qui 28 out 2021
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Aulão de dança de salão na Casa Hoffmann atrai público apaixonado pelo movimento

Aulas a apresentações de dança fizeram parte das atividades da Casa Hoffmann na Virada Cultural 2012
Créditos: Mário Messagi

 

Marielly estava só passeando pelo Largo da Ordem, na tarde de domingo, 11, quando foi atraída pela apresentação de dança de salão da Virada Cultural, na Casa Hoffmannn. “Ouvi o barulho e caí dentro”. Lá, se deixou levar pelos professores Luiz Dalazen e Giuliana Manfio, ao ritmo de samba e forró. Mas os dois professores de dança queriam mostrar algo diferente: as danças de salão, ou danças a dois, como forma de arte, com tanto valor artístico quanto o balé ou o jazz, com direito a palco e plateia.

Giuliana é formada em dança pela FAP – Faculdade de Artes do Paraná – e fez curso de capacitação em dança de salão e outras linguagens. Dalazen tem história menos reta. É formado em matemática, mas pós-graduado em Teoria e Movimento da Dança, pela Famec – Faculdade Metropolitana de Curitiba, de São José dos Pinhais, onde atualmente é professor.

Dalazen dança há 15 anos, desde os 12. Há dois anos, junto com Giuliana, abriu o Mix Studio do Corpo, onde ensinam todas as danças a dois. O projeto mais audacioso, porém, começou neste ano, quando os dois ganharam duas bolsas no edital do Fundo Municipal de Cultura. Foi a primeira vez que a dança de salão entrou nestes editais e pode, de leve, colocar o pé no espaço ocupado há seculos pelas outras linguagens corporais.

Dança como prática social

Na casa Hoffmann, durante a virada, Dalazen faz questão de frisar, mais de uma vez, que o que eles ensinam para a maioria das pessoas é a “dança como prática social”. “Queremos fornecer dança de salão com qualidade, fugindo do que é piegas, mas também valorizar esta arte no meio”, explica.

A proposta não é deixar o salão, onde as pessoas dançam para si mesmas, de costas, se for preciso, para o público. Porém, os dois dançarinos querem que a dança de salão deixe de ser vista como arte menor. “Podemos afugentar o público que espera apenas a dança a dois, mas atraímos quem quer arte”, diz Dalazen.

Dança pelo prazer

Wanda Joana Slucznowski foi uma das pessoas que acompanhou a apresentação do grupo, com movimentos das danças a dois, mas com sofisticação de apresentação de grupo de dança moderna e contemporânea. Ela achou bonito, mas veio, no fundo, pelo prazer. “Adoro… Quando vi que tinha dança, entrei”. Advogada, Wanda diz que estuda jazz há mais de 20 anos.

Bárbara da Silva Meneses e Diego Diehl, um dos pares da apresentação de dança concebida e dirigida por Giuliana e Dalazen, fazem parte do esforço para mudar o estatuto da dança de salão, mas são movidos, de fato, pelo prazer e pelo amor pelo movimento corporal. Os dois são alunos de engenharia, na UFPR (Bioprocessos e Civil, respectivamente) e dançam juntos há dois anos. Hoje, dedicam a manhã para o estudo de engenharia e seis horas por dia, à tarde, para a dança. São também instrutores.

Bárbara já fez dança do ventre, jazz, hip hop, balé, flamenco, sapateado e, bem antes disso, dançava na frente da televisão, imitando as bailarinas da tela colorida. A mãe queria ser bailarina e sempre estimulou a filha. Diego foi mais resistente. A mãe queria que ele dançasse, mas o menino sempre se negou. Jovem, começou a frequentar as festas, sobretudo sertanejas, e começou a dançar por diversão. Não parou mais.

Bárbara escolheu a engenharia como profissão. Apesar disso, não vive mais sem a dança. “Sou apaixonada. Independente do que eu for fazer na vida, a dança vai me seguir sempre”, conta. Diego começou por diversão. “Depois vi que a coisa era mais embaixo”, relata.

Para os dois, o movimento é cura para a alma. “Quando a gente está mal, basta chegar a tarde que aquilo passa. Os alunos, a música, o movimento, tudo nos diverte. Ensinar diverte”, conta Bárbara.

Casa Hoffmann

A Casa Hoffmann, ou Centro de Estudos do Movimento, é hoje um espaço destinado à pesquisa e desenvolvimento artístico nas áreas de dança, teatro, artes plásticas e educação. Recebe projetos e bolsitas contemplados com financiamento do Fundo Municipal de Cultura, para desenvolvimento de trabalhos na área de movimento corporal.

Oferece cursos com bolsistas residentes (alunos de dança, por exemplo) e desenvolve projetos contemplados bolsas de estruturação, voltadas para profissionais. Em 2012, contou com 16 bolsistas e três orientadores.

A casa pode receber até 70 pessoas nos seus cursos. Em 2012, fez 40 apresentações, atingindo um público de 2 mil pessoas. Funciona de 9 às 12 horas e das 14 às 18 horas e oferece oficina corporal e oficina de dança.

Telefone (41) 3321-3228.

Créditos: Mário Messagi

 

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