qui 21 out 2021
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“Corrente Fria, Corrente Quente” marca presença no Festival

Fernanda Fuchs em “Corrente Fria, Corrente Quente”. Proximidade e interação com o público.
Foto: divulgação

É quase sentindo o cheiro de peixe fresco e da maré abaixando que o público assiste a “Corrente Fria, Corrente Quente”. A peça é da atriz e dramaturga Fernanda Fuchs, com direção do irmão, Franco Fuchs, e do ator-pesquisador e diretor teatral Hermison Nogueira.

O monólogo, premiado no 1º Concurso de Contos Bunkyo após pré-estréia no Festival de Cultura Japonesa Seto Matsuri, foi apresentado na Casa Hoffmann e faz parte da série de espetáculos da mostra Fringe. A história se passa em Okinawa (província no sul do Japão) e narra a vida de uma menina japonesa à espera do retorno  do pai, pescador. “A peça coloca o público nessa espera, como se todos estivessem aguardando, juntos, o pai.” diz Fernanda.

Inspirada nas correntes marítimas Oyashio (fria) e Kuroshio (quente) e na cultura japonesa, Fernanda conta que o texto foi resultado de uma série de pesquisas e trabalhos de prática teatral junto ao professor Hermison Nogueira. “Entrei no site do consulado (japonês), pesquisei sobre a geografia, tipo de pesca, cultura. Mas um dia eu sentei e a história veio. Escrevi de uma vez só”, afirma a dramaturga.  Ela comenta ainda a sensação de encenar o próprio texto: “Eu tenho que preservá-lo. Fico um pouco refém. Mas é um desafio que me deixa bem feliz”.

Literalmente próxima ao público, a personagem passa a angústia da espera  pelo pai, que “passava poucos dias com a família e sete dias com o mar”. Um dia, após uma semana de tempestade, ele não volta mais  da pesca em alto-mar, e deixa a incerteza  do retorno. “Ela conta uma história e cria esse universo para aliviar a dor da perda. Isso é uma função da arte. É uma forma de vingança, de superação” explica o diretor  Franco Fuchs que ressalta a maturidade do texto da atriz ao descrever, sob os olhos infantis de uma criança, o trauma da perda. O diretor Hermison Nogueira completa: “É o buraco, o vazio que se cria pela ausência de algo tão sólido que é o pai”.

A peça é uma mistura da fala da garota com movimentos de cena e interação com o público, que participa  com a personagem, inclusive cantando. “É muito interessante a ligação do corpo e do movimento com o texto”, drescreve  a espectadora Cristina Benedita, profissional de Dança e Teatro que veio de Portugal para prestigiar o Festival. “A atriz tem uma grande presença. É interessante o ritmo que ela consegue articular” conclui. Fernanda afirma que prefere trabalhar assim. “Eu não posso ignorar o público. Eu gosto de estar perto do público, olhar no olho, sentar perto. Pedir ajuda, dizer saúde”, explica.

Drama bem-humorado

Apesar de ser classificada como “drama”, a peça abre espaço para o humor. “O texto é forte, complexo, como os bons textos. Ao mesmo tempo que tem coisas engraçadas, tem coisas tristes. A preocupação é de não forçar o riso. É sério, mas é permitido rir” diz Franco. Com duração de 30 minutos, a apresentação tem seu próprio compasso. “Não é um trabalho acelerado, ele tem seus próprios tempos” afima Hermison.

“Corrente Fria, Corrente Quente” veio para deixar uma marca no Festival. A novidade da cultura japonesa numa peça de teatro foi muito bem recebida pelo público que esteve presente na Casa Hoffmann nos dias 29 e 30 de março. Aplausos não faltaram. Os diretores pretendem, ainda, levar a peça para apresentação em espaços alternativos, como a Praça do Japão e o Porto de Paranaguá.

 

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