dom 17 out 2021
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Crítica: O Santo e a Porca meio nordestino, meio curitibano

No primeiro fim de semana do Festival de Teatro de Curitiba, os sergipanos do Grupo Oxente de Teatro fazem suas apresentações no Teatro da Caixa Cultural. O Santo e a Porca é uma adaptação da obra de Ariano Suassuna. Edmilson Suassuna – cujo avô era primo do próprio dramaturgo – é o diretor e ator da peça. O grupo, que existe há oito anos e se dedica apenas às obras de Suassuna, possui todos os direitos sobre os textos do autor.

“O Santo e a Porca” coloca em contraponto a religião e a ganância através dos objetos que dão nome à peça. A montagem conta a história de Euricão Árabe, que ao lado da imagem de seu santo de devoção, Santo Antônio, guardava o seu objeto mais precioso: a porca dentro da qual guardava suas economias. A trama mostra os atropelos pelos quais Euricão passou, parte pelo seu pavor de perder o dinheiro, parte pelas confusões armadas por Caroba, sua governanta. O caráter regionalista da peça permite observar os costumes do povo nordestino e sua ideologia.

Os atores, que entraram no teatro pelo meio da platéia, com malas, como se tivessem acabado de chegar, são quem fazem os ajustes finais no cenário simples, de apenas um ambiente. As apresentações são mantidas através de patrocí­nios e, nos bastidores, contam com o trabalho voluntário de amigos e familiares. Um exemplo é a avó do diretor, costureira, que ajuda como figurinista.

Embora sem alterar o sentido original, a obra sofreu algumas modificações. As mudanças se deram nas piadas – o grupo buscou uma conotação sexual maior nas anedotas – o que arrancou muitas risadas do público. O limite de tempo fez necessário também alguns cortes – porém o próprio Suassuna, que não permite cortes em suas obras, aprovou a adaptação. Outra mudança, especial para o Festival, foram as que incluí­am a cidade de Curitiba. Bairros como Campo Comprido, Capão Raso, a cidade de Colombo e até o ligeirinho foram citados. O detalhe aproximou os atores do público provocando uma familiaridade maior.

Com muita simpatia e a tí­pica animação nordestina, foram oitenta minutos de riso e música. Os atores também cantam e foi dançando que começaram e terminaram a apresentação. Pessoas de todas as idades foram cativadas pela animação do elenco – que, por vezes, também caiu na risada junto com o público. A simplicidade e graça da companhia de teatro foram admiráveis. Ao fim da apresentação agradeceram à equipe técnica e à amiga que lhes hospedou. E ao saí­rem (da mesma forma que entraram, pelo meio da platéia), esperaram e cumprimentaram a todos que os prestigiaram.

Ficha Técnica
ARACAJU – Sergipe
Com Andre Luí­s de Jesus Santana, Edmilson Suassuna da Silva, Heitor Gomes de Andrade, Marcio Aislan dos Santos, Maria Yára Vieira da Cunha, Rosana da Costa Vieira, Rosemary Mendonça Ribeiro.
Grupo Oxente de Teatro

Serviço
Datas: 18/03 – 18:00, 19/03 – 21:00, 20/03 – 15:00, 21/03 – 21:00
Gênero: Comédia
Preços: R$ 20,00 e R$ 10,00
Local: Teatro da Caixa Cultural – Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Centro
Duração: 80′

A peça nordestina incluiu elementos curitibanos especialmente para o Festival
Elisa Barbieri

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