qui 23 maio 2024
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Vida noturna no Largo da Ordem e o impacto das atuações policiais

Estabelecer o equilíbrio entre a segurança pública e o movimento dos negócios é um dos grandes desafios enfrentados no centro da capital paranaense

Famoso ponto turístico, o Largo da Ordem é popularmente reconhecido como um local de encontro entre moradores e visitantes em Curitiba. Marcado pela presença de um fluxo grande de pessoas, desde a intensificação das operações policiais – realizadas no começo deste ano -, a região central apresentou uma queda substancial na presença de público, principalmente no período da noite.

Cenário gastronômico noturno se tornou o ‘point’ entre quem passa pelo centro da capital. FOTO: Reprodução/@curitibacult

Um ambiente cultural, marcado pela vida noturna e comercial, por tradição, o Largo construiu ao longo dos anos, uma reputação acerca da variedade de restaurantes, bares e pubs distribuídos pelo casario.  “O Largo da Ordem é uma região boêmia há mais de 50 anos. Se trata do Centro Histórico da nossa cidade, o que gera um fluxo muito grande. Eu frequento o lugar desde os cinco anos de idade, praticamente cresci lá. Meu pai teve uma casa noturna famosa na região por anos [o El Mago], sempre com movimento excelente”, destaca Rhaman Hamdar, sócio proprietário do restaurante Garden HamBargueria.

De acordo com pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – a Abrasel -, no Paraná, 33% dos bares ou restaurantes ficaram no vermelho em fevereiro deste ano. A principal razão elencada para o resultado negativo, foi a queda nas vendas e redução do número de clientes.

Com o público frequente sendo o elemento chave para a sobrevivência dos negócios locais, a presença policial tem sido creditada como um fator determinante para o cenário atual incomum, vivido no centro da capital.

Operações de Policiamento

No início deste ano, a Polícia Militar do Paraná realizou uma série de ações preventivas e ostensivas em áreas de maior incidência de crimes. Segundo informações da Secretaria de Estado da Segurança Pública – SESP, de 2022, o centro de Curitiba é a região onde ocorre o maior número de furtos e roubos.

Para tratar desta questão, foi lançada no fim de janeiro, a ‘Operação Integrada I’. Uma parceria do Estado com a Prefeitura de Curitiba, a integração das forças de segurança – polícias Civil, Militar, Penal e Guarda Municipal -, recebeu o auxílio de aparatos tecnológicos a fim de coibir a prática de crimes e levar mais segurança e tranquilidade às ruas.

Cerimônia de abertura da ‘Operação Integrada I’ ocorreu no fim de janeiro, em frente ao Memorial de Curitiba. FOTO: Reprodução/SESP

“Essa é uma ação de reforço no policiamento, no cuidado com a população, para que a gente possa trazer segurança e tranquilidade para as famílias curitibanas que frequentam o centro da cidade. Além de ser uma importante integração das forças de segurança nas informações e no combate ao crime, tanto na área da inteligência, como na repressão”, destacou em fala oficial, o prefeito em exercício, Eduardo Pimentel.

Orientadas por um trabalho prévio de inteligência, as estratégias operacionais e de monitoramento ganham reforços em áreas de grande concentração criminal, com forte presença no horário noturno – das 18h às 24h.

Combate a criminalidade e distanciamento do público

Apesar das atividades realizadas pelas forças de segurança se tornarem mais contundentes, o medo e insegurança ainda assolam a população que transita pelo centro de Curitiba. Cada vez mais ‘deserto’ no período noturno, assaltos, furtos, vandalismo e tráfico acontecem com maior frequência na região.

Estatística disponibilizada pela Sesp revela aumento no comparativo entre o primeiro semestre de 2022 e 2023, em relação a Registros de Ambientes Públicos em que Ocorreram Crimes de Roubos. Fonte: Boletim de Ocorrência Unificado (BOU)

Lucas Silva, Bacharel em Direito, frequenta o Largo da Ordem desde 2016, e aponta que “Essas situações ocorrem na cidade como um todo. Mas nos últimos tempos, tive a impressão de que os furtos e a venda de drogas aumentaram por lá. Parecia que a venda estava mais explícita, inclusive. Isso me assustou, tendo em vista toda essa atuação policial”.

As formas repressivas de abordagem das autoridades, também parecem contribuir para o receio da população em frequentar a região. Sob a perspectiva de visitante, Lucas expõe que “A atuação da polícia pode ser desproporcional. O uso da força sempre, eu não gosto. Parte da população falaria que mais polícia faz com que se sintam mais seguros, mas para mim, mais polícia me faz sentir medo. Essa violência faz com que as pessoas venham a se afastar do local. Eu mesmo, hoje em dia, tenho frequentado bem menos a região”.

Por outro lado, para os estabelecimentos comerciais, as práticas, sejam elas à paisana ou envolvendo a presença explícita das patrulhas, auxiliam para diminuir gradativamente o sentimento de insegurança no ambiente. “Creio que a população se sinta mais segura quando veem alguma ação. As operações policiais me fazem sentir seguro trabalhando aqui”, afirma Rhaman.

À medida que as operações continuam, a mudança de dinâmica na área é perceptível. A até então rica vida noturna do Largo da Ordem, agora apresenta uma atmosfera de “calmaria”. “O Garden conquistou uma clientela fixa ao longo de sete anos, mas atualmente o movimento deu uma caída”, informa ainda o proprietário local.

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