seg 18 out 2021
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Alunos com deficiência física enfrentam dificuldades de mobilidade na UFPR

Com 55 inscritos no último vestibular, UFPR tem limitações estruturais para atender aos novos alunos. Foto: Dayane Saleh

Desde que as cotas para pessoas com necessidades especiais foram aprovadas, em 2008, diversos estudantes com deficiência física passaram a ser contemplados em todos os cursos da Universidade. No vestibular do ano passado, 55 pessoas se inscreveram no processo específico para portadores de necessidades físicas.

Alunos do curso de psicologia, no campus Santos Andrade, André Becker, terceiro ano, 32, e o calouro Giulio Condutti, 18, ambos cadeirantes, sofrem com a infraestrutura da universidade. Giulio acredita que uma das suas maiores dificuldades é a falta de rampas dentro da faculdade.  “Eu não entendo porque existem rampas em alguns lugares, e em outros não. Algo que é simples. Outro problema é a quantidade de banheiros, só tem um para deficientes, que fica no subsolo. É distante”, explica.

Já para André, ao mesmo tempo em que tem muitas reinvindicações, sente orgulho de fazer parte da universidade, e de poder ajudar a melhorá-la. “Algumas das defasagens que existem são graves, e já deveriam não existir numa instituição que prega justamente argumentos contrários a essa realidade. Há uma acessibilidade precaríssima e a estrutura tem muitos degraus, além de elevadores que apresentam um tipo de problema todos os dias”, critica.

As cotas foram importantes para a entrada de Giulio na universidade e ele as considera um direito dos deficientes. “O sistema de cotas já é uma grande conquista. Às vezes os deficientes não ingressam numa universidade pública por causa das dificuldades, na particular é mais fácil. Porém, não podemos ser privados do nosso direito por causa das defasagens estruturais”, argumenta. Ele diz sempre ter convivido com a falta de acessibilidade. Até mesmo quando cursava o ensino fundamental num colégio de bairro, era necessário que o transportassem no colo pelas escadas. No cursinho, precisava ficar sentado na primeira fileira, assim como faz nos anfiteatros.

Mobilização

Em 2012, alunos do curso de psicologia se mobilizaram frente às dificuldades enfrentadas pelos alunos com necessidades especiais. Luan Galindo, que faz parte da gestão do centro acadêmico de psicologia (CAP) diz que antes não havia nem uma portaria para os deficientes, que muitas vezes pegavam chuva. A partir da exibição de um filme italiano que tratava sobre acessibilidade, os alunos organizaram uma manifestação com oficina de cartazes e ofícios. “Cerca de quarenta pessoas foram até a reitoria. Semanas depois foram colocadas as rampas no campus Santos Andrade e no restaurante universitário da reitoria”, conta.

Laboratório de acessibilidade

A Coordenadora do Comitê Gestor do Fundo de Desenvolvimento Acadêmico da UFPR (FDA) Eliane Maria Stroparo, que cuida da biblioteca do Politécnico, afirma que a tecnologia de acessibilidade adquirida pela universidade está em uso na Biblioteca de Ciência e Tecnologia. Entre os equipamentos comprados, existe o leitor autônomo, que permite o conteúdo impresso se tornar sonoro, o linha braile, que transforma o conteúdo em braile, e uma mesa tátil. De acordo com a coordenadora, a mesa ainda não está em uso, porque é preciso do auxílio dos deficientes para posicioná-la, o que será feito em breve. “A proposta de enriquecer a biblioteca é um projeto que tem cerca de cinco anos e aos poucos vamos adquirindo mais equipamentos e mobílias específicas”, completa.

Solução

Para André, a inclusão só será efetiva quando as melhorias existirem antes da necessidade. “A gente só se sente incluído quando não precisamos passar por essas dificuldades de acessibilidade para que alguma coisa seja feita”, afirma. Ele diz que no centro politécnico existem rampas que fazem o acesso ao prédio de biológicas, mas que são bloqueadas por entulhos. “O fato de existir a rampa não é o que garante a inclusão. A inclusão existe quando, se eu aparecer de surpresa por lá, eu não precise pedir ajuda para alguém. A Santos Andrade é bem pior nesse quesito”, finaliza.

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