qua 21 jan 2026
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Como as redes sociais e a inteligência artificial podem impactar nas eleições de 2026 no Paraná 

Em 2026, brasileiros irão às urnas para escolher presidente, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. O período pré-eleitoral será crucial e a tecnologia promete acelerar a circulação de informações. No entanto, a disseminação de desinformações tende a aumentar. Segundo pesquisa realizada em 2024, do DataSenado, 81% dos brasileiros acreditam que as fake news têm potencial de influenciar votos. 

Para Luciana Panke, especialista em comunicação política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a desinformação sempre esteve presente na disputa pelo poder, mas ultimamente ganhou novas formas de expansão, como os algoritmos das plataformas digitais. “A fofoca e o boato sempre fizeram parte do jogo político. O que muda agora é a velocidade e o alcance, potencializados pelos algoritmos das plataformas digitais”, diz Panke.  

Uma das estratégias mais comuns é o uso de cards que simulam notícias, muitas vezes são gerados por Inteligência Artificial (IA), sem fonte ou autoria, que circulam em aplicativos como o Whatsapp e alcançam milhares de pessoas em poucos segundos. 

“A fofoca e o boato sempre fizeram parte do jogo político. O que muda agora é a velocidade e o alcance, potencializados pelos algoritmos das plataformas digitais.” 

Luciana Panke 

A especialista ressalta que a falta de educação midiática e de habilidades críticas para avaliar a veracidade das informações contribui para a vulnerabilidade dos fatos. “O ideal é sempre checar em mais de uma fonte confiável. Educação para a mídia é fundamental”, reforça. 

A estudante de terapia ocupacional e eleitora da região metropolitana, Luana Hank, afirma que a presença digital a ajuda a entender melhor de que forma um candidato pode contribuir: “Um candidato com redes sociais é mais favorecido e melhor de acompanhar”. Mas, por outro lado, ela ressalta os problemas da polarização online: “Eu sigo políticos de lados opostos e o que mais vejo [nas redes sociais] são brigas nos comentários. Falta de respeito; e isso me preocupa”. 

Presença online revela caminhos da pré-campanha no Estado 

Ainda é cedo para afirmar quem serão os candidatos ao governo do Paraná em 2026, mas com base em pesquisas deste ano da Real Time Big Data, Quaest e demais notícias, já se delineiam alguns possíveis nomes: Sérgio Moro (União Brasil), Requião Filho (PDT) e Rafael Greca (PSD).  

(Infográfico: Giovana Gama)

Dentre os possíveis candidatos ao governo do Estado, todos possuem as principais redes sociais: InstagramFacebook e X (antigo Twitter) e um bom alcance midiático. O candidato Rafael Greca, por exemplo, ganhou bastante engajamento na sua página do Facebook durante os primeiros 100 dias de mandato, sendo um dos prefeitos de capital com maior número de postagens, crescimento de fãs e interações nessa plataforma, de acordo com dados da Tribuna Paraná. 

Sergio Moro, por outro lado, vai além do Facebook e concentra sua atuação no X e no Instagram. Seus perfis são bastante seguidos e funcionam como vitrines políticas, onde ele compartilha posicionamentos sobre temas nacionais, críticas a adversários e atualizações de sua agenda, sempre com uma linguagem direta e foco em debates de maior alcance. 

Já Requião Filho aposta em uma comunicação diversificada e multiplataforma: além de estar presente no Instagram, X e Facebook, também marca presença no YouTube e no TikTok, usando vídeos curtos, transmissões ao vivo e conteúdo em tom mais informal para dialogar com públicos variados, especialmente os mais jovens.  

Como identificar notícias falsas 

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) e outras instituições estão se preparando para combater fake news envolvendo candidatos, regras e o funcionamento da eleição, promovendo campanhas educativas e orientações para os políticos.  

5 passos para identificar uma fake news.  (Infográfico: Giovana Gama) 

Nem toda informação que chega pelo Whatsapp, Facebook, Instagram ou Tiktok é confiável. As fake News são construídas justamente para provocar uma reação rápida, sem reflexão. Vídeos criados com Inteligência Artificial, por exemplo, ainda podem apresentar falhas sutis. Você pode notar a pele com uma textura estranha e outro sinal comum é o piscar dos olhos, que pode parecer lento ou não natural. A forma como a boca se move também pode não estar em perfeita sincronia com as palavras. 

Com as eleições programadas para 4 de outubro do ano que vem, o desafio do eleitor paranaense será distinguir entre fato e manipulação em meio à enxurrada de conteúdos digitais. Um exemplo recente é a circulação de posts que distorcem falas de pré-candidatos ou atribuem a eles projetos inexistentes, criando ruído e confundindo o público. Para enfrentar situações assim, iniciativas do TRE-PR e de entidades acadêmicas têm reforçado campanhas de educação midiática. Na dúvida, não compartilhe. 

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