ter 30 nov 2021
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Mulheres se unem em feira colaborativa no centro de Curitiba

Existente desde 2017, Bazar das Manas aconteceu no último sábado e reuniu 500 pessoas. Foi a primeira edição do evento desde o início da pandemia

O Bazar das Manas é uma janela para mulheres empreendedoras se conhecerem e apresentarem seus negócios. A 18ª edição aconteceu neste sábado (13/11), no Crush Pub, próximo ao Shopping Estação. Dentro do restaurante, 25 expositoras dos ramos de moda, beleza, papelaria e arte aguardavam o público às 11h da manhã. O evento seguiu até às 19h e contou com um público aproximado de 500 pessoas.

Entre as expositoras estava Gabrieli Rineldi, de 22 anos, criadora da Doce Inverno. A artista cria broches, pelúcias, acessórios e chaveiros de personagens. Ela participa do Bazar há três anos: “Cada vez que eu venho eu conheço pessoas novas e a gente troca experiências, é muito legal”.

Para Gabrieli, diferencial do Bazar das Manas é o público, que costuma ser jovem e engajado (Foto: Gabriel Tassi)

A loja Joplin Acessórios surgiu há quatro anos, após muito planejamento, quando Laressa Esmaniotto abandonou um trabalho no shopping e começou o próprio negócio. “A liberdade de fazer o que amo é o que eu sempre quis”, diz. Laressa participa de vários bazares da cidade, mas conta por que o Bazar das Manas é especial para ela: “Aqui é diferente porque todo mundo se ajuda, o clima não é competição, é de harmonia”.

Laressa aproveitou o evento para expor o trabalho artesanal de bijuterias folheadas e ecológicas. (Foto: Kássia Calonassi)

A iniciativa da feira partiu da organizadora de eventos e designer Amanda Túlio, em 2017. Nos primeiros dois anos, ela realizou mais de 15 edições do evento, e, na pandemia, testou também em uma feira online. Com o avanço da vacinação na capital, o evento retornou: “A pandemia foi difícil para mim e para a maioria das expositoras, o sentimento agora é de se ajudar”.

Apesar do retorno, as medidas de prevenção à covid-19 seguem presentes. Como forma de incentivo, quem foi vacinado contra a Covid-19 pôde aproveitar descontos de até 50% nos produtos oferecidos apresentando a carteirinha virtual. O uso de máscaras no evento era obrigatório e foi disponibilizado álcool gel em vários pontos do restaurante.

A entrada era gratuita, com a opção de doar um pacote de absorvente na chegada. A arrecadação era do Projeto Menstruô, que busca combater a pobreza menstrual e desmistificar o tabu da menstruação. “Já que estamos reunindo um grupo de mulheres pela emancipação financeira da mulher, a gente aproveita para também ajudar mulheres que estão precisando, neste caso, de absorventes”, conta Marina Prata, co-criadora do Projeto.

Como tudo começou

Cinco anos atrás, Amanda Tulio teve uma experiência ruim no ambiente de trabalho, ela sofria assédio verbal e sentia-se constantemente desvalorizada. Paralelamente, ela administrava uma comunidade no Facebook para venda de desapegos entre mulheres. Aos poucos, ela percebeu que não era a única mulher com más experiências no mercado de trabalho e marcou um encontro da comunidade em 2017.

A demanda por esses encontros cresceu e as mulheres que vendiam desapegos começaram a criar negócios. O Bazar das Manas surgiu como uma oportunidade de apoiar umas às outras e impulsionar o empreendedorismo feminino. Ao longo das edições, o evento já passou pelo Parking Lot Food Truck, na Sociedade Thalia, no Vila Urbana, entre outros espaços de festa de Curitiba.

Impacto da pandemia

Em entrevista em 2019, na 12ª edição do evento, Amanda contou que a organização da feira era sua única ocupação. Naquele ano, a designer teve a ideia de fazer um evento exclusivo para brechós com preços acessíveis — o Baratechó —, que reúne brechós curitibanos e vende peças a um valor máximo de R$ 20. Com a pandemia, ela precisou voltar ao trabalho fixo para garantir a renda. A edição realizada de forma online foi sem lucros, com o único fim de ajudar as mulheres nas vendas.

Amanda não foi a única que sofreu com a impossibilidade de realizar eventos. De acordo com dados de um levantamento preliminar da seccional paranaense da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC-PR), realizado em junho deste ano, as perdas do setor no Paraná somam cerca de R$ 25 bilhões.

Em Curitiba, com o avanço da vacinação, o movimento em restaurantes, cinemas e espaços de evento vem aumentando. A retomada, no entanto, é insuficiente para recuperar as finanças. O presidente da ABEOC-PR, Fabio Skraba, disse em entrevista para a Câmara Municipal de Curitiba que no setor de eventos será apenas em “2023, 2024 para começar a querer respirar um pouco e final de 2024, começo de 2025 para ter um faturamento maior”.

Futuro do evento

Atualmente, Amanda segue trabalhando como designer e organizando o evento. Pretende realizar outra edição do Bazar ainda este ano, assim como a primeira do Baratechó no pós-isolamento. O plano dela agora é levar o evento para outros lugares, desapegar de Curitiba e expandir os horizontes da sororidade feminina.

Kássia Calonassi
Estudante do curso de Jornalismo da UFPR.
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Estudante do curso de Jornalismo da UFPR.