qua 20 out 2021
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Horror e sangue lotam a Cinemateca

Mostra de cinema de horror toma conta da Cinemateca
(foto: Aléxia Saraiva)

Não é de hoje que Curitiba é vista como capital do carnaval alternativo. Muitos eventos como Psycho Carnival e Zombie Walk contribuem para este título e agora a Grotesc-O-Vision se torna mais uma atração para o público. O evento é uma mostra de filmes de horror que em sua segunda edição aconteceu na Cinemateca entre os dias 28 de fevereiro e 03 de março.

A programação, bem diversificada, incluiu longas e curtas, nacionais e estrangeiros, premiados e estreantes. A principal atração aconteceu no sábado (01), chamada pelo organizador Paulo Biscaia de “noite de gala”. A sessão contou com a presença de Geisla Fernandes e Rodrigo Aragão, diretores das estreias da noite: O Estripador da Rua Augusta (co-direção de Fernandes com Felipe Guerra) e Mar Negro, de Aragão. O evento também contou com uma “feirinha de horror”, com stands de livros, jogos e souvenires, e distribuição de brindes nas sessões.

A mostra surgiu pela iniciativa de Biscaia em parceria com Docca Soares, produtor da Zombie Walk. “Fazia 10 anos que eu queria fazer essa mostra. No final de 2012, Docca me convidou para fazer um evento paralelo à Zombie Walk, e a Grotesc-O-Vision surgiu assim, meio no susto”. O evento começou ainda no ano passado e, segundo ele, a diferença da edição desse ano para a primeira foram os eventos adicionais: oficina de maquiagem, feirinha e palestras com os realizadores. “Os cineastas que não puderam comparecer mandaram um vídeo de apresentação, e nós filmamos as respostas dos espectadores e as mandamos por celular”. A mostra, que já tinha sido um sucesso de público logo na primeira edição, lotou a Cinemateca.

Ellin Gonçalves é fã do cinema de horror e já tinha participado da primeira edição do evento: “Ano passado vi Mangue Negro e foi muito interessante para conhecer o trabalho do Aragão. Voltei para assistir a continuação e para acompanhar o cenário do gênero”, afirma.

O estudante de cinema na FAP José Fernando Costa teve uma motivação a mais para comparecer: o lançamento do livro em que é coautor, “Cinemas de Horror”. A obra foi organizada por Demian Garcia e contém uma série de artigos sobre o gênero, escritas por participantes de um grupo da FAP que estuda o tema. Sobre o gosto pelos filmes, ele afirma: “Até entrar no grupo de cinema, eu não me interessava tanto. Gostava dos filmes, mas não tinha parado pra pensar no horror como gênero cinematográfico específico”. O livro é uma parceria da Editora Estronho com a Vigor Mortis, produtora do Grotesc-O-Vision.

O organizador Paulo Biscaia (centro), e os diretores Gleisa Fernandes e Rodrigo Aragão
(foto: Aléxia Saraiva)

Em entrevista, o diretor Rodrigo Aragão explicou que Mar Negro é o terceiro filme de uma série que está crescendo. “Nos meus filmes eu tento retratar um pouco do meio ambiente do lugar onde eu venho, o Espírito Santo: um primeiro filme sobre o manguezal, um segundo sobre a Mata Atlântica e um terceiro sobre o litoral”. Sobre o que vem a seguir, ele explica: “A continuação de Mar Negro está pra ser aprovada pelas leis de incentivo à cultura. A mídia jogou o projeto como uma trilogia, mas minha ideia é continuar. Eu cheguei num ponto em que não dá pra seguir esta saga de maneira independente. Estou torcendo pra que a gente consiga quebrar essa barreira e consiga uma verba um pouco maior pra fazer um filme melhor”.

O diretor também contou que é preciso amar o que faz para produzir cinema de horror com baixo orçamento. “Todo mundo que trabalha tem que estar muito apaixonado pelo projeto, porque o salário é horrível. Meu filme é 90% paixão e 10% dinheiro”, declara.

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