ter 19 out 2021
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Ensino a “Deus-dará”

Condições precárias fazem parte da realidade dos educadores brasileiros.
Foto: Reprodução

O Brasil é um dos países que menos valoriza a educação e o educador, se não o pior, e o que mais deixa a desejar diante do poder aquisitivo que possui para investimentos na área. Países com menos recursos, como Cuba, possuem um índice altíssimo de escolaridade. No Japão, por exemplo, a educação e a formação são a base para o progresso e desenvolvimento da nação, mais do que isso, o professor do maternal à graduação, é tido como mestre.

Os impostos mais caros do mundo são recolhidos pelo Brasil, mas reverter uma parte desse dinheiro para a educação é sempre algo muito burocrático. Propostas como a MP dos royalties do petróleo, que pretende destinar integralmente à educação os recursos obtidos pelo governo com a extração de petróleo no pré-sal, são facilmente vetadas devido a interesses econômicos.

No início do mês passado, um projeto de lei de iniciativa do governo, que previa a eliminação da obrigatoriedade de pós-graduação em concursos das universidades federais, recebeu uma medida provisória que incluía a não exigência de mestrado ou doutorado nos concursos para professores federais. Em nota, o Ministério da Educação divulgou que o que ocorreu foi um erro e não tinha intenção de excluir o mestrado como título necessário para lecionar no ensino superior. Erro ou não, o fato é que a rapidez e a não apuração do texto apresentado mostram o descaso e o não estudo do assunto.

Tirar o direito de escolha ou simplesmente barrar a exigência de doutorados para concursos de docentes nas universidades federais é assumir a falta de  comprometimento com a competência e a excelência.

Profissionais estão cada vez mais desestimulados pela desvalorização da educação.
Foto: Arquivo da revista Veja

Sabe-se que a graduação é deficitária, que se o aluno não buscar por especializações será apenas um formando com diploma. Por vezes, essa deficiência é causada por professores despreparados, que não têm sequer um planejamento de ensino. É claro, toda generalização é burra, e toda regra tem sua exceção. Assim como existem ótimos professores graduados e engajados na pesquisa científica, há professores com grandes títulos que acreditam que já adquiriram todo conhecimento possível e esquecem que sua missão é disseminar o saber. Só que não se pode nivelar por baixo. Sem cobrar especialização do formador não tem como cobrar a existência de um profissional bem preparado para o mercado.

Não se trata, aqui, de discutir a política de cotas, mas é fato que se o nosso sistema fosse eficiente não precisaríamos de tais mecanismos para garantir o acesso à educação superior. Obviamente não há vagas para todos nas universidades, mas ao menos as oportunidades de acesso seriam mais iguais.

Enquanto a política do imediatismo, do tapar aqui esconder ali, vigorar no Brasil é difícil vislumbrar uma mudança significativa, muito menos alcançar o sonho de um país justo que proporcione a seus habitantes os direitos básicos à vida previstos na Constituição.

 

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