qui 21 out 2021
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Sem caretice e covardia, o CNJ aprova o casamento gay

Casal lésbico se beija durante uma manifestação na França contra o casamento gay. Foto: AFP

No mês de Maio, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou uma resolução que autoriza e obriga todos os cartórios do país a celebrar casamentos homoafetivos. Se o cartório recusar a realização do casamento, o caso será levado para as corregedorias locais.

Nos Estados Unidos, Minessota se tornou o décimo segundo estado do país a liberar o casamento. A França se tornou o nono país europeu que garante essa organização. No total, quatorze países dão esse direito para o grupo LGBT.

Para que a ideia de casamentos homossexuais seja aceita na sociedade, primeiro as pessoas tem que entender o conceito de igualdade em seu sentido completo. Vários setores oprimidos que conquistaram – pelo menos em boa parte – seus direitos, acabaram esquecendo lutas anteriores e se tornaram opressores. Religiões que já sofreram represálias, mulheres, negros e classes sociais se tornam os repressores agora.

Orientações sexuais, que nem sempre podem ser consideradas escolhas, mas sim características pessoais, não passam de acordos entre duas pessoas que sabem bem o que querem: um amigo, um caso, um romance, um marido ou uma esposa. Do mesmo sexo ou não, a procura por amor e carinho não deixa de ser a mesma.

De qualquer forma, gerações criadas com um pensamento de que seu lugar e sua opinião no mundo são garantidos por lei, esquecem que isso é válido para todos. Seu direito de desgostar é, também, o direito do próximo de gostar.

Escolhas pessoais não devem interferir no direito do próximo: héteros não podem impedir o amor homo, assim como homos também não podem impedir o amor hétero. Tais escolhas são restritas a círculos pessoais de convivência e cultura, sem precisar que sejam tratados de forma universal.

Há alguns anos, relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo já existiam, com a diferença de que estes eram escondidos. Hoje, a exposição homoafetiva tem que ser encarada como uma coisa que ia, e com direito, acontecer e aparecer. A garantia que você possa assumir sua (seu) namorada(o) e que ela(e) seja reconhecida(o). Essa não é só uma garantia social, mas civil, uma vez que envolve herança, leis e segurança. Até então, a justiça brasileira não aceitava nem o casamento, nem a união estável. Casais não podiam realizar coisas básicas como um plano de saúde em conjunto. Mudança de sobrenome também não era permitido. Há alguns anos tornou-se possível colocar seu parceiro no Imposto de Renda. Todos esses impasses iam e vão contra os direitos básicos garantidos nas leis laicas do nosso país.

Muitos julgam ser “errado” por não estar presente e ser aceito culturalmente. Pois bem, cultura, por si só, é um conceito flexível, dependendo do tempo e espaço. Se culturalmente não fossemos mutáveis e adaptáveis, religiões seriam perseguidas e castigadas no fogo, mulheres não votariam e negros não casariam com brancos.

Os esforços e conquistas dos grupos homossexuais são uma demonstração de como as pessoas estão abrindo a cabeça e nossa cultura está engatinhando para frente. Políticas públicas com maior desenvolvimento na sociedade são um avanço para sair da estrutura retrógrada, homofóbica e cega que vivemos.

Enquanto o amor for considerado errado, as diferenças forem encaradas como defeitos e casar com alguém do mesmo sexo for chamado de pecado, vamos seguir o poeta e pedir piedade. Senhor, piedade para essa gente carente e covarde.

 

 

 

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