sex 22 out 2021
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Cineasta Aly Muritiba conta a trajetória e comenta a cena do cinema local

A Semana da Crítica do Festival de Cannes, que acontece no Sul da França, começa hoje e dois curtas-metragens nacionais foram selecionados para participar da mostra. Um deles é o curta Pátio, do cineasta baiano Aly Muritiba, que reside em Curitiba há sete anos. Segundo filme de uma trilogia produzida por Aly Muritiba, o documentário trás outra visão sobre o ambiente carcerário no Brasil. “A visão que se tem do sistema penitenciário por parte da imprensa, e por parte do cinema nacional também,  é muito preconceituosa. Preconceito não no sentido pejorativo, mas que há um conceito pré-estabelecido, e esse conceito vem de não sei onde, porque as pessoas falam de algo que elas não conhecem”, argumenta Aly.

O cineasta pode falar sobre o assunto com a vantagem de ter vivido o tema de perto. Durante sete anos Aly trabalhou como agente penitenciário, e foi  a partir dessa vivência que descobriu a riqueza escondida atrás das grades. “Ter estado lá dentro me fez falar das coisas que acontecem ou que eu presenciei e que eu acho digna de serem mostradas aqui fora”, comenta. Foi durante esse período que Aly, já graduado em História, ingressou no curso de cinema na Faculdade de Artes do Paraná.

 

O curta Pátio aborda questões da situação carcerária brasileira

A trajetória de um Curta

Pátio ganhou o prêmio de melhor curta metragem no festival É Tudo Verdade. Muritiba conta que a experiência de poder ver o filme em tela grande foi muito positiva.  “Eu senti que o filme realmente se comunica com as pessoas, vi que as reações ao filme são muito boas”, fala. O curta foi filmado em três semanas, na Casa de Custódia de São José dos Pinhais, durante o mês de novembro de 2012, com recursos próprios do cineasta. “Eu não tinha dinheiro, não tinha equipe, eu tinha vontade de fazer, e eu fui e fiz”, pontua Aly.

Quanto à participação na Semana da Crítica, Aly Muritiba conta que o foco desse tipo de evento, para ele, é a troca de informações. O cineasta valoriza a conversa crítica, com pessoas do meio, que Cannes pode somar as suas vivências. “A expectativa é essa, encontrar gente legal pra conversar”, diz.

A cena de cinema local

O produtor vê perspectivas grandes de crescimento para o cinema em Curitiba. Ele argumenta que ações como o festival de cinema, o núcleo de dramaturgia do SESI e a Faculdade de Artes do Paraná criam um ambiente favorável à produção na cidade. Porém, destaca que atualmente o cenário de produção é precário e justifica que isso se dá por estarmos no meio de um processo de transição. O cineasta acredita que o investimento na formação de profissionais e recursos públicos podem otimizar esse processo.

Em relação ao mercado consumidor de cinema na cidade, Aly vê como outro desafio a ser ultrapassado. “Curitiba é a capital brasileira que menos vê filmes nacionais”, ressalta o produtor. Muritiba, acrescenta, ainda,  que qualquer mudança depende primeiro de um aumento e uma melhora na produção. “Quantidade não é sinônimo nem reflexo de qualidade, mas sim, quanto mais nós produzirmos maior a possibilidade de que a gente consiga produzir algo bom”, esclarece Aly. O incentivo público é, segundo ele, o começo de tudo.

O produtor compara a produção paranaense com a pernambucana, que atualmente, tem lugar de destaque no cenário nacional. “Há dez anos Pernambuco estava produzindo um longa apenas. Dez anos depois Pernambuco roda em torno de vinte longas por ano”, conta Aly. Em um ano, segundo o cineasta, o estado nordestino investiu 8 milhões em audiovisual, enquanto o Paraná, que não investia há três anos, investiu 1 milhão e meio no ano passado. “A secretaria de Cultura do Pernambuco investe em processos. Tem edital lá para produção de filmes, pra produção de curtas, edital que contempla cineclubes” argumenta Aly.

Festival de Cinema de Curitiba

Entre os dias 6 e 14 de junho acontece o festival Olhar de Cinema, produzido pela produtora Grafo, na qual o cineasta Aly trabalha. O produtor conta que o festival ocupa pelo menos seis meses do tempo de toda a produtora e o resto do ano, com menos intensidade, para acertar detalhes como prestação de contas, captação de recursos, contato com patrocinadores. “Nós aqui da produtora, acreditamos que esse seja nosso trabalho mais importante, porque o retorno para o publico é imediato e muito mais abrangente. A gente consegue mensurar o quanto o festival agrega para as pessoas”, argumenta o cineasta. Os filmes exibidos no festival passam por um processo de seleção que começou em novembro e durou três meses, feito por três pessoas da equipe de curadoria. “Dessas trocas de ideia a gente faz uma pré-eleição e daí, essa pré-eleição é vista por todos”, explica Aly. Nesse ano,  foram 1959 filmes, de 93 países diferentes, inscritos no Festival .

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