qui 21 out 2021
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Estudantes e professores da UFPR dão aulas de português para imigrantes haitianos

Alunos e professores do Curso de Letras da UFPR estão envolvidos no projeto “Português Brasileiro pra Imigração Humanitária”. O grupo, em atividade desde outubro de 2013, ensina voluntariamente a língua portuguesa para imigrantes haitianos e sírios. A iniciativa é de um grupo de professores do curso de Letras. As aulas acontecem aos sábados no Prédio D. Pedro I, na Reitoria, em nove turmas, divididas desde a fase de letramento até o nível intermediário.

Ex-Coordenador da parte pedagógica do curso e dourando em Letras, Emerson Pereti conta que o primeiro contato com o assunto foi através da Casla Latino Americana. A entidade estava participando da campanha “Somos Todos Imigrantes” da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A partir de então, o Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UFPR (Delem) se envolveu com a questão. “Nós ficamos encarregados de fazer o trabalho de núcleo de integração, tendo a língua como principal referência. E depois, obviamente, movimentar outros setores da UFPR para melhor atender essas pessoas”, explica.

A UFPR como núcleo de integração

Pereti enfatiza que a inciativa é mais do que um curso de línguas. “A gente organizou uma metodologia de ensino voltada as necessidades mais urgentes dos imigrantes – como fazer uma entrevista de emprego e preparar um currículo”, expõe. Ele conta que há um diálogo com outros cursos da UFPR. “Nos sábados, por exemplo, os professores do departamento de informática dão aulas”, afirma. O professor também conta que o projeto disponibiliza o curso de história do Brasil (organizado pelo Departamento de História) e orientação jurídica, feita por alunos e professores do curso de Direito. Todos esses serviços oferecidos de graça e no mesmo local, o edifício D. Pedro I.

Toda semana o curso recebe novos alunos, faz teste de nivelamento e encaminha-os para uma das turmas de acordo com sua proficiência na língua portuguesa (Foto: Kaype Abreu)
Toda semana o curso recebe novos alunos, faz teste de nivelamento e encaminha-os para uma das turmas de acordo com sua proficiência na língua portuguesa (Foto: Kaype Abreu)

Para os imigrantes, questões jurídicas estão entre os principais obstáculos

Willems Vixamar estudava Engenharia Civil no Haiti. No Brasil, ele trabalha como ajudante de cozinha, mas conta que não quer que isso seja permanente. “Quero voltar a estudar”, afirma. Assim como grande parte dos alunos do curso, ele fala francês, créole, inglês e espanhol. Vixamar também não é o único que, apesar de ser universitário no Haiti, não conseguiu retomar de imediato os estudos no Brasil. De acordo com o professor titular de Direito Civil da UFPR, José Peres Gediel, uma vez no Brasil, os imigrantes encontram dificuldades para retomar os estudos, devido à diferença de currículos de uma universidade estrangeira para a UFPR. “Um padrão de medidas é necessário porque as situações de cada estudante são complexas”, defende. Atualmente, a UFPR trabalha na elaboração de uma resolução que facilitará o ingresso de alunos estrangeiros a partir do período em que pararam de estudar em seu país.

O professor expõe que questões jurídicas referentes ao trabalho são frequentes. “Muita gente faz hora extra e não recebe, trabalha fim de semana e não recebe descanso semanal remunerado”, explana. De acordo com uma pesquisa feita pelo projeto “Estudos sobre a Migração Haitiana ao Brasil: diálogo bilateral”, grande parte dessas pessoas trabalha na área da construção civil, sendo a maioria do sexo masculino. Em 2012, dos 4.860 vistos concedidos, 4.017 foram para homens.

O Haiti também é aqui

Nos últimos anos, uma série de crises políticas e desastres naturais motivaram os haitianos a buscar condições de vida melhores em outros países. Segundo dados de 2011 do Banco Mundial, aproximadamente 10% da população do país havia emigrado até então, o que equivaleria a 1.009.400 de pessoas. O destino mais procurado era os Estados Unidos, seguido pela República Dominicana. De acordo com informações da Polícia Federal, em relação ao período que compreende os anos de 2001 a 2014, Curitiba foi a quarta cidade brasileira que mais recebeu esses imigrantes, atrás de São Paulo, Manaus e Porto Velho.

Na capital paranaense, de acordo com a Pastoral do Migrante em entrevista concedida a Gazeta do Povo em junho de 2013, mais de 500 haitianos vivem na cidade. Segundo Pereti, ex-coordenador do curso de língua portuguesa para imigrantes da UFPR, mais de 300 pessoas já passaram pelo curso desde outubro de 2013. “Essas pessoas vão construir suas vidas aqui. Os filhos delas vão conviver com os nossos. É uma nova onda de imigração”, argumenta. “Aprender a língua é o primeiro passo para a integração”.

Serviço:

Teste de nivelamento e aulas de língua portuguesa (apenas para imigrantes haitianos);

Local: Prédio D. Pedro I da Reitoria, 10º andar;    Horário: Sábado, às 14h.

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