sex 22 out 2021
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Movimento dos Sem Ingresso democratiza acesso ao teatro em Curitiba

Plantado em frente ao Memorial de Curitiba, um grupo de ex-estudantes da Faculdade de Artes do Paraná (FAP) carrega a bandeira do Movimento dos Sem Ingresso. A organização atua, todos os anos, na arrecadação e distribuição de entradas gratuitas durante o Festival de Teatro de Curitiba.

Os organizadores contam que a ideia surgiu porque os professores exigiam que os alunos assistissem determinadas peças do Festival e produzissem resenhas sobre elas, mas muitos dos estudantes não tinham condições de pagar os ingressos.

Dessa forma, em 2004, a universitária Débora Cristina dos Santos, junto de alguns colegas de classe, decidiu tentar conseguir ingressos nas entradas das peças. Ao perceber que a ideia deu certo, começou a distribuir parte do que conseguia entre os alunos da FAP que precisavam ver os espetáculos.

“Eu tive a ideia de colocar uma urna aqui na frente do Memorial de Curitiba para arrecadar ingressos, mas achei que a prefeitura poderia incomodar. Então, decidi usar um garrafão de água. Assim, podia pendurar no meu pescoço e andar por aí atrás de doações”, conta a líder do movimento
(Foto: Reprodução / Movimento dos Sem Ingresso)

Anderson Ribeiro conta que entrou para o movimento em 2012, ano em que o MSI começou a crescer. Até então, não se tinha ideia de quantos ingressos eram arrecadados. Segundo ele, a relação com a iniciativa começou três anos antes, quando assistia a uma peça no Memorial. “O fator social foi o que realmente fez eu me envolver com eles”, afirma.

Raquel Francielle é uma das integrantes do grupo. Ajudou na organização no período de 2008 a 2010, retornou em 2012 e permanece até hoje. Para ela, a atuação do movimento é muito importante no Festival de Teatro de Curitiba: “Nós deixamos o festival mais proveitoso e mais acessível”.

Hoje, o MSI tem amplo apoio de companhias de teatro. Muitas delas são de fora e não sabem como distribuir a cota de ingressos cortesia que possuem. O movimento se encarrega de receber essas entradas e direcioná-las para pessoas que queiram apreciar os espetáculos.

Fator social

Há também o fator social. “O Festival de Teatro de Curitiba, por exemplo, não se preocupa em trazer pessoas da periferia para que assistam às peças. Esse movimento nem deveria existir se houvesse, por parte da organização do festival, uma preocupação em relação a isso”, diz Débora.

No ano de 2014, o Festival de Teatro de Curitiba (FTC), em uma parceria com a Fundação Cultural de Curitiba, criou o “Projeto Casa Cheia”. Nele, cinco mil cupons são distribuídos para conceder desconto de R$ 10,00 na entrada de peças teatrais de companhias curitibanas realizadas dentro da mostra Fringe. Espectadores com direito à meia-entrada também podem utilizar os vales.

Modelo do cupom que está sendo distribuído pelo “Projeto Casa Cheia”. Há restrições no benefício: O desconto não é cumulativo, e apenas quatro cupons podem ser usados por pessoa durante todo o festival
(Foto: Alice Rodrigues / Fundação Cultural de Curitiba)

De acordo com a líder do MSI, a iniciativa não afeta o trabalho do movimento: “É uma das primeiras ações desse tipo que vejo acontecer. Para o festival, nós somos uma formiguinha. Não ameaçamos a bilheteria dele”.

Polêmica com a direção do FTC

A relação entre o movimento e o diretor do Festival de Teatro de Curitiba, Leandro Knopfholz, não é das melhores. Na edição de 2012, integrantes do MSI foram barrados na entrada de uma das apresentações da peça “Luis Antonio – Gabriela”, que acontecia no Sesc da Esquina.

Na época, Knopfholz comparou a situação com a realidade de um supermercado. “Ninguém vai ao supermercado ou ao restaurante exigir comida de graça. Por que poderia fazer isso em um teatro? É falta de respeito com quem pagou”, disse o diretor em entrevista ao portal R7.

A comparação não foi bem recebida pelo grupo. “Ele não pegou dinheiro dele para colocar no festival, tudo foi bancado com dinheiro público e dos patrocinadores com isenção de impostos. O mercado compra mercadoria para revender, ele não pega dinheiro público para comprar mercadoria”, retruca Débora Cristina dos Santos.

A direção do festival foi procurada pelo Jornal Co:::unicação, mas não houve resposta sobre qualquer questionamento.

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