qui 21 out 2021
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“Nós não podemos, em momento algum, negar algum tipo de instrumento de luta dos estudantes”

Formada por estudantes que se conheceram durante o Plebiscito Popular Constituinte e outros projetos de esquerda, a chapa Quem tá passando é o bonde se declara de uma “esquerda progressista”. “Não trotskista, como as gestões recentes do DCE foram”, explica Matheus Fabricio Vieira, estudante de Ciências Sociais e representante da chapa para essa entrevista com o Comunicação. Vieira coloca que a chapa quer levar pautas para o DCE e para a UFPR que realmente resultem em transformações na sociedade.

O estudante reconhece algumas conquistas da atual gestão, mas critica várias linhas de ação tomadas ao longo do último ano. Entre elas, o fato de a gestão O Novo Pede Passagem não ter priorizado a presença do DCE em conselhos estudantis e entidades como a União Nacional dos Estudantes. Apesar disso, a chapa propõe a continuidade de algumas lutas, como a pela assistência estudantil.

Integrantes da chapa fazem campanha no campus do Jardim Botânico (Foto: Divulgação)
Integrantes da chapa fazem campanha no campus do Jardim Botânico (Foto: Divulgação)

Além da linha de esquerda definida, a Quem tá passando é o bonde insiste em lembrar que tem representantes de todos os campus da UFPR, incluindo o litoral, Palotina e Jandaia. “Nós entendemos que não faremos a luta sem todos os estudantes estarem representados”, diz Vieira.

As eleições para a nova gestão 2014/2015 do DCE UFPR (Diretório Central dos Estudantes da UFPR) acontecem até hoje (19), e o Comunicação entrevistou  as Chapas candidatas para conhecer suas propostas. Confira a conversa do representante da Chapa Quem tá passando é o bonde com o jornal:

Por que vocês decidiram se candidatar?

Nós resolvemos participar do processo eleitoral do DCE por entender que passamos por um processo eleitoral nacional muito conturbado, com avanço do conservadorismo. Nós entendemos que o DCE é instrumento de luta, é um instrumento de mobilização dos estudantes e nós queremos trazer com o DCE pautas que realmente vão fazer uma transformação na sociedade. E foi a partir disso que a nossa chapa foi sendo construída, de pessoas que nós já tínhamos contato e de pessoas que se identificavam com o nosso projeto, que já haviam construído outros projetos com a gente. A gente participou do Plebiscito por uma Constituinte Exclusiva do Sistema Político. Ai a gente conheceu várias pessoas e a chapa já foi sendo formada a partir dai. Mas a gente acabou se agrupando mesmo todo mundo depois que foi dada a largada para montar a chapa mesmo. E dai a gente buscou linhas com pensamento de esquerda, com um pensamento não trotskista como as outras gestões do DCE foram. Mas que tenha um pensamento progressista, que tenha um pensamento em trazer pautas relevantes para dentro da Universidade.

Qual é o papel do DCE, na Universidade e fora dela?

Tem os Centros Acadêmicos, que são a base do DCE, e o que os CAs não conseguem resolver, eles levam como demanda para o DCE. E além de ele ser tarefeiro, ele traz essa formação política, ele traz essa consciência política, ele traz esse debate político para dentro da Universidade. E é assim que a gente vê o DCE hoje. Além de ser algo tarefeiro, é algo que produz, reproduz e traz a sociedade para dentro da Universidade.

Quais são as principais propostas de vocês? O que seria o carro-chefe caso vocês fossem eleitos?

Principalmente, a luta pela assistência estudantil. Nós entendemos que precisa ter assistência estudantil específica para classes subrepresentadas dentro da Universidade, para os negros, indígenas. Montar uma frente de luta contra as opressões dentro da Universidade. Nós entendemos que a luta contra a homofobia, contra o racismo, contra a gordofobia e contra todas as outras formas de opressão precisa ser extremamente combativa dentro da Universidade.

Nós também queremos trazer de volta os Jogos de Verão, que é um evento que coloca todos os estudantes em participação, e a Calourada, que a atual gestão deixou de fazer por irresponsabilidade. Nós queremos trazer de volta todos os instrumentos de mobilização e de integração dos estudantes.

Como vocês avaliam a gestão atual?

A gestão passada foi uma gestão muito conturbada, que não ocupou conselhos, que não participou ativamente do movimento estudantil, que não priorizou os Conselhos Estudantis de Base (CEB), que não trouxe os centros acadêmicos para perto.

A gente teve perdas muito grandes nesse período, que foi a perda das cotas raciais, que é uma coisa que a gente defende muito. O regulamento foi totalmente reformulado, nós perdemos muitas vagas, tanto em cota social quanto em cota racial. E isso aconteceu por falta de mobilização, por falta de não ocupar os conselhos. É claro que nós reconhecemos várias lutas, como a da EBSERH, mas nós não podemos deixar de fazer a crítica em relação a isso, a não priorizar os CEBs, a não priorizar os estudantes, a não priorizar lutas de outras categorias sub-representadas dentro da universidade.

Que pontos da atual gestão vocês pretendem dar continuidade?

Com certeza manteremos a luta pela assistência estudantil. É uma luta que já está ai há anos e que eles deram prosseguimento. Eu acho que nós temos pautas bem progressistas, como a creche. Nós entendemos que a creche é um direito da mulher trabalhadora de ter assistência e de poder estar na Universidade.

Precisamos de uma redução da burocracia para conseguir o Probem. E nós temos que reduzir essas burocracias, porque hoje nós recebemos várias reclamações de que vários estudantes passam por processos de humilhação até, de ter que se declarar totalmente sem renda, de ter que se declarar morto de fome para poder receber um auxílio da Universidade. Nós queremos mudar isso, porque assistência estudantil é um direito, não é um favor. Então a gente não tem que ficar se declarando miserável para poder receber uma coisa que é direito nosso.

E que pontos vocês pretendem mudar?

Hoje, o DCE é isoladamente só DCE UFPR. A primeira mudança que nós queremos fazer é incluir a sociedade civil dentro da Universidade. O conhecimento é pra quem? E pra que? Nós entendemos que o conhecimento deve ser usado em prol da sociedade, em prol de mudanças e transformações. Então nós pretendemos colocar o DCE e pautar entidades que são reconhecidas, como a União Paranaense dos Estudantes, a União Nacional dos Estudantes. Pautar essas entidades, construir projetos com a sociedade civil e trazer todas as pessoas que a gente possa agregar para essa gestão. Que a gente possa colocar o maior número de estudantes em todas as mobilizações e lutas que a gente tenha pela frente.

A atual gestão rompeu com entidades como a UPE e a UNE. Por que vocês estão propondo a retomada dessa relação?

A atual gestão faz uma crítica de que a UNE está burocratizada. Nós não podemos em momento algum negar algum tipo de instrumento de luta dos estudantes. A UNE, com todas as críticas, continua sendo um instrumento de luta e nós precisamos ocupar esse espaço. É através da UNE que nós vamos trazer várias demandas. Por exemplo, agora vai ter a Conferência Nacional de Educação. O nosso DCE não está convidado a participar, porque ele não faz parte da frente de luta em outras entidades. Ele não constrói a sociedade civil.

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