qui 21 out 2021
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A vitória é do Bayern e a festa é no Bar do Alemão

A partida final da Liga dos Campeões da UEFA foi disputada de forma inédita por dois times alemães. O Bayern de Munique e o Borussia Dortmund jogaram pela taça no último sábado (25). O Bar do Alemão, localizado no Largo da Ordem, promoveu o encontro das duas torcidas. A decoração do local foi especial para o evento, com bandeiras alemãs e imagens do Bayern e do Borussia. O público pôde acompanhar a partida em um telão e em vários televisores espalhados pelo lugar.

Final da Champions é transmitida em um telão no Bar do Alemão

A cada lance, pessoas levantavam, gritavam, comemoravam e lamentavam. O clima durante todo o jogo era de festa; o Bar estava cheio de conversas animadas e descontração. A bebida da vez – no melhor estilo germânico – era o chopp, presente na maioria das mesas. Muitas apostas foram feitas para a decisão e se saiu bem quem apostou no Bayern. O time ganhou a taça mais valiosa da Europa com uma vitória por 2×1. “Foi um jogaço. Melhor do que o ano passado”, afirma Tauan Camargo, ao lembrar da derrota para o Chelsea na final do mesmo torneio em 2012.

Na entrada do Bar do Alemão, poucos trajavam camisetas ou acessórios dos times preferidos. O único que vestia a camisa vermelha do Bayern era André Machado, que apoia o time desde a última temporada. “Está ruim, mas tudo vai dar certo”, torcia ele, quando questionado sobre o desempenho do time ainda no início do jogo. Machado nutre um carinho especial pelo Bayern, não só pelo futebol europeu.

O torcedor do Borussia Lucas Diego Cordeiro pensa diferente. “Tenho mais paixão pelo futebol do que pelo time”, conta. Cordeiro e um amigo haviam decidido acompanhar o jogo no Bar do Alemão apenas uma hora antes do apito inicial. Os dois encaram os jogos como uma oportunidade de confraternização com os amigos – para assistir ao jogo juntos e comentar a partida. “É meio que uma cultura”, diz Cordeiro.

Outras pessoas adotaram uma filosofia parecida. Um grupo de estudantes de Engenharia Eletrônica que acompanhava o jogo no local disse ser a primeira vez que não matavam aula para ver a final da Liga dos Campeões, mas só porque era sábado e não tinha aula. “Azar da aula”, disseram os jovens, com bom humor.

Torcedores reunidos no Bar do Alemão para acompanhar a partida

Ao contrário do que se poderia imaginar, poucos dos presentes eram descendentes de alemão. A estudante Ana Vitória Kummer, que torce para o Bayern, tem sangue germânico. Sua avó era alemã e passou à jovem um pouco da cultura do país, mas a estudante conta que, hoje em dia, o único costume alemão que tem é o de beber chopp. Ana conta que não torce para nenhum time brasileiro. Em época de Copa do Mundo, porém, torce para a Alemanha e para o Brasil. “Torço para os dois, mas se fosse confronto direto eu torceria para o Brasil”, declara.

A opinião unânime entre os entrevistados era de que o futebol europeu é muito superior ao brasileiro. O auditor Carlos Sviontek já acompanha a Liga há muitos anos – assistiu a uma final a primeira vez em 1999. Sviontek diz que o futebol europeu tem superioridade em organização, torcida e qualidade técnica. Na torcida pelo Borussia, o designer Edgar Fernando concorda que o esporte é mais desenvolvido na Europa, porém não nega a preferência verde-amarela. “O melhor é o europeu, mas gosto mais de assistir ao brasileiro”, afirma Fernando. As apostas em relação ao grande vencedor da Copa do ano que vem ficaram entre Espanha e Alemanha.

Brasões de estados alemães decoravam o local

Fora de Campo

Uma decepção para os torcedores do Borussia foi a ausência do jogador Mario Götze, que veste a camisa amarela, mas já foi negociado para defender o Bayern na próxima temporada. Götze, grande craque da equipe de Dortmund no ano, sofreu uma lesão muscular e foi vetado da final.

A história, porém, não ficou bem explicada para os torcedores, que afirmam com toda certeza que houve um jogo de interesses envolvido. Um deles disse até que Götze se machucou “por alguns milhões de euros”. Mesmo Lucas Diego Cordeiro que enxerga o futebol como um negócio para o jogador, diz que a atitude de Mario Götze não foi ética. “Tinha que estar no banco, pelo menos, mesmo machucado”, afirma Cordeiro.

Götze não entrou no gramado e assistiu ao jogo das arquibancadas do Estádio de Wembley, em Londres, palco da grande final. O Bayern saiu na frente no placar e o Borussia empatou em seguida. No momento em que o time de amarelo marcou o gol, Götze comemorou, mesmo já tendo contrato assinado com o clube de Munique. Embora a equipe de Dortmund tenha saído perdedora de campo, o jogador ainda tem motivos para vibrar – com o título, o Bayern conquistou uma vaga para o Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro.

Bar estava decorado com cores da bandeira alemã
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