Fundado em maio de 2024 por estudantes africanos, o África United CWB nasceu com a proposta de reforçar a comunidade migrante em Curitiba a partir do futebol. A equipe surgiu da percepção de que, diante das rotinas de estudo e trabalho, os momentos de convivência entre imigrantes se tornavam cada vez mais raros. Inicialmente voltado para africanos de países de língua portuguesa como Guiné-Bissau, Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, o grupo logo se expandiu e passou a receber também haitianos, brasileiros e outros estrangeiros.
Inspirado no comunitarismo, princípio central em muitas sociedades africanas e afrodiaspóricas, o time valoriza a interdependência, a coletividade e a responsabilidade compartilhada. “O nosso desafio interno é criar laços mais fortes entre nós, entendendo as necessidades de cada um e ajudando sempre que possível”, explica Hermano Lona, estudante de mestrado em Educação pela UFPR, natural de Guiné-Bissau e um dos fundadores do time.
“O futebol é o que temos em comum. Ele nos diverte, cria amizades e, ao mesmo tempo, ajuda a fortalecer o sentido de comunidade que trazemos dos nossos países”, acrescenta Hermano. O grupo é formado majoritariamente por estudantes de áreas como Ciências de Computação, Física, Química e Educação. “Quando as pessoas descobrem isso, veem a gente de outro jeito. É uma forma de mostrar que somos muito mais do que o estereótipo que existe sobre os africanos”, completa o estudante.
A vivência de integrantes como Walt Johnsley, goleiro da equipe e estudante de Ciências de Computação, mostra a força dessa integração. “Eu conheci o time através de um amigo do Burundi, que já jogava por aqui. Acabei sendo convidado a participar e, desde então, me sinto parte dessa família. A gente se respeita muito e, mesmo quando rola alguma discussão em campo, no final sempre vem o abraço”, conta Walt que também compartilha o sonho coletivo de ver o África United participando de torneios e campeonatos amadores, mostrando o talento da equipe e fortalecendo a união entre os integrantes.
Hermano ressalta que a meta maior vai além do futebol, o time também busca crescer no social: “Nosso sonho é conscientizar mais pessoas, mostrar quem somos de verdade e criar um espaço de pertencimento para africanos e pessoas negras, onde todos se sintam acolhidos e ouvidos. Queremos que as pessoas tenham conceito sobre nós, não preconceito”.
Além de suas atividades esportivas, os membros também se encontram em eventos culturais e acadêmicos, como a Parada Afro, festas de independência de países africanos e iniciativas organizadas pela UFPR. Hermano destaca que esses encontros acontecem naturalmente a partir dos vínculos criados no time: “Algumas pessoas vão para os eventos porque a gente se conhece jogando, vai se conhecendo aos poucos e acaba se encontrando nesses momentos”.



