qua 20 out 2021
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Hábito da leitura deve ser cultivado desde cedo

Cada vez mais o cotidiano é invadido por smartphones, tablets e meios de comunicação. Com as crianças, isso não é diferente. Mas, para os pequenos, o uso exclusivo desses aparelhos no dia a dia pode fazer com que o livro perca valor e a leitura seja deixada de lado, o que tem como consequência um mau desempenho na escola e até um certo desinteresse pelo hábito de ler.

Para que as crianças tenham um bom relacionamento com os livros é bom que sejam influenciadas desde cedo. Elisa Dallabona, doutora em Educação e professora da UFPR, aponta que há uma troca afetiva quando adultos leem para crianças e que o prazer da leitura também pode ser transmitido pelo exemplo. Os resultados podem ser percebidos dentro da sala de aula, “quando a família se envolve efetivamente com a criança, ela tem um ritmo de aprendizagem mais acelerado”. Para tanto, deve-se haver uma interação entre a escola e a família, “a educação não deve ser terceirizada. As escolas devem deixar que os pais se interessem pelo que acontece lá dentro. Seria ideal se tivesse uma interação em prol da criança”, sustenta Elisa.

A policial civil Vanderleia Heuko conta que teve apoio dos pais para estudar e tenta passar isso aos filhos, Vitor e Enzo, que têm 6 anos e estão no 2º ano do ensino fundamental. “Meus pais me incentivaram me dando tempo e um lugar maravilhoso, próximo à natureza, para ler e sonhar. Os meninos começaram a ler sozinhos agora, e eu os levava à livrarias para que escolhessem um livro, uma vez ao mês. Hoje eles sabem a importância da leitura para serem independentes e entenderem o mundo através da escrita”. Em relação às outras crianças, a mãe afirma: “percebo que são mais calmos e seguros, não dependem do contato com outras crianças para serem felizes. Os livros têm sido uma boa companhia”.

Segundo Elisa Dallabona, contos de fadas e páginas coloridas fazem com que a imaginação seja estimulada. O contato constante com livros também é eficaz para o estímulo da leitura, pois misturá-los com outros brinquedos pode fazer com que se tornem um objeto comum e acabem sendo vistos com descontração. Quanto menor a criança, maior o seu interesse pelos livros e suas histórias. A obrigação, que muitas vezes surge na escola, veta o prazer que é encontrado na leitura. “O trabalho escolar feito com a literatura afasta o jovem do livro”, reitera a pedagoga.

A leitura pode ser incentivada desde cedo (Foto: Paula Martins)
A leitura pode ser incentivada desde cedo
(Foto: Paula Martins)

Quanto aos best-sellers, que cativam tantas crianças e jovens, Elisa alega que há um preconceito das escolas, “muitos professores dizem que esses livros não vão entrar na sala de aula, mas será que não dá para começar por eles?”. Edson Luiz Gawlowski Junior, 20, estudante de Engenharia Mecânica na UFPR, conta que não teve leitores assíduos em casa, mas acredita que não teria lido mais se tivesse sido obrigado. “Minha mãe não me cobrava muito. Eu lia um livro por mês, que era a leitura obrigatória da biblioteca da escola. Só comecei a ler mais quando li os primeiros livros do Percy Jackson”.

Para Enzo Katsumi Hirose, 25, estudante de Medicina da PUCPR, a influência dos pais fez diferença. “Minha mãe nos dava um livro e depois lia o resumo que fazíamos da história. Ela cobrava bastante, estava sempre estudando e meu pai lia muitas revistas. Sempre incentivaram muito eu e meus irmãos, mas me interessei mais pela leitura quando li Harry Potter. Hoje leio de tudo”, revelou o estudante.

Pais que têm uma rotina muito puxada às vezes não conseguem estar muito presentes no dia a dia dos filhos, mas quinze minutos de leitura diários para os pequenos já é uma forma de demonstrar interesse e fazer com que as crianças não se tornem tão distantes dos livros. Há ainda livros interativos, que trazem CD’s e jogos, e os que podem ser lidos durante o banho para bebês, que embora sejam mais caros, prendem a atenção e divertem. Para Elisa Dallabona, é uma questão de prioridade, “um CD de música sertaneja pode custar mais do que um livro, mas a importância disso deve ser avaliada”.

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