ter 26 out 2021
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Aborto: não é por falta de opção.

Fonte: http://marta-gonzalvo.tumblr.com/post/49938191372

Na semana passada a jornalista Marina Caruso declarou já ter feito duas interrupções de gravidez, uma aos 19 e a outra aos 22, e nos fez lembrar a discussão sobre o aborto bastante debatida na época da eleição à presidência, no ano de 2010, quando foram feitas muitas declarações sobre mudar ou não a legislação.

Uma das grandes discussões sem resposta é quando o feto pode ser considerado uma vida. A legalização do aborto é, de fato, um assunto polêmico. Para a constituição brasileira ele é apenas permitido em casos de estupro, se a gravidez apresenta risco à vida da mulher e em casos de fetos anencéfalos. O que mais assusta é que mesmo assim o número de abortos ilegais no país é grande.

E aí surgem as perguntas. Se existem tantas clínicas ilegais é porque a procura é grande, então, o que faz tantas mulheres fazerem abortos? Será que não existem medidas contraceptivas suficientes? Ou é falta informação?

Na história de Marina, são compreensíveis as razões que a levaram a agir de tal forma. Ela não tinha condições de ser mãe com tão pouca idade. O problema é que ela só teve que tomar tal atitude porque não tomava pílula e seu namorado, na época, relutava quanto ao uso da camisinha. A opção foi o coito interrompido, que, obviamente, não deu certo.

Muitas pessoas são contra o aborto por questões religiosas, porque acreditam que a alma se instala desde a união entre espermatozoide e óvulo. Outras, com uma visão mais biológica, acreditam que a vida mesmo existe só a partir da 12ª semana de gestação, pois ainda só existe um sistema nervoso primitivo, sem possibilidade de apresentar atividade mental. Sendo assim, abortos realizados até os três meses de gravidez deveriam ser autorizados, pela mesma razão que as leis permitem a retirada do coração de um doador acidentado cujo cérebro se tornou incapaz de recuperar a consciência. Em terceiro, há as pessoas que acham que se os abortos acontecerão de qualquer maneira, proibidos ou não, melhor que sejam realizados por médicos, bem no início da gravidez. E, por fim, as que defendem o direito que a mulher tem sobre o próprio corpo.

Mas com tantos métodos contraceptivos que podem ser tomados, até onde vai esse direito? Será mesmo que o futuro de uma criança tem que pagar porque seus pais não tomaram os devidos cuidados? Não é como se não existissem opções que poderiam evitar esse tipo de situação.

Conciliar tantas posições não é uma tarefa fácil. O assunto mexe com variadas razões e, principalmente, com emoções, preferindo, no fim, deixar como está. Mas há dados que confirmam que muitas mulheres morrem por causa de abortos clandestinos e, talvez nesse ponto de vista, a legalização melhorasse esse problema da saúde pública. O fato é que ninguém é a favor de um método tão doloroso e invasivo quanto é o aborto. Nem as mulheres que optam ao fazê-lo. Fazem por ser a última opção que lhes resta.

Fazer mais campanhas, distribuição de camisinhas, abaixar e até mesmo ofertar pílulas anticoncepcionais ou propagandas de prevenção já se provou não ser suficiente. O que se precisa é que haja um verdadeiro debate sobre o assunto. Não ficar só discutindo quando é que se pode considerar o feto como vida ou o direito da mulher ao seu próprio corpo ou, ainda, quando é que a alma se instala num corpo recém gerado. O que se precisa é discutir a questão da gravidez e da própria concepção. Uma educação sexual desde cedo, implementar o assunto nas escolas e não fazer do sexo um tabu da sociedade. Não vivemos mais em tempos arcaicos, apesar de seus pensamentos estarem tão incrustados.

Mesmo sabendo que ainda assim será difícil, porque querendo ou não é um assunto complexo, é preciso criar uma consciência, não baseada nas razões religiosas, feministas ou biológicas citadas anteriormente, mas pelo próprio bem da saúde, do impacto que um aborto tem sobre a pessoa. E não só isso, as próprias doenças que o sexo pode causar também precisam ser debatidas.

É aquela velha premissa que todo mundo diz: trabalhar a causa para diminuir a consequência. Pois abortos existem porque há descuidos, ou não precisariam ser feitos, exceto nos casos em que a lei já age a favor.

 

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