seg 18 out 2021
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Curitiba é referência brasileira em produção de cerveja artesanal

Bicas de chopp no bar e cervejaria Hop’n Roll. Foto: Maíra Roesler

A cerveja artesanal vem ganhando o gosto do público brasileiro, principalmente dos curitibanos. Com o lema “Beba menos, beba melhor”, o status de bebida marginalizada perde lugar para a apreciação das chamadas cervejas refinadas. Com o intuito de reunir apaixonados pelo tema e difundir a cultura cervejeira pelo país, acontece nos dias 30 de maio a 1º de junho a oitava edição do Encontro Nacional das Associações de Cervejeiros Artesanais (ACervAs).

O evento acontece pela primeira vez no Paraná e conta com palestras e workshops sobre produção de cervejas e gastronomia, além de visitas a cervejarias e estabelecimentos especializados em Curitiba. O encontro também promove o VIII Concurso Nacional das ACervAs, que premiará os melhores, entre 400 inscritos, para 5 estilos de cervejas. Curitiba tem hoje oito micro cervejarias e o Paraná é o estado que mais se destaca na produção de cerveja artesanal, sendo recordista nacional no número de medalhas em concursos do gênero.

Paixão feita em casa

O amor pela produção de cerveja também pode ser cultivado – ou fermentado – em casa. O Homebrewing é um conceito de produção caseira de bebidas para o consumo próprio, que vem ganhando adeptos no país. O curitibano Luiz César Zago Filho é estudante de Engenharia da Mobilidade, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ele descobriu, em uma aula sobre combustíveis, a paixão pela produção de cerveja artesanal.

Luiz César faz cerveja em casa há mais de dois anos e tem na Internet sua maior fonte de receitas e dicas. O estudante afirma que este é um hobby caro no Brasil, onde tanto os equipamentos (panelas especiais que facilitam o processo), quanto os ingredientes, custam muito. “A AGRARIA [cooperativa que comercializa produtos agroindustriais] é a única empresa que fornece o malte, o que acaba tornando o preço muito alto”, explica Zago.

Colocar à venda a cerveja produzida em casa não é um dos planos do estudante. Além do processo de regulamentação no Ministério da Agricultura ser difícil, ele afirma que quem quer se aprofundar na atividade precisa se dedicar em tempo integral à leitura, em grande parte formada por literatura estrangeira, além de enfrentar os altos impostos sobre a produção nacional. “O legal é a socialização entre produtores e a crescente paixão pela cultura do artesanal”, comenta.

Mas ele lamenta a atitude dos novos consumidores de cervejas especiais. “Quem quer consumir em larga escala, para se embebedar, escolhe na prateleira as opções mais baratas. Já quem está iniciando nas cervejas especiais acha que as mais caras são as melhores, o que nem sempre é verdade”, finaliza.

Do Homebrewing às prateleiras do mercado

Alessandro Oliveira quis ir mais longe e transformou o hobby praticado em casa em negócio. Alessandro é sócio proprietário e mestre cervejeiro da Way Beer, micro cervejaria artesanal que fica em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. A Way Beer produz 32 produtos diferentes que são comercializados nas regiões Sul e Sudeste do país. “Estamos sempre testando diferentes cervejas, essa é a parte mais legal para mim”, comenta Oliveira. O produtor acredita que o momento atual é de união do setor. A própria Way Beer possui parcerias com outras cervejarias nacionais e internacionais.

Apesar de acreditar que Curitiba possui o maior mercado consumidor de cervejas artesanais do país, o mestre cervejeiro ainda considera o nicho pequeno. “O bacana da cerveja artesanal é que seu preço não é impeditivo para o consumo, como a maioria dos produtos sofisticados”. Quanto ao público, o empresário diz que o perfil é variado. “O que eles têm em comum é o interesse por algo mais refinado ou de melhor qualidade”, finaliza.

Compartilhando cultura e conhecimento

Com a ideia de valorizar a cultura cervejeira, a Bodebrown foi pioneira e inaugurou em 2009, na cidade de Curitiba, a primeira cervejaria-escola do Brasil. São mais de 15 cursos por ano, que vão desde produção caseira até harmonização de cervejas com variados pratos.

A cervejaria Bodebrown é uma das mais reconhecidas da América Latina e foi eleita em março como a Cervejaria do Ano, pelo Festival Nacional da Cerveja, em Blumenau. “Sem dúvida, a cervejaria-escola formou muitos cervejeiros que hoje estão brilhando em concursos por todo o país e mesmo internacionalmente”, revela Samuel Cavalcanti, cervejeiro e sócio da Bodebrown.

Cavalcanti diz ser de grande importância compartilhar conhecimentos sobre cultura cervejeira em um mercado em franco crescimento e com bases sólidas como o de Curitiba. Além da cervejaria-escola, na qual são disponibilizados cerca de 200 títulos de literatura sobre cerveja, a cervejaria abriga uma loja que vende a matéria-prima e equipamentos especializados.

Moagem do malte na micro cervejaria do bar Hop’n Roll. Foto: Maíra Roesler

Reunindo os cervejeiros

ACervA é o nome que se dá às associações de cervejeiros artesanais do Brasil. A ACervA do Paraná nasceu na necessidade de união dos cervejeiros, não só pela troca de conhecimento e compra conjunta de insumos, mas também no desenvolvimento de know-how. No Paraná são 200 associados, além de convênios com bares.

Anuar Tarabai, presidente da ACervA-PR, conta que a associação presta serviços de consultoria, degustação de cervejas, além de promover encontros como o do próximo dia 30 de maio. O presidente vê o Paraná como um Estado arrojado, que garante na sua produção de cerveja artesanal dinamismo e variedade de opções. “Diferente de Santa Catarina, por exemplo, que se especializa majoritariamente na escola germânica, o Paraná traz para sua produção, além da germânica, a escola belga, estadunidense e inglesa, diversidade que satisfaz o exigente público curitibano, além de tornar o estado referência nacional”, comenta Tarabai.

A associação é feita pelo site da ACervA, mediante o pagamento de uma taxa anual de filiação.

Divirta-se, deguste e leve para casa

O Hop’n Roll é um bar pra quem gosta de degustar novos sabores. Nos moldes de pub londrino, com influência de bares da Austrália e dos Estados Unidos, o lugar nasceu da união de quatro irmãos. Fábio, Luís, Denis e Michel Galvão uniram o espírito empreendedor com a paixão por produzir cerveja em casa, e em dezembro de 2011, inauguraram o negócio. O ambiente Rock’n’Roll oferece 12 tipos de cervejas fixas, sendo metade de rótulos de cervejarias locais.

Michel Galvão conta que o preço não afasta o público, que varia dos 19 aos 60 anos de idade. “Quem frequenta o bar vem pra se reunir com os amigos e realmente degustar as cervejas. Esse é o conceito. O bom é que não preciso lidar com bêbados brigando ou mexendo com a mulher dos outros”, brinca.

Nos fundos do bar funciona uma micro cervejaria, onde o cliente pode fabricar sua própria cerveja,  de acordo com sua receita e com ingrediente especiais , tudo isso auxiliado por um mestre cervejeiro . Depois de três semanas (tempo que necessita para que os processos de fermentação, maturação e carbonação sejam concluídos), o cliente pode levar a cerveja pronta para apreciar em casa.

Por onde começar

As cervejas especiais têm duas principais famílias: Ale e Lager.

Ale: cervejas de alta fermentação em temperaturas mais altas, o que permite destacar as características mais complexas. Podem ser doces, amargas, claras ou escuras e são mais encorpadas.

Lager: cervejas de baixa fermentação em temperaturas frias, são conhecidas por serem mais leves. Têm teor alcoólico entre 4 e 5% e a variação mais famosa é a Pilsen. 

Decoração no Hop’n Roll. A cerveja Colorado, de Ribeirão Preto (SP)
é uma das 12 variedades servidas no local. Foto: Maíra Roesler

Serviço:

  • Way Beer

    Enjoy Your Way


    Rua Pérola, 331 – Pinhais – PR
    (41) 3653-8853

  • Bodebrown
    http://www.bodebrown.com.br/
    Rua Carlos de Laet, 1015 – Hauer – Curitiba – PR
    (41) 3082-6354
  • ACervA-PR
    http://www.acervapr.com.br/
  • Hop’n Roll
    http://www.hopnroll.com.br/
    Rua Mateus Leme, 950 – Centro Cívico – Curitiba – PR
    (41) 3408-4486
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