qua 20 out 2021
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As raízes vikings da cultura brasileira

O quarto espetáculo do 18º Festival de Inverno da UFPR aconteceu fora do palco principal e do Theatro Municipal, mas foi um sucesso. O grupo Gaiteiros de Lume apresentou-se na Igreja Matriz de Antonina, logo antes do show de abertura do festival. O repertório, formado por canções da música celta, étnica e medieval, foi favorecido pelo ambiente da igreja, de acordo com o músico Leandro MacLorihem, que toca gaita de foles no grupo.
Ele explica que a estética da música que executam e a natureza dos instrumentos são “bastante voltados para essa acústica”. Além das gaitas, os músicos utilizam instrumentos como banjo, whistle (flauta de seis furos), bouzouki (bandola grega), bandolin e kântele (lira nórdica).
O grupo existe há cerca de um ano e meio, mas todos os músicos têm pelo menos seis anos de estudo em música celta. Para não correr o risco de os instrumentos tradicionais e a ambientação não produzirem a impressão desejada, os músicos apresentaram-se à caráter. O espetáculo foi aplaudido de pé, com direito a um bis entusiasmado do público, que lotou a igreja. Leandro, vestindo um kilt –a tradicional “saia” escocesa-, explicou a proposta do grupo para o Comunicação.

Comunicação: Como é o trabalho realizado pelos Gaiteiros de Lume?
Leandro MacLorihem: Nessa banda, o nosso trabalho é principalmente a música celta, originária dos paises da antiga Europa. Irlanda, Escócia, Gales, Galí­cia (que é uma região da Espanha), Portugal, Franca. Também algumas músicas que fogem um pouco disso, como as músicas da Escandinávia, que é o mundo antigo, o mundo pagão, o mundo viking.

C: Todos os integrantes têm alguma relação desse tipo com a música celta?
MacLorihem: Familiar, não. Dois dos integrantes têm laço familiar, laços sanguí­neos com a cultura. E acabam os desenvolvendo, porque, além de resgatar a cultura, é uma forma de mantê-la. Os outros integrantes, por se apaixonarem pela música e por serem amigos da gente, acabam pedindo: “Deixa eu ver como é que toca”. Então, acabaram entrando junto na banda.

Qual é a importância de trazer música celta para um festival de cultura como esse?
MacLorihem: A musica celta influenciou e influencia a cultura e música popular brasileira. A nordestina, o próprio fandango, são ritmos que vieram da Europa, há quinhentos anos atrás, com a colonização. Para você ter uma idéia, na gaita de fole é possí­vel tocar todas as músicas do nordeste, porque é tudo em ré ou dó, que é a nota da gaita de fole. Nosso projeto é exatamente mostrar que o Brasil mantém uma cultura de um povo muito distante e não sabe.

C: Vocês comentaram, ao apresentar a última canção, que tratava-se de um exemplo de como a música irlandesa influenciou a música americana. Onde mais são encontradas referências como essa?
MacLorihem: Ela é muito usada em jogos de RPG [Role Playing Game]. No joguinho do Mario, tem aquela musiquinha que você ouve e pensa “parece a mesma escala, é bem parecido”. A música do Popeye é um exemplo. Tem a música do pica-pau, as polcas. Os Jetsons tinham um tema irlandês também na abertura. São nesses meios de comunicação que a musica celta acaba entrando. Geralmente, em desenhos ou seriados.

 O espetáculo foi aplaudido de pé, com direito a um bis entusiasmado do público, que lotou a Igreja Matriz de Antonina
Douglas Fróiz
 Além das gaitas, os músicos utilizam instrumentos como banjo, whistle (flauta de seis furos), bouzouki (bandola grega), bandolin e kântele (lira nórdica)
Douglas Fróiz
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