sáb 23 out 2021
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Marcha da Família atrai poucos manifestantes em Curitiba

Cerca de 50 pessoas participaram da Marcha da Família em Curitiba. O objetivo era “combater um regime que destrói a família e a sociedade” (Foto: Victoria Tuler)

Assim como em outras cidades do país, manifestantes se reuniram em Curitiba na tarde deste sábado (22) em uma versão repaginada da Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Mesmo com a baixa adesão, a passeata organizada pelas redes sociais foi da Boca Maldita até o Círculo Militar. No ano em que o golpe de 1964 completa 50 anos, a principal reinvindicação do movimento é a destituição do atual governo, por meio de uma intervenção das forças armadas.

Organizador da Marcha em Curitiba e dono do blog Reage Brasil, o empresário Nelson Gomes de Souza acredita que somente uma intervenção militar poderia acabar com a corrupção e garantir qualidade a serviços públicos básicos, como saúde e educação. “O brasileiro está começando a enxergar isso. Meu site teve 800 visualizações em oito dias e hoje devemos ter pelo menos umas 200 pessoas aqui”, afirmou.

Baixa adesão

Apesar da previsão da organização, o número de manifestantes não foi expressivo em comparação com outras capitais brasileiras. Cerca de 50 pessoas fizeram o trajeto de 4 km entre a rua XV de Novembro e o Círculo Militar, intercalando gritos de guerra como “Fora Dilma!” com o Hino Nacional. Os participantes ofereceram bandeiras do Brasil e panfletos anticomunistas para os curiosos que assistiam à caminhada.

Já no fim do ato, um pequeno grupo de jovens com câmeras e parte dos rostos cobertos se posicionou no Largo Bittencourt, em frente ao Círculo Militar. Apesar da tensão, a Marcha acabou sem conflitos.

Posicionamentos

O evento causou diferentes reações nos pedestres. A estudante Ana Júlia Moreira, que observava a concentração na Boca Maldita, definiu a marcha como “preconceituosa e opressora”.  “É um retrocesso total. A defesa de um determinado conceito de família é o que dá margem para a discriminação de alguns tipos de pessoa dentro da própria casa, como acontece com os transexuais, por exemplo”, disse. O auxiliar administrativo Lincoln Gabriel Rodrigues defendeu que as pautas da Marcha da Família são passíveis de indignação. “Já tivemos os militares no poder e vimos o que aconteceu”, lembrou.

Já o jornalista Marti Pansardi, que tirou fotos do protesto, disse que não se trata de uma manifestação pela implantação de um regime ditatorial, mas de uma intervenção militar que, segundo ele, seria um “direito do povo brasileiro”. “É a mesma coisa que chamar a polícia depois de um roubo. Estamos sendo assaltados pelo comunismo” afirmou Pansardi. Para ele, ainda, o Brasil estaria a caminho de se transformar em uma “segunda Venezuela”.

1964 x 2014

Em 19 de março de 1964, cerca de 100 mil pessoas se reuniram na Praça da Sé, em São Paulo, para protestar contra as Reformas de Base elaboradas pelo então presidente João Goulart e sua equipe. A elite brasileira sentiu-se ameaçada por algumas propostas, como a Reforma Agrária, e foi às ruas para deixar claro que estava insatisfeita com o discurso de Jango, que classificavam como comunista. Por cerca de três meses, integrantes das classes mais altas de várias cidades do Brasil aderiram ao movimento, que mais tarde foi usado como argumento para legitimar o golpe militar.

Cinquenta anos depois, os adeptos da nova Marcha também afirmam combater uma ameaça comunista. De acordo com folhetos distribuídos no evento, o principal objetivo do movimento é “combater um regime que destrói a família e a sociedade”.  Além da transferência do poder presidencial para as mãos dos militares, as pautas do movimento vão da prisão de políticos corruptos ao armamento da população, passando pela renovação do exército e a extinção do Partido dos Trabalhadores (PT). “O perfil do manifestante é, basicamente, de alguém que acredita em Deus e é contra as práticas que vão contra a moral, como o homossexualismo”, definiu Marti Pansardi, pouco depois de pendurar uma pequena bandeira do Brasil em sua calça jeans.

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