sáb 23 out 2021
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Comunidade LGBT enfrenta preconceito no mercado de trabalho

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47% dos entrevistados pela Santo Caos assume a orientação sexual no trabalho (Foto: Divulgação)

 A consultoria de engajamento Santo Caos divulgou o estudo “Demitindo Preconceitos”, que traz dados e informações sobre a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) no mercado de trabalho. As pesquisas, realizadas com 230 profissionais de todo o Brasil, apontam que a diversidade sexual ainda causa discriminação e estranhamento em diversos segmentos do mercado.

O levantamento mostra que 40% dos entrevistados já sofreu preconceito no emprego devido à orientação sexual e que 61% tem medo de não ser aceito em vagas por questões que envolvem a sexualidade. É o caso da transexual Daniella Freires, que não foi aceita no mercado de trabalho. Freires conta que foi privada dos estudos por ser motivo de piada entre colegas e professores.

“Não posso pular essa etapa e falar de emprego, se não pude ter acesso ao estudo. E mesmo que eu tivesse dez diplomas, eles não me aceitariam porque eu sou trans. A sociedade não me deixa estudar e não me deixa trabalhar”, afirma Freires.  Nesse caso, a única alternativa para ela, e para outras trans, é a prostituição. “Eu vendo meu corpo pra não vender droga. Porque eu não tenho alternativa. Para sociedade eu sempre serei uma escória”, diz.

Outra razão que dificulta a entrada de trans no mercado de trabalho é o nome social. Como não existe uma legislação adequada à população LGBT, muitas empresas acabam adotando o nome de batismo das funcionárias, mesmo contra a sua vontade. Foi o que aconteceu com Freires, que trabalhou por um ano e quatro meses como call center em uma empresa telefônica. Ela queria a mudança do nome apenas no crachá, mas isso nunca aconteceu. “É vexatório. Você chega a um lugar como mulher e todos começam a te chamar como homem, mesmo que você diga que prefere o outro nome. Não há respeito”, lamenta a trans.

Criminalização

O Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006, que prevê criminalizar preconceitos motivados pela orientação sexual e identidade de gênero, ainda não foi aceito pelo Senado Federal. Entretanto, discriminar no ambiente de trabalho, independente da motivação, pode gerar indenização devido às leis trabalhistas.

O advogado Fábio Augusto de Souza recomenda que a vítima procure meios judiciais para se defender em caso de preconceito. Embora a lei contra homofobia não tenha sido aprovada, em caso de agressão física ou danos morais, outras leis a encobertam. “O fato de uma pessoa apanhar por ser homossexual não vai retirar do âmbito do poder judicial a análise da questão. Eles se antecipam, tanto na área cível quanto na trabalhista, para julgar os casos como crime”, afirma o advogado.

Papel da mídia

Hoje, 17.9 milhões de brasileiros são homossexuais e a visibilidade LGBT entrou em pauta – desde novelas globais até embates políticos. Para o sócio de uma empresa de mídias sociais, Rodrigo Neves, o papel da mídia é fundamental para vencer o preconceito. “A mídia tem que combater isso de forma focada. Ninguém deve sofrer por ser diferente”, afirma.

Além disso, a empresa dele aceita a orientação sexual dos funcionários. “Não interefere no ambiente da empresa nem no processo de seleção pras vagas. É natural”, diz o empresário.

Atitudes como essa estimulam a esperança de Daniella Freires.  “O meu sonho era nascer numa época que fosse diferente. Um futuro em que eu chegasse e os meus direitos já fossem garantidos. Que eu pudesse ter uma adolescência normal e respeitada. Uma vida adulta digna. E saber qual é meu propósito na Terra, porque nós estamos sendo exterminadas e ninguém está fazendo nada”, conclui a transexual.

 

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