sáb 23 out 2021
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Manchetes

A edição impressa do Comunicação funciona com uma lógica um pouco diferente da lógica da edição online: até porque a chefia da redação é dividida entre as duas edições, ou seja, pessoas diferentes comandam as diferentes plataformas. Foi pensando nisso que eu decidi comparar as manchetes das edições do jornal, e a seguir estão as minhas reflexões sobre o assunto.

Desde a volta do recesso de fim de ano, foram postadas cinco matérias no Comunicação Online. Todas as manchetes são períodos simples, possuem um verbo, e ficam entre 40 e 70 caracteres: o padrão parece funcionar e também parece estabelecido pela equipe de edição. É critério dessa equipe avaliar se a situação é favorável para o leitor ou não.

Já no impresso, na edição mais recente (de número 05), o padrão não é tão óbvio. Há um claro (e excelente) esforço em diversificar a estrutura das manchetes, e entre erros e acertos o resultado é bom. Segue a lista das manchetes da edição:

“Trabalho artístico infantil: extinção ou regulamentação”

Matéria bem estruturada, atraente para o leitor: primeiro a demonstração (gancho) de casos, em seguida discussão conceitual expressa no título.

“Do outro lado da linha, apenas um ouvido”

Pelo próprio caráter mais livre da editoria Tubo de Ensaio, a manchete é acertada e criativa. (Comentário sobre a editoria: continuamente, tem usado a primeira pessoa nos textos: é ótimo, mas tem que ter cuidado. Usar a primeira pessoa não quer dizer ter liberdade pessoal em relação aos fatos ou emitir juízos particulares sobre si mesmo, o que não aconteceu nesta edição mas parece ter acontecido na anterior, de número 03).

“Projeto reduz pena de detentos do Paraná por meio de leitura”

Essa manchete se aproximou do padrão do online: período simples, verbo, 60 caracteres. Correta. O temor é, sempre, se aproximar do release. O leitor comum costuma ter pavor de release.

“Empresas juniores da UFPR são referência no Brasil”

Padrão correto também. Boa pauta, boa execução, boa utilização da página do jornal.

“Emprego atrás das grades” (Galeria)

Foge do padrão, criativa, informa precisamente o que está por vir nas próximas páginas. Gostei.

“Ciúme excessivo pode ser transtorno psicológico”

Manchete correta, também, mas a boa matéria merecia algo mais criativo, uma vez que essa parece ser a busca da própria linha editorial do jornal. Manchete e gravata contêm informações muito semelhantes, também.

“Como desbravar o Caminho de Santiago de Compostela”

Simples mas eficiente. Boa pauta, mas em alguns momentos também parece esbarrar no release. Por exemplo, no trecho: “O Caminho é democrático e não impõe limites de idade, sexo ou religião a quem deseja desbravá-lo. A experiência é individual, mas compartilham-se emoções e descobertas”. Melhor deixar a ironia de manual (presente na manchete) apenas na ironia mesmo.

“Sistemas de emergência salvam vidas”

O padrão é correto, segue a linha dos outros já citados, mas um jornal precisa de informações ágeis. O leitor mais atento interpreta essa manchete como uma brincadeira de mau gosto. Aqui, a equipe errou feio.

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Sinto falta de crítica cultural no jornal. A mais recente que encontrei no site é de abril de 2012. É uma pauta simples para a editoria de cultura fugir de coberturas e anúncios de eventos.

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Ombudsman
O ombudsman é um jornalista (no caso do Comunicação, um estudante de Jornalismo) designado para a função de ouvidor de um jornal. É ele quem faz a crítica interna do veículo, quem recebe, analisa e repassa as críticas e sugestões dos leitores e quem produz, periodicamente, uma coluna com as reflexões referentes a esse trabalho. O cargo existe no Brasil desde setembro de 1989, quando a Folha de S. Paulo instituiu seu primeiro ombudsman.

É importante lembrar que o ombudsman oferece uma das leituras possíveis sobre o conteúdo veiculado no jornal, e não um julgamento definitivo de valor. As opiniões aqui expressas não representam o posicionamento oficial do Comunicação e partem de leituras subjetivas.

No Comunicação, o cargo de ombudsman é exercido pelo estudante do 8º período de jornalismo Guilherme Sobota, que já foi repórter e editor do jornal. Se você quiser entrar em contato, é só mandar um email: guilhermesobota@gmail.com.

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