As eleições para a nova gestão do Diretório Central dos Estudantes da UFPR (DCE) aconteceram nos dias 18 e 19 de novembro. A chapa de oposição Quem Tá Passando é o Bonde venceu com 1674 votos, contra 988 da concorrente Me Organizando Eu Posso Desorganizar.
Antes da passagem da posse, relembre os momentos importantes da gestão O Novo Pede Passagem, que encerra agora as atividades.

1. Eleições de 2013 foram chapa única
A chapa O Novo Pede Passagem foi eleita no final de 2013. Única concorrente para as eleições, sua candidatura foi legitimada pelos estudantes com 1739 votos num total de 2054. A campanha foi marcada por acusações à gestão anterior, Quem vem com tudo não cansa. A chapa argumentou que a gestão tinha “baixado a cabeça para a reitoria” e “virado as costas para os estudantes” ao longo da greve de 2012. Também acusaram os predecessores de tomar decisões sem respeitar as opiniões dos estudantes.
As promessas de campanha tinham ênfase na importância do movimento estudantil como instrumento de luta. Os integrantes da chapa tinham vínculos com diversos movimentos: participaram da greve estudantil de 2012, das jornadas de junho de 2013 e de outras lutas, como a pelo passe livre estudantil. Além disso, colocaram-se contra todo tipo de misoginia e discriminação.
2. Mobilização estudantil e semana do calouro no início de 2014
Antes mesmo de começar o ano letivo, o DCE mobilizou estudantes para pedir a reabertura do Restaurante Universitário (RU) mais cedo do que estava previsto. A mobilização atraiu estudantes que realizavam atividades extracurriculares durante as férias, como projetos de extensão ou iniciação científica. Após negociações com a Pró-Reitoria de Administração, o movimento conseguiu antecipar a reabertura do RU Central de 31 para 24 de janeiro. Posteriormente, também anteciparam a abertura do RU do campus Politécnico para 4 de fevereiro.
No período de recepção dos calouros, a gestão promoveu uma campanha online contra a opressão exercida por veteranos sobre calouros e a campanha antimachismo nos trotes ganhou as redes com a frase “veterano não é dono de caloura”. O Manual do Calouro teve tímida aparição online e não chegou sequer a ser impresso. Com apenas quatro páginas e poucas informações sobre a Universidade, foi alvo de críticas de membros de gestões anteriores do DCE.
3. Discussão sobre Cheerleading mostra caráter pouco flexível da gestão
No dia 15 de março, o DCE lançou uma nota com o título “Cheerleaders – Líderes de Torcida: a naturalização do machismo na UFPR”. O texto se referia à equipe de Cheerleading do C7 (Centros Acadêmicos de Engenharias e Arquitetura), recém-criada para competir no Engenharíadas – maior evento esportivo de Engenharia no Brasil. Com um texto denso, a gestão repudiou a criação da equipe esportiva, afirmando que o Cheerleading reforçaria estereótipos machistas.
A nota repercutiu nas redes e mais de 120 comentários vieram em resposta. Até mesmo atletas nacionais de Cheerleading deram sua palavra. O principal motivo da polêmica foi o fato de o DCE não ter dado espaço adequado para que as organizadoras da equipe explicassem suas intenções. Marina Jordana Linck, coordenadora da equipe, estava presente no Conselho Estudantil de Base (CEB) em que o texto, pronto, foi apresentado para aprovação. A estudante ficou surpresa, pois o DCE não fez contato com ela para se informar a respeito do esporte antes de escrever a nota. Depois de muita discussão online, dois debates sobre machismo aconteceram no campus Politécnico: um organizado pelo C7, no dia 24 de março, e outro organizado pelo DCE, no dia 25 do mesmo mês.
Para saber mais sobre a polêmica, basta conferir a matéria do Comunicação sobre o caso, clicando aqui.
4. Busto de ex-reitor causa atrito entre DCE e a Reitoria
A Ditadura Militar completou 50 anos em 2014. Em ato de protesto, o movimento estudantil da Universidade derrubou, pichou e sumiu com o busto do ex-reitor Flavio Suplicy de Lacerda, em ato semelhante ao dos estudantes de 1968. Suplicy fez uma longa gestão ao longo da Ditadura, foi Ministro da Educação e é lembrado por ter tentado cobrar mensalidade nas universidades. O governo da época recuou na decisão depois de protestos estudantis, que derrubaram o busto e tomaram a reitoria.
Depois da reprodução do ato, o atual o reitor, Zaki Akel Sobrinho, escreveu uma nota lamentando o ocorrido. O DCE respondeu com um texto repudiando “o conformismo com a desmemória e a mentira”. O episódio integra os muitos atritos entre o Diretório e a Reitoria.
5. Greve dos servidores gera outra discussão entre o DCE e estudantes
O DCE apoiou a greve nacional dos servidores, que aconteceu no primeiro semestre. Frente ao fechamento do RU, a gestão cobrou providências da Reitoria quanto à alimentação dos estudantes, sugerindo que a Universidade firmasse um contrato emergencial de vale-alimentação ou então distribuísse marmitas. O Diretório afirmava que pedir a reabertura do RU era uma maneira de deslegitimar o movimento dos servidores.
Discordando da posição da entidade estudantil, alunos do campus Botânico fizeram um abaixo-assinado pedindo a reabertura do RU. O DCE repudiou a ação, o que foi mal recebido por parte dos estudantes, que afirmaram não ter suas opiniões representadas pela gestão. Alguns estudantes também argumentaram que o DCE centrava as ações na Reitoria.
A reabertura do RU do Botânico acabou acontecendo, mas o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público (SINDITEST) apontou irregularidades nesse processo.
6. Protestos e debates contra a EBSERH marca todos os momentos da gestão
A luta contra a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) estava entre as propostas de campanha da gestão O Novo Pede Passagem e seus integrantes já faziam parte da frente de luta “Para não perder o HC”. O DCE mostrou fidelidade à causa e resistiu à adesão do Hospital de Clínicas (HC) a EBSERH da primeira à última reunião do Conselho Universitário (COUN). O Diretório promoveu debates e manifestações com o apoio do Sinditest e outros movimentos sociais.
O primeiro grande conflito do ano aconteceu no dia 13 de maio, quando a Reitoria barrou a entrada de manifestantes no prédio em que aconteceria o COUN. Outras tentativas falhas de realizar o Conselho sobre a EBSERH aconteceram, até que a adesão foi aprovada no dia 28 de agosto. A decisão chegou a ser contestada, já que alguns conselheiros votaram por viva-voz, mas a Justiça Federal de Curitiba legitimou a reunião. A justificativa seria de que o pedido de cancelamento do COUN foi feito nominalmente por alguns conselheiros e não pelo conjunto.
A passagem de gestões acontece no dia 3 de Dezembro, às 19h no prédio da Santos Andrade. O Jornal Comunicação continuará acompanhando as ações da nova gestão ao longo do próximo ano, contribuindo para o debate a respeito do movimento estudantil na Universidade.