qui 21 out 2021
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Debate sobre cinema de gênero abre as mesas redondas do Olhar de Cinema

Nessa última sexta-feira, 30 de maio, foi realizada a Mesa redonda sobre “Cinema de Gênero no Brasil”, no III Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. O evento realizado na Livraria Saraiva do shopping Crystal contou com a presença de três nomes de peso no assunto. Um deles é Paulo Biscaia Filho, professor, diretor, roteirista e vencedor de 8 prêmios Gralha Azul por montagens como Morgue Story e Graphic. Outro renomado que se encontrava na Mesa era André Gatti, pesquisador cinematográfico, professor universitário e mestre. E quem atuou como mediadora na conversa foi Ilana Feldman, doutora em Cinema pela ECA/USP. O evento contou com cerca de 30 pessoas, a maioria fazendo cobertura jornalística.

 Primeira rodada: Colocando os pingos nos “is”

Mesa participante da esquerda para a direita: Paulo Biscaia Filho, Ilana Feldman, André Gatti
(Foto: Divulgação)

Já no começo da conversa, Paulo Biscaia explicou a confusão que existe quando se fala em Cinema de Gênero. Equívoco que não é presente quando mudamos para a língua inglesa. No entanto, a palavra “gênero” carrega dois significados no nosso idioma: gênero, como “gender” em inglês, que seria o debate envolvendo as questões de Identidade de Gênero ( masculino e feminino), e gênero como “genre” em inglês, como a classificação, taxonomia.

Após a breve explicação, Paulo falou sobre o Cinema de Gênero em duas temáticas específicas: horror com comédia e a fantasia. Ele citou o cineasta Ivan Cardoso que atribuiu a vinda do Terrir – humor e terror – ao Brasil, “é a brasilidade carnavalesca no horror”.  Biscaia comentou ainda sobre os filmes B, que  são as produções secundárias do ano. Geralmente os filmes A das grandes produtoras hollywoodianas estreiam no verão norte-americano, e com as sobras de produção são feitos os filme B, dos quais nasceram os filmes de Gênero. Há um célebre caso: o filme “A Pequena Loja de Horrores” foi realizado por Frank Oz em dois dias e meio, segundo o diretor. Paulo confessou que ele não faz filmes de horror, ele conta histórias que por acaso são de horror.

Quando André começou a falar na Mesa, o debate passou a girar em torno da área de comércio e bilheteria. Gatti trouxe para a conversa dados sobre as 80 maiores bilheterias do cinema brasileiro, entre os anos de 1971 e 2013. “Não é surpreendente que a comédia fica em primeiro lugar na quantidade, quando classificada por gênero, é tradição do nosso cinema”, afirma André. O professor fez também um rápido percurso sobre a história do cinema brasileiro, o domínio da Chanchada por 25 anos, o breve hiato com o ciclo do cangaço, e a vinda, na década de 60, do “pornochanchada” – comédia com pitadas de erotismo. O advento dos cinemas em São Paulo na boca de lixo estratificou os gêneros clássicos no Brasil. André lembra que 2013 foi o ano com mais filmes nacionais chagando às salas de exibição, número que ficou em torno de 120.

A mediadora da mesa, Ilana, trouxe à conversa o gênero do documentário e os erros de index produzidos. Na discussão, ela debateu sobre a disputa por território, desemprego e problemas com o trabalho. Ilana indexa os filmes Super Nada, O Som ao Redor, Trabalhar Cansa e Corpo Presente, no gênero da vingança e do medo. Ela ainda comentou o melodrama do filme O Que se Move de Caetano Gotardo.[C1]

Segunda rodada: Brincadeiras e muita ironia

Na segunda rodada do debate, Paulo focou no Cinema de Gênero em Curitiba. Para ele, “uma das cidades mais bizarras do Brasil”, a ausência de uma identidade curitibana é a própria identidade. Biscaia ainda brincou com a frase “Porto Alegre é o enterro do cinema brasileiro, mas o velório acontece em Curitiba”. Os curitibanos não conseguem se identificar, relata o diretor. Na tentativa de encontrar uma desculpa, Paulo pondera: “Talvez seja o frio que impeça de ir ao cinema”. Ele ainda brincou com o novo evento curitibano que atrai mais de 20 mil participantes, a Zombie Walk, em pleno domingo de Carnaval.

Voltando ao meio nacional ele tomou como exemplo o próprio filme “Nervo Craniano Zero”: 12 prêmios internacionais, no entanto nenhum reconhecimento nacional. No final ele questionou: “Tua obra se comunica com quem?”.

Já André rebateu que a parte fácil é fazer o filme. Ele relatou que não adianta mais dominar apenas os meios de produção, precisam-se também dos de distribuição e exibição. Ele até fez piada com a barreira para maior criatividade coma a chamada “escola da perfeição Vera Cruz”.

Os nervos se afloram no debate

Quando a Mesa abriu para perguntas, de cara iniciaram o debate com os filmes para puro entretenimento, os chamados “Globochanchadas”. Ilana defendeu que os filmes de Gênero são muito discutidos, porém pouco vistos. A análise de sintoma e penetração cultural possibilitam maior distribuição e alcance da Globo Filmes. Ao final do debate houve uma rápida passagem para a temática dos downloads, pirataria e digitalização e como eles influenciam na discussão. Ilana para finalizar fez referência ao filme “E Aí… Comeu?”, que mesmo por ser uma produção Globo Filmes, conseguiu ter pretensões comerciais, além do entretenimento puro, pretensões sociológicas.

É com muito pesar que a sala da Saraiva estava cheia, de jornalistas, fotógrafos, estudantes da área da comunicação. Foi baixo o número de pessoas que foram por simples e espontânea vontade. Ao menos a Mesa de Cinema de Gênero será bem divulgada.

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