qui 21 out 2021
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Escrever a quatro mãos: gêmeas curitibanas seguem juntas o sonho da literatura

Apaixonadas por livros e principalmente pela escrita, as gêmeas curitibanas Mônica e Monique Sperandio começaram a sua trajetória no mundo da literatura aos 14 anos. Dentre diversos autores e inspirações, elas contam um pouco como é escrever a quatro mãos e sobre o seu romance de maior sucesso Sete Vidas. Para as gêmeas, hoje com 20 anos de idade e estudantes de Letras, esse sentimento compartilhado desde a infância começou a tornar-se sério a partir do último ano do ensino médio.

Jornal Comunicação (JC) – Quando surgiu a ideia de escreverem juntas? Isso sempre foi uma paixão das duas?

Mônica (Mô)  – Os livros nos trouxeram as melhores coisas da nossa vida, desde amizades até o amor pela escrita. Em 2010 nós gostávamos muito da saga Crepúsculo, e começamos a ler fanfics relacionadas ao livro. Não demorou muito até que começássemos a escrever também. A Monique começou a escrever uma sozinha, e eu adorava, queria ler o dia todo! Ela me deu a ideia de escrever uma fanfic também, então foi aí que tudo começou.

Monique (Nick) – Depois de finalizarmos algumas histórias, lançamos a nós mesmas um desafio: escrever um livro. E é o que temos feito até hoje. Sempre gosto de dizer que os livros nos encontraram e não ao contrário. Foi uma coisa por acaso, e que acabou se tornando a nossa profissão, a nossa vocação.

As jovens Mô e Nick Sperandio (Foto: Divulgação)

JC – Quais são as maiores dificuldades de escreverem a quatro mãos?

Mô – A parte mais difícil é quando as ideias não batem. Uma quer ir por um caminho e a outra quer ir por outro. Acredito que seja a única dificuldade, porque o resto é simplesmente sensacional. É incrível ter uma pessoa que saiba da sua história, traga tantas ideias e diálogos diferentes, complementando a personalidade dos personagens e se empolgando junto com você.

Nick – Já passamos diversas noites em claro decidindo o rumo de um livro, discutindo ideias e criando novos personagens. É muito divertido!

JC: Quais são as principais dificuldades de serem escritoras e viverem disso com a idade de vocês? Como vocês conciliam a escrita com suas demais atividades?

Gêmeas: Nós não vivemos exclusivamente disso, temos um trabalho à parte. Ainda é muito difícil conseguir se sustentar apenas com os livros, mas um dia nós esperamos poder fazer isso. É um longo caminho, mas temos certeza de que um dia chegaremos lá. Acho que quando nós amamos fazer alguma coisa fica impossível deixar isso de lado. Tendo tempo ou não, nós sempre vamos escrever. Seja num caderno quando a inspiração bate na faculdade, seja no trabalho ou até mesmo em casa. Tudo na vida é questão de prioridades, só temos que nos organizar bem. Dá tempo de sair com os amigos, malhar, estudar, viajar, trabalhar, escrever livros, postar no blog , e ainda ver séries e filmes.

JC – Da onde surgiu a ideia de escrever o romance Sete Vidas?

Nick – Surgiu a partir de vários sonhos que tivemos no período de uma semana. Nós duas estávamos sonhando sem parar com água. Rios, lagos, mar… O conceito inicial surgiu daí. Sabíamos que algum personagem teria que ser encontrado dentro de um lago. Depois, fomos montando o enredo e costurando as ideias. O resto veio normalmente.

JC – Quais são os planos para este romance se tornar uma saga?

Gêmeas: Terminamos o livro sem uma conclusão, dando margem para a continuação. Ainda não sabemos quando vamos escrever o fim da saga, mas está nos próximos projetos. Os leitores pedem muito. Recebemos mensagens todos os dias dos leitores perguntando se vai ou não ter continuação, e quando eles vão poder ler. Isso estimula ao mesmo tempo em que nos deixa em pânico. Temos muitas coisas para escrever e fica difícil continuar uma saga assim, do nada, já que saímos da primeira editora (a que publicou o 1º volume de Sete Vidas).

JC – Alguma dica para aquelas pessoas que desejam seguir o mesmo caminho de vocês?

Mô – Ter em mente que as coisas mais extraordinárias da vida são as mais difíceis de conseguir. Veja bem, você está pegando toda a sua história, toda a sua dor, todos os seus sonhos, e transformando isso em arte, transformando esse punhado de coisas em algo que vai estar ali para sempre, para todos lerem. É um caminho difícil. Você vai levar meses pra escrever algo, e depois vai levar mais meses tentando publicar. E talvez não consiga. E talvez tenha que passar mais alguns meses escrevendo e sonhando e tentando mais milhões de vezes. Mas essa é a beleza da coisa: estamos tentando. Então o conselho é exatamente esse: tentar. Tentar hoje, amanhã, depois…

Nick – Ler o máximo de livros que você puder. Mesmo os ruins. Aliás, inclusive os ruins – eles vão te ensinar exatamente o que NÃO fazer. E também aconselhamos que todos assistam ao discurso que o escritor Neil Gaiman fez na formatura da University of Arts. É uma das coisas mais inspiradoras que já vimos.

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