qui 21 out 2021
HomeCiência & TecnologiaLuva biônica traduz Libras em voz

Luva biônica traduz Libras em voz

A chamada luva biônica, que traduz a Língua Brasileira de Sinais (Libras) em texto e som, foi exposta neste ano na 8ª Olimpíada do Conhecimento, em Belo Horizonte. Criada por uma equipe de sete alunos de Engenharia do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a invenção é iniciativa de um projeto do currículo da Universidade.

A luva foi criada a partir do investimento de R$ 600 reais do ITA e batizada de “Quiros”, pelos alunos, prefixo grego que é relacionado à mão. A equipe foi liderada e coordenada pelo estudante Daniel Koda, de 21 anos. “Ele soube lidar muito bem com a função e sempre motivava o grupo durante a etapa de concepção do projeto”, afirma um dos integrantes da equipe, Luis Fernando Gonçalinho.

Foto Luva Biônica
A equipe, composta por estudantes, pretende melhorar a invenção para lançá-la ao mercado (Foto: Globo.com/Thiago Rios Gomes)

A invenção

O projeto é constituído, basicamente, de duas partes: a eletrônica (hardware) e a computacional (software), divididas entre a equipe para a produção. O coordenador Koda explica que o desenvolvimento do hardware envolveu muitos testes de sensores e que a parte do software é responsável pela identificação dos gestos por meio de algoritmos.

A criação, que inicialmente foi pensada para ser uma extensão do corpo humano, funciona literalmente como um sensor de movimentos, captando e interpretando conforme a posição dos dedos, a velocidade dos sinais e até o contato entre os dedos.

A Quiros tem sensores que passam as informações dos sinais para um computador, através de uma conexão via bluetooth. “O computador compara o padrão recebido com uma base de dados, que seriam os gestos armazenados na ‘memória’ da luva. Quando o movimento feito é parecido com os presentes na biblioteca de gestos, ele é identificado. Então, o equipamento transmite a informação, transformando em voz o que a pessoa está dizendo com as mãos”, explica Gonçalinho.

A professora de educação inclusiva com abordagem na surdez, Neide Tsukamoto, afirma que a criação da luva biônica é muito importante, principalmente porque o meio carece de profissionais bem qualificados e a Quiros pode começar a suprir isso. “A tecnologia pode e deve auxiliar a qualidade de vida de pessoas com surdez, como ação de inclusão social”, afirma. No entanto, ela ressalta que a criação de um objeto para facilitar a comunicação com deficientes auditivos não pode afetar a aprendizagem real da Libras.

Possibilidades de mercado

Até o momento, os estudantes estão desenvolvendo a Quiros com o auxílio do ITA e do SENAI. O objetivo da equipe, agora, é melhorar o protótipo, criando materiais próprios para as aplicações para reduzir o peso da luva e aumentar o desempenho dos resultados, por exemplo.

“Nós queremos ajudar o máximo possível de pessoas com o nosso projeto, mas existem barreiras a serem superadas”, esclarece Koda. Um dos obstáculos é o financiamento da invenção por outras instituições. “Apesar disso, a equipe está muito motivada a continuar estudando e investindo na luva”, completa.

Para a professora, que trabalha com deficientes auditivos há 33 anos, o fator decisivo caso a Quiros seja lançada no mercado é a acessibilidade. “Não sei qual a aplicabilidade da luva, mas o fácil acesso é importante, se não será apenas mais um acessório sem utilidade”, afirma Tsukamoto.

Contato com o público alvo

Para a finalização do projeto, foram feitos vários testes do protótipo com pessoas com surdez, intérpretes e professores, que deram sugestões para os alunos. Segundo Koda, a experiência em si foi muito positiva. “Eles passaram pra gente uma emoção muito grande, não tem como descrever como foi desenvolver algo que realmente possa ser útil”, declara.

A ferramenta contempla benefícios não só para os deficientes, mas também para seus familiares e amigos. “Uma situação que deixou todos emocionados foi o depoimento de uma menina que tinha um parente deficiente auditivo, dizendo que finalmente vai entendê-lo. Foi uma das melhores recompensas que o projeto retornou para nós”, enaltece Gonçalinho.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Populares

Comentários recentes