qui 23 maio 2024
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Especialistas defendem abordagem crítica do jornalismo criminal

Em evento organizado por estudantes da UFPR, formas de evitar sensacionalismo na cobertura criminal, precarização da profissão e caráter ostensivo das polícias foram debatidos

Foi com uma fala da jornalista Bruna Froehner sobre como evitar a espetacularização da cobertura de crimes que se iniciou, na quarta-feira (8), o evento Muros baixos: a segurança pública além da viatura e do arame farpado. O evento, sediado no campus Juvevê da UFPR, também contou com a participação dos jornalistas Felippe Aníbal, que integra a equipe de comunicação do Senar-PR e é repórter freelancer na revista Piauí, e Pedro Carrano, do coletivo que produz o semanário Brasil de Fato.

“Todo mundo gosta de notícia ruim. Quem não quer saber disso, vive numa bolha”, disse a repórter da RICTV/Record ao reforçar a importância do jornalismo criminal. Para ela, a diferença entre uma cobertura ética e uma sensacionalista está na abordagem crítica. “As notícias estão aí, e nosso papel é contar essas histórias. Não sobre um viés sensacionalista, mas tentando entender o porquê aquilo aconteceu”, afirmou.

Confira os principais cliques do evento registrados pelo estudante João Vitor Soares.

Já Felippe Aníbal destacou algumas impressões que o público tem de seu trabalho, e compartilhou sua experiência como repórter freelancer em uma publicação que tem um processo de produção bastante distinto: “A revista Piauí faz jornalismo de profundidade. Há mais tempo para desenvolver as matérias. Tudo é rigorosamente checado, e o resultado é bastante afinado”. Ainda assim, alertou sobre a situação atual do jornalismo investigativo ao citar como tem crescido a precarização da profissão: “Quando trabalhava na Gazeta do Povo, fiquei junto com quatro jornalistas investigando um caso de corrupção na Polícia Militar por três meses. Que jornal tem condição de fazer isso hoje em dia?”

Por fim, o jornalista Pedro Carrano reforçou as dificuldades enfrentadas por profissionais de imprensa que lidam diretamente com órgãos públicos, e como mostrar um contexto social recortado pode afetar a opinião pública. “O senso comum não é um acobertamento da realidade, e sim uma parte segmentada da sociedade. Com histórias concretas, conseguimos confrontar o que está além”, explicou para justificar o papel do trabalho jornalístico. “Depois do despejo da ocupação Povo Sem Medo, a FAS [Fundação de Ação Social de Curitiba] disse que essas pessoas teriam um destino. Qual a realidade? Temos 240 pessoas na rua”, concluiu.

Ao final do evento, os jornalistas foram submetidos a uma sessão de perguntas da plateia, na qual foram abordados temas ligados a atualidades e ética profissional. O encerramento se deu com sorteio de livros realizado pela organização do evento.

Muros baixos

Promovido por estudantes dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) matriculados na disciplina Mídia e violência: jornalismo de segurança pública, lecionada pelos professores José Carlos Fernandes e Hendryo André, o evento Muros baixos: a segurança pública além da viatura e do arame farpado buscou compreender a perspectiva de diferentes jornalistas sobre o fenômeno da violência urbana no país, de modo a buscar alternativas que superem a noção de policiamento ostensivo.

O evento pode ser visto na íntegra.

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