qui 28 out 2021
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II Congresso Brasileiro de Teatro discute políticas públicas para sustentar a classe

A segunda edição do congresso pretende dar continuidade ao proposto no primeiro encontro, em Osasco: a união da classe em busca de apoio governamental
(Foto: Divulgação do evento)

Florianópolis recebeu, entre os dias 29 e 31 de agosto, o II Congresso Brasileiro de Teatro, evento que propôs a discussão da classe sobre o tema Modos de Organização e Sustentabilidade no Teatro. Com mesas e conferências mediadas por grandes nomes da área, como João das Neves e Buda Lira, a intenção do CBT é proporcionar um espaço de debates e reflexões entre quem produz esse tipo de arte em todo o Brasil. O encontro foi realizado pela Federação Catarinense de Teatro, contando com apoio da UFSC, da Udesc e do Sesc.

Quem conta como surgiu a ideia é Gustavo Bierbach, membro do Comitê Organizador do II CBT. “O Congresso surgiu da contínua demanda que a classe artística tem de se renovar”. Ele explica que essa segunda edição está muito ligada à primeira, que aconteceu em 2011, no município de Osasco, cidade vizinha de São Paulo. “O primeiro CBT foi feito a partir das demandas de lá. Optou-se por sair, então, do eixo Rio-São Paulo para abranger discussões mais gerais, do Brasil todo”, comenta.

Para Bierbach, é muito importante que todos os estados do país estejam presentes no evento, para terem voz. “O Brasil é muito grande, e cada estado tenta se organizar do jeito que pode. Com o CBT, poderemos levantar estatísticas e avaliar como as pessoas estão lidando com a arte. A crise do teatro existe e, considerando o histórico de luta do teatro no Brasil, é muito importante saber de que maneira se dão esses modos de organização, para podermos crescer”, afirma.

Ney Piacentini, colaborador do evento, explica que a necessidade de debater o tema já vem de muito tempo. “A história do CBT começa na década de 50, num encontro que aconteceu em Salvador. Lá se discutiu o modo de falar no teatro, derrubando a tradição de usar a pronúncia portuguesa. Para nós, isso soa como muito antigo”, declara. Ele conta que, depois disso, houve outro encontro em 1979, em Arcozelo, no Rio de Janeiro, com questões mais próximas da realidade atual, o que aconteceu posteriormente só em 2011. “Fizemos em Osasco uma nova versão do Congresso, tentando fazer uma ligação com Arcozelo, mas com uma feição contemporânea. Agora, Florianópolis assumiu a responsabilidade de dar continuidade ao processo”, analisa Piacentini.

O debate das políticas públicas

Piacentini explica que o tema dessa edição é decorrente do que foi discutido em 2011: as políticas públicas de cultura para o teatro brasileiro. Segundo ele, Florianópolis opta por um tema mais aberto porque nem sempre se pode contar com medidas públicas para se fazer teatro no país – o que gera um debate pelas alternativas possíveis. “Nas últimas décadas, os editais eram rarefeitos. De uns tempos para cá, em função de toda a mobilização, implantou-se mais políticas teatrais, o que deu certo impulso na produção, mas também fez com que mais gente fizesse teatro”, elenca o colaborador. Ele afirma, ainda, que o Congresso de Florianópolis abre mais oportunidades para procurar quais são as alternativas para essas políticas públicas. “Como o teatro pode se organizar para se sustentar?”, questiona.

Juca Rodrigues, mediador da mesa de Políticas Públicas Nacionais e membro do Conselho Setorial de Teatro, espera que o CBT seja um espaço para avançar nas discussões sobre o poder público. “Nós temos que participar das discussões e não deixar que as pessoas simplesmente façam as discussões por nós. Como eu posso lidar com essa situação apenas discutindo por e-mail ou com uma reunião de vez em quando?”. Segundo ele, a classe precisa estar em sintonia para dar um apoio consistente. “Só assim teremos um suporte para que uma política importante faça com que o teatro avance”, explica Rodrigues.

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