seg 18 out 2021
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“Não há interesse em desfazer esse sistema, mas cada um precisa cumprir com suas obrigações”, afirma Salamuni

A prefeitura de Curitiba inicia o ano de 2015 com uma greve no transporte coletivo e uma paralisação com possibilidade de greve da saúde pública. De acordo com o vereador Paulo Salamuni (PV), líder do prefeito Gustavo Fruet (PDT) na Câmara Municipal, o período de crise já era esperado e não é exclusividade de Curitiba, pois o Estado do Paraná e o país também passam por adversidades.

O impasse do transporte coletivo de Curitiba segue em negociação entre a prefeitura e o governo do Estado. A Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) expressou o desejo de manter o sistema de Rede Integrada de Transporte (RIT), desde que os custos sejam divididos igualmente entre Estado e município. Salamuni assegurou que a prefeitura também tem a manutenção da RIT como prioridade, mas para isso cada parte deve arcar com o que lhe é devido, tanto no aspecto financeiro quanto administrativo.

Para o vereador, a pressão enfrentada pela prefeitura de Curitiba é natural, uma vez que a responsabilidade pela administração do transporte coletivo foi repassada a ela e a URBS através de convênio com a Comec. Ainda assim, ele defende que há outros atores envolvidos e que deve haver um entendimento entres eles para que se chegue a uma solução que concilie os interesses de todos. “O próprio sindicato há de entender que os reajustes têm que ser dentro de um limite tolerável e suportável, que não prejudique o trabalhador e que não sature a tarifa”, declara.

Leia abaixo a entrevista na íntegra:

Jornal Comunicação: A prefeitura de Curitiba começa o ano com graves adversidades. Como ela pretende enfrentar essas situações de crise?
Já era esperado, não é algo inerente à cidade de Curitiba. O país e o estado do Paraná passam por isso. Temos que ter muita serenidade e tranquilidade para enfrentar esse momento. Agora se requer a responsabilidade dos agentes políticos e agentes públicos em entender que é um momento delicado, de inquietação. A questão do transporte é algo que nos toca, que é quase que umbilicalmente ligada à mobilidade da cidade. Estamos aguardando que ainda haja um acordo entre a COMEC. É preciso que as pessoas compreendam que, de acordo com a constituição do estado do Paraná, a responsabilidade pelo transporte metropolitano é do governo estadual. Nós temos a predisposição para continuar a integração do transporte de Curitiba, mas essa integração não depende nesse momento do município. Ela depende de um posicionamento claro e de um aceno financeiro por parte do governo do Estado do Paraná.

JC: Qual é a perspectiva da prefeitura sobre a negociação com o governo estadual?
A perspectiva é de que homens públicos, experientes e que entendem a dimensão desse problema possam chegar a uma solução, a um lugar comum. Estamos empenhados nisso. Caso não haja essa possibilidade, que não é o que desejaríamos, cada ente segue com a sua administração. A COMEC naquilo que lhe compete, no que tange a metropolitana, e à URBS e à prefeitura no que lhe cabe na cidade de Curitiba.

JC: O presidente diretor da Comec, Omar Akel, afirmou não crer na possibilidade da manutenção do sistema RIT diante da dificuldade de negociação entre a Comec e o governo municipal. Qual é a posição da prefeitura a respeito?
Acredito que isso acabe se tornando um problema de ordem administrativa para o próprio Governo do Estado, pela estrutura, pela expertise de administrar esse sistema complexo que é o sistema integrado de transporte coletivo. Nós temos que buscar o denominador comum. Se pensar bem, as cifras são enormes, estamos falando de algo em torno de 16 milhões de reais diante de um orçamento de bilhões de reais. Acaba sendo muito pouco diante do benefício que traz para a coletividade, para o povo de Curitiba e do Paraná. Precisa o entendimento e um aceno prático tanto do governo do Estado do Paraná quanto do município de Curitiba. Vamos lutar por isso, pela qualidade e integração do transporte, por uma tarifa acessível. Não há interesse em desfazer esse sistema, mas cada um precisa cumprir com suas obrigações, cumprir com aquilo que lhe cabe, tanto no aspecto financeiro quanto administrativo quanto político.

JC: A prefeitura estuda alterar a tarifa técnica para diminuir o custo pago pelo usuário?
Há uma diferença entre a tarifa técnica e a tarifa real, e aí é que aumenta esse rombo. Mas entendemos que o transporte é algo de primeira necessidade para o cidadão. É preciso ver o que a administração pública precisa suportar na tentativa de aproximar essas tarifas. Não vejo problema em um subsídio por parte do poder público, que é exatamente essa diferença entre a tarifa técnica e a real.

JC: A prefeitura pretende rever os contratos com as empresas?
Estes contratos estão sendo colocados à prova neste momento. Se torna clara a necessidade do reajuste, tudo tem que ser dentro da maior e mais absoluta transparência. Entendo que estes contratos estão passando por uma prova, tanto a licitação quanto os contratos que decorrem da licitação do transporte coletivo. Se serão mexidos, vamos ver no fim desse momento de intensa negociação. É uma situação preocupante, mas que os entes e homens públicos consigam chegar à uma solução que seja para o bem de todos.

JC: A prefeitura se encontra isolada, com o governo estadual, sindicatos e a opinião pública contra ela…
Isso até certo ponto é natural, porque ela é a locomotiva desse processo, é o primeiro vagão. Então, obviamente que todas as atenções vão para o carro chefe. A Comec, por convênio, repassou a administração do transporte coletivo para URBS e para a cidade, por isso que todo esse peso recai sobre os ombros do município. Só que existem outros atores envolvidos. O próprio sindicato há de entender que os reajustes têm que ser dentro de um limite que seja tolerável e suportável, que não prejudique o trabalhador e que não sature a tarifa. Por outro lado, a Comec e o governo do Estado precisam repassar o que lhes é devido para não sobrecarregar este primeiro vagão. Obviamente que os holofotes vêm para a prefeitura nesse momento, mas cada um dos vagões precisa fazer a sua parte nesse processo. Se for com o freio puxado a locomotiva não aguenta e este trem se parte. A ideia é que o trem permaneça unido.

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