ter 19 out 2021
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Ex-jogador da NFL é técnico do Coritiba Crocodiles

Um encontro por acaso no calçadão de Curitiba e um ex-jogador da National Football League (NFL), a liga de futebol americano dos Estados Unidos, vira técnico do Coritiba Crocodiles. Os jogadores entregavam panfletos na Rua XV e divulgavam o time quando o norte-americano Johnny Mitchell se aproximou e disse que estava interessado em ajudar. Resultado: o estrangeiro considerado por muitos como o melhor tight end que a Universidade de Nebraska já teve passou a conduzir os treinos do Coritiba.

Conhecido pela força física e forma atlética, Mitchell exibe um currículo de dar inveja aos amantes do futebol americano. Entrou para a NFL no segundo ano de faculdade e jogou pelo New York Jets e pelo Dallas Cowboys durante a década de 1990. Chegou a marcar 10 touchdowns nas melhores temporadas. O atleta também trabalhou como comentarista das transmissões de jogos na Inglaterra e, no final do ano passado, aterrissou em terras brasileiras. Dois meses depois, virou técnico do Crocodiles, junto com o irmão Greg Booth, que ficou com o cargo de coordenador defensivo.

Johnny Mitchell é coordenador de ataque do Crocodiles desde o início do ano,
enquanto o irmão Greg Booth guia a defesa. Foto: Divulgação

Apesar de não saber falar português, Mitchell arrisca algumas frases e consegue se comunicar com tranquilidade. “Eu ajudo o time a treinar enquanto eles me ensinam a me virar com a língua”, explica. O modo caloroso com que o ex-jogador da NFL trata os brasileiros não impede que ele mesmo se considere um técnico “durão”. “Eu tenho que ser exigente, porque isso tem a ver com disciplina. A minha meta é incentivar os jovens a fazer o melhor que eles podem”, conta o técnico.

Além de guiar o Coritiba Crocodiles, Mitchell dá aulas em escolas da capital paranaense sobre futebol americano – tudo de forma voluntária. Quem vê o físico do treinador, que chega a quase dois metros de altura, não imagina que ele é também professor das crianças. “Eu adoro ensinar, tanto nos colégios quanto nos treinos. Quanto mais novas elas aprendem, mais chances têm de crescer no esporte”, diz. O dom de ensinar veio com dois objetivos: espalhar o futebol americano pelo Brasil e, ao mesmo tempo, chamar a atenção da NFL para os times do país.

Segundo o treinador, ainda é preciso trabalhar em cima do potencial do Crocodiles, principalmente em relação ao nível de complicação dos jogos. “Sinto que, se comparado à National League, o esporte curitibano é mais simples. Mas é só uma questão de tempo para que os jogadores peguem o jeito. Eu realmente acredito que eles têm talento para jogar nas universidades dos Estados Unidos. Estamos chegando lá”, avalia.

Para o integrante do Crocodiles Marcos Zarza, Mitchell é praticamente um jogador dentro de campo, porque se movimenta o tempo todo para mostrar como os exercícios devem ser feitos. “O Johnny é sossegado e se expressa bem. Ele sempre dá exemplos de como treinava nos Estados Unidos, como guia para a gente aprender o jogo por aqui. Ele é muito bom no que faz”, elogia o atleta.

Amor pelo Brasil

A relação de Mitchell com o Brasil começou em 1995, quando ele se apaixonou por uma brasileira. Em 2007, o casal se divorciou. O novo treinador do Crocodiles tem três filhos, que moram com a mãe na Inglaterra. O fim do casamento não conseguiu apagar a paixão que ele sente pelo Brasil. “Eu amo Curitiba e as pessoas que vivem aqui. O Brasil é a minha casa, o meu coração. O que eu quero agora é encontrar um emprego estável para passar o resto da vida na cidade, sem parar de treinar”, revela Mitchell.

Crocodiles

O Coritiba Crocodiles foi fundado em 2003 como Barigui Crocodiles, e adotou o nome atual em 2011, ao fazer uma parceria com o Coritiba Futebol Clube. O time é tetracampeão paranaense e foi vice do Campeonato Brasileiro de Futebol Americano nas últimas três temporadas.

Fundado em 2003, o Coritiba Crocodiles teve o nome inspirado pelo lendário jacaré que habitava o Parque Barigui. Foto: Jéssica e Dayane Fotografia

 

Glossário

Tight end: Posição que protege o quarterback e, dependendo da jogada, pode receber passes ou bloquear adversários.
Touchdown: Pontuação máxima obtida quando o jogador cruza a linha final do campo adversário

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