Nessa etapa o livro fica imerso em água deionizada por um período que varia de acordo com a condição das páginas, mas gira em torno de 10 minutos, processo repetido de 8 a 10 vezes. O “banho” tem a intenção de regularizar o pH da folha que tende a ficar mais ácido com o passar do tempo. Com o pH ácido, as páginas se tornam mais amarelas e quebradiças e a regulação serve para prolongar a vida do livro.

A melhor maneira de uma obra ser bem cuidada, segundo especialistas, começa bem antes da restauração ou da recuperação, mas na precaução. Manusear os livros com as mãos limpas, não umedecer os dedos com saliva para virar a página, não colocar durex e não tirar xerox são apenas algumas das recomendações que Bety de Luna ressalta.

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