ter 19 out 2021
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E se o iPhone fosse seu único amigo no mundo?

Quando o musical Minha Bela Dama – My Fair Lady, para os íntimos – foi lançado em 1964, a história do cinema mudou de rumo. Audrey Hepburn interpreta, nesse filme, uma florista humilde que tem sua vida transformada após aulas de fonética com um intelectual. A história de Eliza Doolittle cativa até hoje por ser um clássico da comparação “antes e depois”. Foi baseada nela que a nova série Selfie, da Warner Bros, foi criada.

Com xxx e xxx no elenco, Selfie alcançou a marca de mais de 5 milhões de espectadores no episódio piloto (Foto: Reprodução Warner Bros)
Com David Harewood e Karen Gillan no elenco, Selfie alcançou a marca de mais de 5 milhões de espectadores no episódio piloto
(Foto: Reprodução Warner Bros)

Eliza Dooley, interpretada por Karen Gillan, é uma nova versão da Doolittle: viciada em redes sociais, ela tem milhares de seguidores e amigos virtuais, e as fotos que tira de si mesma têm grande repercussão. No entanto, sua habilidade de lidar com pessoas não passa da tela do seu celular, e é quando ela percebe que não tem nenhum amigo na vida real que pede a Henry Higgs (John Cho), um especialista de marketing da sua empresa, para lhe ajudar a mudar sua imagem.

A série estreou dia 8 de outubro no Brasil e foi produzida por Emily Kapnek, que rodou também a série Suburgatory. Nos Estados Unidos, ela foi lançada de forma inusitada: o perfil oficial de Selfie no Twitter postou o link com o episódio piloto antes da sua estreia geral.

O choque entre as gerações Y e baby boomers é um dos aspectos mais divertidos do roteiro. Enquanto Eliza é proibida de levar seu celular para um casamento e aprende a perguntar para as pessoas como elas vão, Henry se vê pela primeira vez viciado no Facebook – e tendo que com lidar com as pequenas situações constrangedoras da vida online, como se marcar sem querer na foto da sua ex-namorada amamentando. Os três episódios lançados até agora são recheados dessas pequenas pérolas com as quais os seus espectadores certamente acabam se identificando.

Outra característica marcante é a falta de tato de Eliza, que chega a ser cômica. E é nesse ponto em que a série é tão bem-sucedida: embora seja uma comédia, ela critica esse comportamento que cada vez mais marca as novas gerações – cabeças baixas, polegares rápidos, falta de atenção e de concentração e deterioração das relações humanas.

A dúvida que fica é se a série vai conseguir se manter. Por lidar com características tradicionais da vida do usuário de internet, é muito fácil cair na repetição – da mesma forma como já se esgotaram as pautas de televisão sobre selfies. Ou o roteiro se desenvolve rápido e dá origem a um novo conflito ou terá que se enrolar para mostrar até onde vai a mudança de Eliza. E, como ela trata de um momento e de um comportamento muito pontual, é muito fácil ficar logo ultrapassada: os iPhones não serão mais do último modelo, o mural do Facebook vai causar estranhamento e as hashtags citadas não serão mais atuais. Porém, mais do que um problema, isso pode ser interpretado como um reflexo do que a própria série propõe e que, por mais clichê que seja, vale ser relembrado: viver um momento de cada vez.

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