qui 21 out 2021
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Brechós com cheirinho de novo

Qualidade e preço baixo são duas características que muitas pessoas procuram na hora das compras. Por isso, a mania estrangeira dos brechós “de luxo” tem se encaixado muito bem no Brasil. Em Curitiba, a 4ª cidade econômica brasileira, não foi diferente. Só na rua Mateus Leme são 13 brechós para todos os gostos, e eles estão cada vez mais completos e especializados.

Com peças históricas, de grandes grifes internacionais ou customizadas, o público procura nesses ambientes um look fora da padronização das vitrines. Porém, a diferença dos novos brechós de luxo para os brechós antigos do imaginário social, é gritante. Algumas lojas só são brechós pelo nome, porque na organização parecem boutiques. As peças, que são higienizadas antes de vender, são capazes de acabar com qualquer resquício de preconceito contra roupas usadas.

A procura do look de época

Um “tipo” de brechó de luxo que vem crescendo no mercado são os vintage. “A modelagem da roupa antiga é diferente. Mesmo quando roupas novas são produzidas seguindo a linha vintage, não é a mesma coisa que roupas fabricadas na época. A indústria era totalmente diferente, tanto nas técnicas quanto nos mecanismos”, afirma Ricardo Savae, sócio-proprietário do brechó Libélula. O local conta com araras repletas de estampas muito bem trabalhadas e selecionadas, com tecidos de alta qualidade. “A durabilidade também está em jogo”, completa.

O Libélula, com dois endereços na rua Mateus Leme, possui também um alto número de peças customizadas, levantando a bandeira da sustentabilidade. As designers de moda da loja produzem a linha Farrapo Custom, de roupas e acessórios customizados, como, por exemplo,  mochilas feitas de reaproveitamento de tecido de gravata. “Nos brechós você pode reutilizar aquilo que já foi produzido, sem ter a necessidade de gerar mais lixo”.

Fora da Mateus Leme, o brechó Trinca Z encontrou seu cantinho na rua Trajano Reis. “Exatamente para mostrar que não somos iguais aos outros”, diz o proprietário Caca Brainta. Entrar na loja é como entrar em uma máquina do tempo. A decoração ao som de Elvis Presley leva o cliente de volta às décadas passadas. Três relógios parados simbolizam todo o brechó: as peças ali pararam no tempo. O casal proprietário oferece ainda o diferencial da consultoria de moda. Brainta faz uma árdua garimpagem para selecionar as peças, com fornecedores do Paraná e Santa Catarina.

 

O Trinca Z é um exemplo de brechó vintage, que conta com ambientes selecionados e objetos de decoração retrô. Foto: Gabriele Maniezo

Outro forte segmento desta nova modalidade dos brechós de luxo são os de grandes grifes. Pagar relativamente pouco por peças de grifes renomadas como Lacoste e Animale é tentador, mesmo que sejam de segunda mão. A dona da loja Stradvarius, Francieli Marchiori, afirma que o atrativo para as clientes é a seleção de peças bem conservadas. “Pagar o preço da C&A por um blazer quase novo da Animale faz a diferença”, explica.

Outro destaque também são os brechós infantis. Comprar roupas de festa para as crianças nessas lojas é um ótimo negócio. As crianças crescem rápido, fazendo com que as peças de brechós estejam, na maioria das vezes, em muito bom estado. É possível encontrar ainda acessórios como carrinhos, cadeiras de alimentação e de carro por, em média, a metade do preço. “Roupa de criança não sai de moda”, afirma Erica Furtado do brechó Leãozinho, que possui também grifes infantis como Lilica Riplica.

O poder da internet

A internet foi um grande incentivo para a solidez dos brechós de luxo. Segundo Brainta, foi o mundo virtual que trouxe a moda para mais próximo das pessoas. Não existe mais a hierarquia de poucos ditando o que muitos devem usar. “A internet permitiu com que a moda de rua fosse valorizada”, conclui.

O perfil de quem compra em brechós também mudou. Antes, as pessoas buscavam qualquer coisa por preços baratos. Hoje, elas querem exclusividade, qualidade e preço baixo. O grande mercado ainda está despertando para esse tipo de consumo. Ainda não alcançamos nem metade do que é vendido em cidades como Nova York, a meca das vintage stores, por exemplo. “As pessoas têm a ideia de que brechó só tem roupa surrada, mas isso mudou”, confirma Arilda Balles, mãe da proprietária do Stradvarius.

Brainta afirma que o jovem é a pessoa mais aberta ao brechós. “ O jovem está sempre buscando se diferenciar em meio a multidão”, comenta. Ele também acredita que não existe mais uma tendência única, existe o estilo. “Cada um descobre aquilo que é confortável pra si e isso é estar na moda pra você”.

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