qua 20 out 2021
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Gleisi Hoffmann: “Não podemos virar as costas para o Mercosul”

Gleisi Hoffmann
Foto: Joka Madruga/APP Sindicato

Senadora do Paraná pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e ex ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman é a única candidata mulher ao governo do estado. Em entrevista ao Jornal Comunicação e ao Jornal Brasil de Fato realizada por e-mail, Gleisi defende o diálogo com a América Latina nos eixos econômico, cultural e político, tomando como exemplo medidas do governo federal como a criação da UNILA [Universidade Federal da Integração Latino-Americana] e da UFFs [Universidade Federal da Fronteira Sul]. A senadora promete parceria com universidades estaduais e, nacionalmente, critica propostas de independência e autonomia do Banco Central, afirmando que “entregar aos bancos o comando do Banco Central é atacar os trabalhadores”.

Brasil de Fato. O atual governo do Paraná divulga que o estado passou por um processo de industrialização no último período. Qual a avaliação da sua candidatura sobre esta questão?

Gleisi Hoffmann.
Penso que esse não seja o modelo de desenvolvimento que devamos apostar  para o Paraná. A médio e longo prazos, revela-se centralizador e excludente.

Qual deveria ser o modelo de industrialização para o estado?

Vamos implementar políticas em que o desenvolvimento do todo represente a soma do desenvolvimento das partes. Não financiaremos ilhas de prosperidade. Vamos estimular o desenvolvimento regional com respeito às vocações e especificidades.

A partir de um estado como é o caso do Paraná, localizado no sul do continente e na fronteira com outros países, que medidas devem ser feitas no sentido da unidade latino-americana?

Uma medida importante foi a criação da UNILA  e da pelos governos do Presidente Lula e da Presidenta Dilma. Do ponto de vista do governo estadual, não podemos virar as costas para o Mercosul. E não falo aqui apenas do ponto de vista econômico, mas também cultural e político. Teremos relações próximas com a América Latina.

Quais seriam as medidas necessárias na área de Saúde?

Acabar com as filas de espera por consultas com médicos especialistas e por exames. Com o Mais Médicos o governo federal contribuiu com estados e municípios para resolver o atendimento da atenção básica. Agora, temos de avançar. Vou criar o Mais Médicos Especialistas e o Exame na Hora Certa.

O que é preciso ser feito em relação ao sistema prisional no estado? Um dado pouco mencionado nos debates: há empresas de alimentação fornecendo alimentos estragados aos presídios. É preciso romper com esse modelo?

Construir mais unidades  é necessário. Contudo, penso que deva ser revisto o sistema prisional no Estado. Não dá para continuarmos como está. A questão da alimentação é grave e não é o único problema. As condições de segurança para os agentes é precária, como podemos ver com as rebeliões recentes. Vou construir mais vagas e apostar na experiência das APACs [Associações de Proteção e Assistência aos Condenados].

A situação da Rádio e TV Educativa do Paraná (RTVE) é de precarização das condições de trabalho e estrutura. O que é preciso fazer em relação à mídia pública e no que toca a democratização da mídia no geral?

Do ponto de vista do governo do Estado é importante fortalecer a RTVE como instrumento de construção da unidade cultural e política paranaense. No meu governo ela cumprirá esse papel.

Olhando para o plano nacional, como a sua candidatura avalia a proposta que ressurge com a candidatura de Marina Silva, de independência e autonomia do Banco Central?

Sou contra. Entregar aos bancos o comando do Banco Central é atacar os trabalhadores que não têm como se defender das políticas econômicas e precisam do estado para isso.

Quais seriam as propostas da candidata para a atual situação das Universidades Estaduais do Paraná no sentido de garantir uma autonomia didática, pedagógica e cientifica?

Comigo universidade não ficará de pires na mão, pedindo dinheiro. Seu orçamento será executado na plenitude. Elas têm de estar a serviço da construção de um projeto de estado, de sociedade e não de um projeto de governo. Por isso, respeitarei sempre a autonomia das universidades. Mas não como alguns entendem respeitar a autonomia, com abandono. Não. Serei parceira.

No Paraná, temos um quadro que é, de um lado, de forte estimulo ao agronegócio e, de outro, de lutas históricas por reforma agrária. Um caso recente que podemos mencionar é a ocupação pelo MST da Fazenda Rio das Cobras, explorada pela Araupel, no interior do estado. Como a senhora se posiciona sobre este episódio?

O problema nesta área é o fato de ser uma área judicializada. Isso impede qualquer ação por parte do governo no sentido da reforma agrária. Mas minha posição é a mesma posição colocada em prática pelos governos Lula e Dilma: a favor da reforma agrária, seguindo a legislação vigente e com garantias para que o agricultor possa realmente produzir na terra.

Como Ministra-chefe da Casa Civil, a senhora afirmou a necessidade da implementação de políticas federais no combate às drogas, com incentivo ao “Programa Crack, é Possível Vencer”, por exemplo. No entanto, o que tem se tornado polêmico é o estimulo ao financiamento para as comunidades terapêuticas. Na opinião da senhora, este é o melhor caminho para o tratamento aos cidadãos em situação de dependência? E o que dizer sobre a luta antimanicomial?

Há a possibilidade de coexistência dos serviços públicos com as comunidades. Na verdade, na minha opinião, há uma necessidade. O poder público ainda não tem condições de atender a toda a demanda. Em Curitiba, por exemplo, temos 7 CAPs [Centros de Atenção Psicossocial] que atendem boa parte da demanda. Mas esta não é a realidade em todo o País.

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