seg 18 out 2021
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Matemática e português por meio de histórias e brincadeiras

O dia começa com um desenho livre. Depois, as crianças se divertem com brinquedos de madeira e tecido, feitos à mão pelas professoras. Ouvem histórias e lendas, cantam, brincam ao ar livre e ajudam a preparar o próprio lanche.

Parece um acampamento de férias. Mas essa é a rotina dos alunos do Jardim de Infância de uma escola de segue a pedagogia Waldorf. Criada pelo filósofo austrí­aco Rudolf Steiner, em 1919, essa forma de ensinar se baseia na antroposofia. Ela valoriza não apenas o desenvolvimento intelectual da criança, mas também o fí­sico, cognitivo, espiritual e social.

A palavra “antroposofia” significa “sabedoria do ser humano” e é uma forma de pensar e guiar as ações em vários aspectos da vida. Criada pelo filósofo Rudolf Steiner (1861-1925), ela rompe o abismo entre ciência e fé ao considerar que a realidade surge tanto do mundo da ideia quanto da percepção. Os antropósofos buscam perceber, através do conhecimento cientí­fico, a atuação do espí­rito, que permeia a matéria tanto no seu interior quanto na superfí­cie. Além da pedagogia Waldorf, a antroposofia tem vertentes na arquitetura, medicina, farmácia, agricultura, entre outras áreas.

Para os pedagogos Waldorf, o crescimento da criança é dividido em três fases de sete anos – os setênios. “Na primeira fase da vida, as crianças necessitam de muita energia para o crescimento e a formação de seus órgãos internos. Se desviamos essa energia para o aprendizado formal, elas podem ter problemas no futuro”, explica Deriana Miranda, professora do sexto ano da Escola Waldorf Turmalina, em Curitiba.
Por isso, nos primeiros sete anos, a preocupação dos professores Waldorf é estimular a criatividade, autonomia e dar apoio para a formação emocional e espiritual das crianças, respeitando o crescimento individual.

“Quando falamos da formação espiritual não falamos de religião”, afirma Terezinha Hedeke, dona do Jardim Waldorf Ghimell, de Curitiba. “A antroposofia não está ligada a nenhuma religião, apenas considera o aspecto interno, espiritual, do ser humano como essencial para o desenvolvimento”, explica.

Currí­culo reconhecido

Cecí­lia Vieira da Rocha começou a procurar uma escola para o seu filho, Yago, ainda grávida. Quando ela chegou a uma escola Waldorf, não teve dúvidas. “Ela prioriza a formação do ser humano como um todo”, afirma. Cecí­lia conta que foi atraí­da porque essa pedagogia não “queima” fases da infância e cria um ambiente tão estimulante que o aprender se torna apenas uma consequência de toda essa preparação.
No entanto, nem todos os pais têm tanta certeza assim. Uma das principais dúvidas sobre a pedagogia Waldorf é quanto a seu reconhecimento como educação formal. A Secretaria de Estado da Educação do Paraná, Seed, porém, reconhece o currí­culo das quatro escolas Curitibanas.

“Nós ensinamos todas as matérias tradicionais, mas com uma metodologia diferente”, ressalta Deriana.
“As crianças aprendem a ler e escrever, calcular e conhecer a história do mundo de uma forma mais dinâmica: através de histórias, desenhos, canto etc”.

Além dos conteúdos previstos pelo Ministério da Educação, as crianças aprendem inglês, alemão, trabalhos manuais, música, arte, entre outros, dependendo da fase evolutiva de cada um. A escrita é introduzida somente no primeiro ano, e a leitura, no segundo.

O conteúdo pedagógico das escolas Waldorf é o mesmo no mundo todo. No ensino fundamental, o mesmo professor acompanha uma turma por oito anos, para que possa dar atenção individualizada e trabalhar em conjunto com os pais para o desenvolvimento integral do aluno.

Para ser professor, é preciso fazer uma formação especí­fica com duração de quatro anos. Em Curitiba, o curso começou a ser ofertado pelo Instituto Rudolf Steiner há pouco tempo: a segunda turma iniciará em 2011. Além disso, a Seed exige que os professores sejam formados ou estejam cursando Pedagogia formal.

Continuidade
Para Deriana, o ideal é que a criança faça todo seu aprendizado na escola Waldorf. Porém, em Curitiba existem três jardins de infância que seguem a linha pedagógica e apenas uma escola que oferece o ensino fundamental. O Ensino Médio só é ofertado em São Paulo.

“Se uma criança passa a primeira infância numa escola Waldorf, já é bom, pois ela terá subsí­dios emocionais para o resto da vida”, comenta Cassandra Felipe, professora do Ghimell.
Segundo Deriana, o ritmo de vida cada vez mais frenético é prejudicial para o ser humano. Por isso ela acredita que na medida em que a pedagogia Waldorf for difundida, ela será cada vez mais procurada. “A pedagogia Waldorf é a pedagogia do futuro”, afirma.

Yago ainda está no jardim de infância, mas sua mãe pretende que ele permaneça sendo educado através da pedagogia Waldorf por toda idade escolar. Apesar de ainda não haver oferta do Ensino Médio em Curitiba, a pedagogia está crescendo e Cecí­lia não perde a esperança. “Acredito que teremos uma escola Waldorf com ensino médio até o Yago chegar lá”, deseja a mãe. “Eu não temo quanto à educação que escolhi para o meu filho. Se um dia Yago precisar sair da escola Waldorf, ele sairá fortalecido”, afirma.

Por que Waldorf?
A pedagogia Waldorf leva esse nome porque foi primeiramente aplicada em uma escola para os filhos dos funcionários de uma fábrica de cigarros alemã chamada Waldorf.

Até cozinhar pães faz parte do aprendizado nas escolas Waldorf
Escola Ghimell
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