ter 26 out 2021
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“Nascido para matar” é aplaudido após sessão

Era como se o filme jamais tivesse sido lançado antes: O público entusiasmado, comentando, comendo pipoca e procurando seus lugares. Todos ansiosos para ver um filme que poderiam muito bem ter assistido em casa na TV: “Nascido para matar” (1987), único filme do diretor Stanley Kubrick sobre a guerra do Vietnã.

Ao longo do filme, a empolgação do público não diminuiu, com pessoas rindo quando era para rir, chorando quando era para chorar e tapando a boca com as mãos nas muitas cenas em que era para se chocar. Ao final do filme, a reação não poderia ter sido diferente: um público aplaudindo o filme durante os créditos, algo raro de se ver.

A história do filme é dividida em duas partes, ambas narradas pelo soldado James “Hilário” Davis (Matthew Modine). A primeira parte foca no treinamento de “Hilário” depois que ele se alista para o exército, comandado pelo sargento Hartman (R. Lee Ermey), que pretende transformar seus recrutas em “máquinas de matar” que não apenas atirem em pessoas, mas que gostem de fazer isso. Para isso Hartman humilha seus recrutas física e psicologicamente, principalmente Leonard “Gomer Pyle” Lawrence (Vincent D’Onofrio), um recruta gordo e desajeitado, que aparenta não saber fazer nada direito.

R. Lee Ermey (centro) rouba a cena como o rígido treinador de recrutas Hartman. (Foto: Reprodução)

A segunda parte se passa no Vietnã, onde “Hilário” é mandado como jornalista de guerra e eventualmente participante do combate. Inicialmente fica ansioso em “participar da ação”, mas com o tempo percebe os horrores da guerra e como ela afeta a ele mesmo e às pessoas ao seu redor, forçando-os a abandonarem qualquer sentimento de compaixão para sobreviver.

Ao longo dos 116 minutos de filme, Stanley Kubrick dá vários motivos para ter seu filme aplaudido. O primeiro deles é a longa lista de grandes atuações que aparecem em “Nascido para matar”, com destaque merecido para a de Ermey, uma das mais realistas da história do cinema, ainda mais considerando que na vida real Ermey foi um treinador de recrutas antes de virar ator, e, portanto, improvisou várias de suas falas, como sua fala inicial, que se estende por vários minutos com quase nenhum corte de câmera.

Outro destaque do filme é a direção artística de Kubrick, com uma fotografia que faz o filme parecer quase teatral; uma trilha sonora que deixa claro que os soldados do filme consideram a guerra como uma brincadeira, como na cena em que “Surfin’ Bird” é tocada durante um bombardeio de tanques; e diálogos memoráveis que mostram a “evolução” de jovens comuns em soldados que não pensam duas vezes antes de atirar.

Mostra incentivou o interesse pela obra de Kubrick

O resultado final foi uma aprovação quase unânime por parte do público, que ficou mais interessado tanto na filmografia de Kubrick quanto no próprio Olhar de Cinema. “Não conhecia muita coisa do Kubrick ainda, para mim foi bem interessante (…) Me fez ter vontade de assistir outros filmes dele, com certeza vou aproveitar a mostra para isso”, afirmou o espectador Júnior Ventura.

Embora tenha atraído um grande público, este foi principalmente de fãs de filmes alternativos. (Foto: David Ehrlich)

“Kubrick é uma lenda. Eu acho que o evento tem sido bem organizado, e acredito também que a sua homenagem a Kubrick é de grande valia não só ao público que consome a obra do artista, mas também a entusiastas”, afirmou também o entusiasta Ramon Voltolini, que, porém, criticou a divulgação do evento: “Acontece que a gente vê por aqui pessoas que consomem tipicamente peças alternativas, por assim dizer. Isso acaba limitando um pouco a abrangência do evento”, e ainda terminou brincando: “Esqueci meus óculos de abas grossas e camisa xadrez, então me senti um pouco fora da casinha vindo aqui”.

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