Nas noites de 27, 28 e 29 de março, o espaço cultural independente Casa Quatro Ventos no centro de Curitiba, foi palco da peça “Plastic Doll”, como parte do 33° Festival de Teatro de Curitiba. O espetáculo compõe a programação do Fringe — mostra aberta e sem curadoria do festival — e é realizado pela ONG Babel Theater Project, com sede em Bloomington (ING) e projetos em vários locais do mundo.
A peça “Plastic Doll” integra a mostra de mesmo nome, que, em conjunto com mais sete atrações artísticas interdisciplinares, dá vida a uma casa da Barbie diferente da tradicional, que utiliza destas estruturas conhecidas da cultura pop para refletir a respeito de conceitos como a violência racial e de gênero. Entre as atividades gratuitas realizadas de 27 de março a 5 de abril, no espaço da Casa Quatro Ventos, estão uma instalação fotográfica, performances e oficinas.

Barbie” para fazer provocações políticas. Foto: Leticia Negrello/Jornal Comunicação.
Na peça, um público de 40 pessoas é convidado a entrar na casa cor-de-rosa e, junto aos personagens Barbie e Ken, percorrer os cômodos e acompanhar diferentes cenas e monólogos. “Esses corpos dessas bonecas, na verdade, são corpos de plástico meio que sem alma, e a peça propõe que o espectador se reconheça em alguns elementos”, comenta Ana Carneiro, uma das diretoras.
O espetáculo é co-dirigido por Ana Carneiro, escritora, professora coordenadora do curso de dramaturgia da Universidade de Indiana, em Bloomington (EUA) e fundadora da ONG Babel Theater Project, e Laura Fernandez, dramaturga, diretora e professora de Direção Teatral na Universidad Nacional de las Artes, em Buenos Aires (ARG).
De acordo com Laura, a escolha pelo espaço da casa e pelo formato da peça se dá, justamente, pela possibilidade de narrativa intimista. Ao tratar de um tema como a violência doméstica, a casa se torna o ambiente principal para que o público possa adentrar aos poucos a sala de estar, os quartos, o banheiro deste local e conhecer as nuances desta história.

Yaraçá Silva, que também acontece na Casa Quatro Ventos. Foto: Leticia Negrello/Jornal
Comunicação
A ONG, fundada em 2018 e atualmente localizada em Bloomington, nos Estados Unidos, possui conexões em Curitiba, Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro e Buenos Aires, e realiza, principalmente, projetos comunitários de teatro e arte interdisciplinar. “O interesse é a mistura de linguagens, o teatro na intersecção com várias disciplinas e a questão da justiça social, racial e de gênero”, explica Ana.
A ideia principal do “Plastic Doll” já está presente em diversas ações da Babel, mas estreia em formato inédito nesta edição do Festival de Curitiba, e pretende seguir também para outros locais a partir daqui.
Confira a seguir um trecho da entrevista com as diretoras:
O elenco é composto por seis pessoas, a maioria são mulheres e pessoas LGBTQIA+. Stéfani Belo, mulher trans e atriz que interpreta uma das barbies no espetáculo, comenta um pouco sobre a presença da comunidade queer nas artes, no teatro e no Festival de Curitiba: “A arte performática, a arte drag, a arte queer, a arte das nossas pessoas, da nossa comunidade tem um serviço enorme na sociedade, e a gente tem feito isso há muito tempo através da arte, […] muito bom que nós estejamos ocupando os espaços”, reflete a artista.
Confira a entrevista com Stéfani:
A programação da mostra Plastic Doll vai até o dia 5 de abril, com diversas atividades gratuitas na Casa Quatro Ventos, localizada em R. da Paz, 51 – Centro, Curitiba.
Exposição: Artificial: Artifício Natural
02/04 17-20h
05/04 14-17h
Oficina: Máquina de a(r)tivismos em direitos humanos – ações de a(r)tivismos sobre corpo, gênero e diversidade sexual desconstruindo a boneca de plástico.
02/04 das 19h às 20h30
Performance: “Ofertório”
05/04 14h às 15h