seg 18 out 2021
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Duas rodas na estrada com destino à liberdade

Imagens do filme Easy Rider, ícone máximo da motocicleta como símbolo de liberdade.
Foto: Reprodução

Viajar de moto invoca um espírito livre e sem fronteiras. Esse sentimento de não pertencer ao mundo enquanto se está sozinho sobre duas rodas em uma estrada parece superar qualquer desvantagem que a moto possa ter em relação a um veículo de quatro rodas. Esquecer-se do mundo, não pertencer ao momento e se livrar do “tempo” nos remete à contracultura dos anos 1960. O filme Easy Rider (“Sem Destino”, no Brasil) de 1969, por exemplo, é um dos grandes ícones da contracultura e do flower power hippie. O filme relata a busca de uma dupla de amigos pelo american dream e pela liberdade, e gira em torno do real significado do sonho americano. Estrelado por Dennis Hopper e Peter Fonda, consagra a motocicleta como símbolo de liberdade e mostra, além da ideologia, cenários e situações que fazem parte do imaginário de muitos motociclistas. Em meio a tempos de revolução e Woodstock, o longa suscitou uma vontade em milhões de jovens no mundo inteiro: ser livre e sem destino em cima de uma Harley-Davidson customizada.

 

Paixão descoberta

Não foi em busca de aventura que o redator Maurício Marques Tadra comprou sua primeira motocicleta. A princípio, sua intenção era ter um meio de locomoção para dentro da cidade e chegar, no máximo, até o litoral do Paraná. Mas um convite para percorrer a estrada de Irati até Imbituva – rota que totaliza, aproximadamente, 300 km – mudou sua relação com as motos. A viagem, feita junto a cerca de 30 motociclistas, despertou o prazer pela nova atividade. “O resultado desse passeio foi tão surpreendentemente agradável, que desde então eu não consigo mais viver longe das estradas”, afirma Maurício. Seus planos atuais não pretendem grandes distâncias, mas aproveitar a companhia de amigos em passeios de final de semana. “Talvez uma breve ida até o Rio Grande do Sul ou até mesmo um pouco mais acima — chegando até o Rio de Janeiro — sejam meus próximos planos de viajar”, conta. Ele lembra ainda que a Rota 66 nos Estados Unidos é a grande viagem dos sonhos de todo motociclista, mas que este é programa para daqui um bom tempo.

Maurício e sua moto em um de seus passeios.
Foto: Acervo Pessoal

 

Dois sobre duas rodas

Amanda Ceccon e Pedro Manika são unidos na paixão pela estrada. Armados de capacete, luvas e jaqueta de couro – itens essenciais para qualquer passeio –, o casal guia pelas rotas do sul do Brasil. Com Pedro no controle da moto, os dois já passaram por alguns apertos memoráveis. O mais marcante foi quando, sozinhos em um caminho deserto feito de chão de pedras na Serra do Rio do Rastro (sul de Santa Catarina), uma cobra cascavel os surpreendeu no meio da estrada. Sem ninguém para chamar por ajuda, o susto só passou quando Pedro conseguiu acelerar e passar pela cobra, já muito próxima e prestes a dar o bote. “Foi um susto muito grande, mas por sorte saímos ilesos”, conta o jovem.

Para ajudar na comunicação do casal, Pedro, que é estudante de engenharia eletrotécnica, construiu um dispositivo que liga o microfone de um capacete ao fone de ouvido do outro. Segundo ele, isso torna as viagens mais seguras e agradáveis. A viagem dos sonhos? Os “Caracoles” chilenos, estrada composta de curvas numerosas e bastante cerradas.

Os Caracoles Chilenos, viagem dos sonhos do casal Pedro e Amanda. Foto: Reprodução

 

Reunindo os apaixonados

À procura de um local apropriado para reunir os cada vez mais numerosos amantes de motocicletas de Curitiba, João do Espetinho e Kao Biachini conseguiram em 2005, junto à Federação Paranaense de Futebol, o espaço do estacionamento do estádio do Pinheirão. O grupo Curitiba Moto Point funciona desde 1999 e reúne cerca de mil pessoas todas as noites de sexta-feira. Eduardo Lima é membro da organização do grupo e cultiva a paixão por motos desde criança, influenciado pelos pais. E é nesse clima que os eventos acontecem. São muitas famílias que comparecem para prestigiar e trocar experiências do mundo das motos. “O clima é totalmente familiar, desde netos até avós se reúnem num ambiente organizado e sem bagunça. Não permitimos barulho de moto ou qualquer atividade prejudicial”, conta Eduardo. As reuniões não têm fins lucrativos, mas pequenos comerciantes de alimentos e de itens para motociclistas podem participar.

Um dos eventos do Curitiba Moto Point no Pinheirão. Foto: Reprodução/Facebook.

 

Serviço

Curitiba Moto Point

Toda sexta-feira, a partir das 19h, no estacionamento do estádio Pinheirão.

Av. Victor Ferreira do Amaral, 2300. Tarumã – Curitiba.

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