dom 24 out 2021
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Entre sonho e realidade

A terceira peça da Trilogia dos Sonhos ganhou características góticas para representar o fantástico universo dos pesadelos
(Foto: Luiza Guimarães)

Em um cenário composto por espelhos, passagens secretas e uma banda de rock, um homem se vê preso no pior pesadelo, cercado por criaturas fantásticas. Sob a ameaça de ser degolado por uma Cabeça, tudo o que restou de uma mulher que lhe é vagamente familiar, ele é obrigado a rever todos os erros do passado.

Essa é a história de Pesadelo, último episódio da Trilogia dos Sonhos e quarto espetáculo da companhia carioca Sala Escura de Teatro. A apresentação teve estreia nacional em 5 de abril, penúltimo dia do Festival de Teatro de Curitiba.

A peça, dirigida por Iuri Kruschewsky, é uma reflexão cheia de metáforas sobre as pessoas que passam a vida estudando, planejando, usando apenas a cabeça, mas que não são capazes de tornar os planos realidades. A ideia surgiu das experiências pessoais dos próprios integrantes do grupo.

Bruno Quaresma, ator que protagoniza a peça, e Mariana Pastori, uma das coadjuvantes, afirmam que a companhia foi fundada a partir do princípio de fazer acontecer, sem depender de editais ou patrocínios para executar projetos. “A gente conhece tantos amigos nossos lá no Rio que ficam só escrevendo e dependendo de editais. E daí o Iuri fez o texto inicial, que é o monólogo da Cabeça, falando justamente sobre isso, sobre as pessoas que só estudam e não partem para a ação”, conta Bruno.

O diálogo entre os atores é bem pensado e construído com referências à Lewis Caroll,  autor de Alice no País das Maravilhas. O enredo é cheio de palavras-chave que têm os significados desvendados ao longo da peça e que ajudam a manter a atmosfera da dúvida: “Será que não é tudo um sonho?”

Elementos sonoros e visuais

 

Durante o espetáculo, até um show de rock ganhou dimensões no palco do Teatro Bom Jesus
(Foto: Luiza Guimarães)

 

A música é um elemento crucial para a peça. Ela reflete o clima em que o expectador é colocado. No segundo espetáculo da trilogia, a música é suave, no estilo comédia-romântica. “Pesadelo já é mais rock n’ roll”, afirma o diretor Iuri Kruschewsky. Tão verdadeira é essa informação que os expectadores acomodados nas quatro primeiras fileiras do teatro foram convidados a tomar lugares mais atrás, para que a acústica não lhes fosse prejudicial.

Perfeitamente sincronizada com a música havia a iluminação. Inspirada no estudo das sombras do físico Young, a peça teve todo o jogo de luz pensado em como se formariam as sombras. O uso da sombra foi muito explorado durante o espetáculo, não só fisicamente mas metaforicamente também. Um dos maiores dilemas do protagonista é enfrentar seu lado sombrio. “Ninguém é muito bonzinho ou muito malvado, a gente tem que entender que todo mundo tem um motivo que pode levar a esse lado mau”, explica Mariana Pastori.

Além da explicita crítica àqueles que passam uma vida sem executar seus planos, Pesadelo exibe diversos outros pontos polêmicos que vão da exibição do nu até a piada com pessoas que não saem do celular. Ainda assim, a recepção do público foi boa e os atores estão otimistas quanto ao futuro da peça: “Tudo foi muito pensado, muito detalhado, então eu acho que foi bom, com tudo o que a gente mostrou”.

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