qua 20 out 2021
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Fiscalização de casas noturnas continua em Curitiba

Depois da intensa fiscalização ocorrida após a tragédia da boate Kiss, que matou mais de 240 pessoas em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, as casas noturnas de Curitiba continuam sendo inspecionadas com o mesmo rigor.

As informações são do fiscal de obras da prefeitura Louel Zonneveld. Ele conta que esse processo se dá a partir de denúncias atendidas pela prefeitura. “Não é possível especificar exatamente o número de casas fiscalizadas até agora, mas todas as que receberam denúncias já passaram por novas vistorias”, assegura Zonneveld. As maiores reclamações, segundo ele, são quanto às saídas de emergência e extintores de incêndio e estão relacionadas à tragédia no Rio Grande do Sul.

As denúncias são feitas através da Central de Atendimento e Informações da Prefeitura, no telefone 156. Para abrirem, as casas precisam estar em dia com os alvarás de funcionamento. Este documento, assinado pelo corpo de bombeiros, é essencial para que o local possa ser declarado apto para receber pessoas.

Apesar disso, Zonneveld afirma não ser possível garantir que todos os locais abertos estejam de acordo com a fiscalização. “Muitas casas ainda possuem problemas, mas buscam uma liminar judicial e conseguem reabrir. Quando acionam a justiça, a prefeitura não pode fazer nada durante a vigência desse documento”, explica.

Incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, matou mais de 240 pessoas.
A última vítima morreu no último domingo (19). Foto: Reprodução

Outro lado

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas do Paraná (Abrabar-PR), Fabio Aguayo, discorda da maneira como a fiscalização vem sendo feita. “Foi muito midiática. Pior do que ser rígido demais, é quando o processo é tão expositivo como foi nesse caso. Eles acham que dono de casa noturna é tudo mafioso. Não é porque tem muito político que tem estabelecimento que todos nós somos assim”, afirma.

Aguayo também lamenta o fato das mobilizações ocorrerem apenas após as tragédias. Para ele, nem todo o processo de checagem foi lícito. “Em outros estados a propina correu solta. Infelizmente uma instituição como os bombeiros mostrou seu lado negro. No Rio Grande do Sul foi mais duro, até porque eles levaram outro susto semana passada”, relata Aguayo. Ele faz menção ao incêndio da boate Cabaret, em Porto Alegre, no início de maio, que não deixou vítimas.

Em relação às licitações, Aguayo diz que a inoperância do Estado não pode atrapalhar o negócio dos proprietários. Segundo ele, a margem de lucro das casas noturnas diminuiu cerca de 40%. “Não dá mais pra perder dinheiro por causa de implicância e perseguição. Tem muita gente saindo do ramo. Eles estão conseguindo engessar um segmento do mercado”, conclui.

 

Fogo cruzado

Para Pedro Mehl, estudante de Engenharia Civil da Universidade Federal do Paraná, houve uma mudança na segurança e no comportamento dos clientes. “Desde então costumo procurar a localização de extintores e saídas de emergência ao entrar em qualquer lugar”, explica o estudante.

Quem trabalha em casas noturnas também percebe mudanças. “Antes os lugares eram mais cheios, agora deu uma diminuída” conta o segurança Ricardo Kanak. “A fiscalização mudou um pouco, alguns lugares melhoraram, mas a maioria ainda tem pouca ventilação”, completa.

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