qui 21 out 2021
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Estudante da UFPR desenvolve pesquisa em laboratório da NASA

 

Noemi está em Pasadena, Califórnia, onde se localiza o laboratório da NASA.
Foto: Arquivo Pessoal

A estudante de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Noemi Rocha, foi destaque em jornais e sites noticiosos por sua mais nova conquista. A jovem de 22 anos saiu de Curitiba, no Paraná, para fazer um intercâmbio nos Estados Unidos pelo programa Ciência Sem Fronteiras, e hoje realiza um estágio no Jet Propulsion Laboratory, um dos laboratórios da NASA.

Na agência americana de exploração espacial a estudante trabalha em um projeto de pesquisa sobre os impactos do desflorestamento no ciclo da água e no aquecimento global, em específico no caso da Amazônia, a partir de imagens de satélite. Noemi deve permanecer no estágio por três meses e meio, sob a orientação do renomado cientista Joshua Fisher.

Em entrevista ao Jornal Co:::unicação, a estudante conta um pouco da sua nova experiência e a relação com a universidade.

Jornal Co:::unicação  Como você ficou sabendo da vaga para o estágio?

Noemi Rocha  Primeiro eu tinha a opção pelo Ciência Sem Fronteiras de fazer um estágio no verão, então eu comecei a procurar possíveis lugares que gostaria muito de trabalhar. Eu encontrei na NASA um centro de pesquisa voltado para ciências da terra muito interessante.

Co:::unicação – E como conseguiu a vaga?

Noemi  Eu resolvi mandar e-mails contando o que eu gostava de fazer, minha história, meu currículo e mandei e-mail para todos os pesquisadores da área com quem eu gostaria de trabalha. A resposta demorou quase três meses – a primeira e única resposta. Encontrei o Dr. Joshua Fisher que tinha uma pesquisa de desmatamento, de sensoriamento remoto e imagem por satélite que medem o uso do solo, a precipitação, e a evapotranspiração e ele me chamou para trabalhar com ele.

Co:::unicação  Qual seu objeto de estudo?

Noemi  A ideia geral é pegar dados de satélites de uso e ocupação do solo e dados de satélite que medem chuva e evapotranspiração. Quando você desmata, queima ou aumenta a área urbana é possível verificar isso através das imagens.

Co:::unicação  Como é trabalhar na NASA?

Noemi  É uma pesquisa, cada dia é um pequeno pedaço até esse caminho dos resultados ficarem prontos, não é rotina. Agora eu vou começar a trabalhar com os dados e processar as análises dos dados. Todo mundo pensa que se você vai trabalhar na NASA você vai trabalhar em máquinas malucas, com super painéis de alta tecnologia. Eles têm essas máquinas super tecnológicas, mas são mais voltadas para monitoramento dos satélites, para montagem de equipamentos específicos. Eu estou trabalhando com os dados desses equipamentos, então o computador é a única coisa que eu preciso pra trabalhar.

Co:::unicação  Acha que é difícil conseguir esse tipo de oportunidade? O que os alunos da UFPR precisam fazer para participar de uma experiência como essa?

Noemi  É muito complicado o processo quando você está no Brasil ainda, tem muita burocracia e documentação. Você precisa ter visto, precisa ter bolsa, precisa ter seguro-saúde… O número de requerimentos que eles pedem às vezes te impede de continuar procurando. O Ciência Sem Fronteiras já te proporciona isso, fica mais fácil. As pessoas não acreditam no potencial que elas têm para chegar onde elas podem chegar. Elas só precisam dar o passo, se esforçar e ter determinação. Qualquer um pode chegar onde quiser. Se você está disposto a pagar o preço você pode chegar aonde quiser.

Co:::unicação  Vê muitas diferenças técnicas, teóricas e estruturais no Brasil, comparada com a experiência americana?

Noemi  Não, posso falar do meu curso que é o que eu conheço. Meu curso tem professores muito bons que passam educação de qualidade suficiente para chegar onde eu cheguei. O erro está em não dar o devido valor a qualidade de ensino que nós temos na UFPR e o que ela nos proporciona. Os professores estão lá e nos dão o melhor, não sabemos enxergar isso e absorver o máximo que a gente pode.

Co:::unicação  Como se sente sabendo que, como aluna, vai levar o nome da UFPR para a NASA?

Noemi  Quando a gente chega aqui e fala que é do Brasil tem muito preconceito. O que a gente tem que fazer é chegar aqui e mostrar que não é assim. Não é porque somos brasileiros que somos menos ou mais, a gente tem tanta capacidade ou mais que eles. Eu espero que os resultados sejam ainda mais impactantes para a minha universidade, minha cidade e meu país.

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