sáb 16 out 2021
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Alunos sentem dificuldade em denunciar professores

Uma das alternativas para organizar reclamações é a realização de abaixo-assinado entre os alunos. (foto: Thaís Scuissiatto)

Para muitos estudantes da Universidade Federal do Paraná o descaso dos professores é rotina. Nos casos de docentes negligentes, a denúncia é dificultada por obstáculos burocráticos que tornam quase impossível penalizar ou demitir um mau profissional. Amparados pela dificuldade de informação, esses professores permanecem empregados, impedindo o aprendizado de seus alunos e muitas vezes mantendo comportamento antiético em sala de aula.

É o que acontece em uma aula do curso de Design. Mesmo com as frequentes reclamações dos alunos sobre um professor, ele continua a dar aulas há anos sem mudar de comportamento – mesmo sendo acusado de ser antiético e não apresentar a matéria corretamente. “Reclamamos com a coordenação, e nos aconselharam a falar diretamente com o professor. Se não funcionasse, a coordenação se responsabilizaria por levar nossa reclamação para fora do curso”, explica Kellen Carvalho, representante da relação entre corpo docente-discente do Centro Acadêmico de Design (Cadi).

Apesar da conversa com o professor não ter dado resultados, a coordenação nunca levou o pedido dos alunos para os órgãos responsáveis pela disciplina e ética dos servidores. “Fizemos um abaixo-assinado em 2011, e todos os alunos do curso assinaram pedindo a demissão dele. Não adiantou”, lamenta Kellen. A única consequência da ação, diz a estudante, é que o professor em questão passou muitos trabalhos acadêmicos para os alunos com pouco tempo de execução, como represália às reclamações.

Falta de apoio da coordenação prejudica alunos

Segundo o gerente dos Procedimentos Disciplinares da UFPR, Max Malucelli, o primeiro passo para conseguir solucionar esse tipo de problema é definir se a falta em questão é de natureza pedagógica, disciplinar ou ética. “Muitas vezes, os casos são encaminhados para a comissão errada, e acaba não dando em nada”, explica. No departamento de Malucelli, por exemplo, são penalizados com advertências, suspensões ou demissão os profissionais que cometem faltas administrativas, como agressão física, corrupção e ausência não justificada. Em casos mais graves, como assédio sexual ou racismo, a orientação é abrir um processo administrativo, que poderá ser encaminhado para a Polícia Federal.

Um fator indicado por Malucelli como possível causa da pouca efetividade desses processos é a falta de apoio (ou mesmo acobertamento) dos coordenadores de curso e chefes de departamento. Esses, sendo responsáveis por levar reclamação dos alunos até os órgãos responsáveis, podem fazer “vistas grossas” às falhas dos professores. Outro empecilho pode ser o medo dos alunos, que não denunciam ou não levam as reclamações para os coordenadores por temerem ser perseguidos pelo docente ou mesmo ter suas notas reduzidas. “Virtualmente, pelas informações que chegam até aqui, todos os professores são excelentes e nunca faltam às aulas. Porém, sabemos que na prática não é assim”, explica o gerente.

 DCE tenta ajudar estudantes

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) tem tentado mudar essa realidade, instruindo alunos e Centros Acadêmicos sobre como proceder com esse tipo de situação. Segundo Danniele de Oliveira, da coordenação de ensino, pesquisa, extensão e formação política do DCE, Ainda é difícil convencer os estudantes a entrarem com um processo que pode levar meses ou até anos para ser concluído.“Nós instruímos os alunos a seguirem por dois caminhos paralelamente: abrir um processo na comissão de ética, que pode levar seis meses, e um processo dentro do departamento e colegiado de curso, que pode demorar mais”, explica.

Segundo Danniele, a principal reclamação dos alunos é a perseguição de cunho ideológico ou pessoal de professores contra alunos, além de machismo, homofobia e racismo. “O processo é muito burocrático, e os estudantes sentem que não têm poder de mudar a situação. Estamos tentando reverter isso.”

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