qua 20 out 2021
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O outro lado do doping

A definição oficial de federações esportivas diz que é considerado doping o uso de substâncias ou procedimentos com a capacidade de melhorar o desempenho do atleta. A WADA, Agência Mundial Antidoping, divulga todos os anos uma lista atualizada de práticas e produtos proibidos para os esportistas.

A classificação, em geral, condena o uso de estimulantes, narcóticos analgésicos (como a morfina), diuréticos (utilizados na perda de peso) e outros anabolizantes. O que pouca gente sabe é que a WADA não proíbe apenas a ingestão de determinadas fórmulas químicas. Na lista da entidade, métodos como a manipulação do sangue ou de genes são considerados ilegais. As drogas sociais, como a cocaína, o ecstasy e a maconha, também são proibidas pelo órgão.

De acordo com Dionísio Banaszewski, que é psicólogo psicoterapeuta especialista na recuperação de dependentes químicos, o doping por substâncias é o mais comum. “Através de algum material ou suplemento, o atleta busca vantagens na competição”, explica. Banaszewski trabalhou com o tratamento de atletas de futebol que eram dependentes químicos, como o recente caso do jogador Rodolfo, do Atlético Paranaense.

Rodolfo, jogador do Atlético-PR, recebe todo o apoio no tratamento contra a dependência química.
Foto: Gazeta do Povo

Segundo o psicólogo, o envolvimento de esportistas com drogas sociais – que também entram na lista de proibições da WADA – não ocorre da mesma forma. “Existe uma diferenciação, porque a droga social não traz nenhuma vantagem ao atleta”, completa. O psicólogo afirma que casos de dependência não podem ser tratados como doping, porque requerem atenção específica para a melhora do esportista.

No Brasil, um dos casos mais conhecidos de dopagem de atleta foi o do atacante Jóbson. O jogador foi flagrado duas vezes no exame antidoping, em 2009, quando vestia a camisa do Botafogo, e confessou ter feito uso de crack. Jóbson recebeu a punição de um ano longe dos gramados. Hoje, atua no São Caetano.

Para Banaszewski, o tratamento de casos com atletas dependentes químicos nem sempre é adequado. “O caso do Rodolfo, de cuidado com o atleta e com a família, foi inédito no mundo, porque muitas vezes o clube abandona o jogador”, disse. De acordo com o psicólogo, o tratamento deve ser do indivíduo. “O cuidado deve ser primeiro com o ser humano; o atleta é uma consequência”, afirma.

Os casos de dopagem nos quais os atletas têm a intenção de melhorar o desempenho competitivo são tratados de outra forma. O indivíduo tem o direito à defesa perante os órgãos responsáveis, mas não escapa da punição, caso seja confirmada a manipulação ou descuido com substâncias proibidas.

Toda vez que um esportista atesta positivo em um exame, a entidade responsável pela modalidade realiza a contraprova do teste. Se o procedimento confirmar o doping, o atleta é julgado na instância competente do respectivo esporte. Como consequência, o indivíduo pode receber uma pena de até dois anos de afastamento das competições ou, em casos mais sérios, pode ser banido da modalidade.

Na defesa de Rodolfo, por exemplo, foi essencial explicar a diferença entre o doping e a dependência química. “O atleta não tinha ganhos quando usava drogas, o desempenho dele piorava”, relata. “No tribunal, essa foi a justificativa”, completa o psicólogo.

De acordo com Banaszewski, o trabalho de prevenção é feito com os atletas desde as categorias de base, principalmente no futebol. “Damos palestras de orientação, temos um rigoroso controle junto com o departamento médico e psicológico, além do trabalho de grupo”, finaliza.

POSITIVO PARA USO DE DROGAS
Casos de atletas famosos que foram flagrados no antidoping pelo uso de drogas sociais ou “recreativas”

Diego Maradona – Um dos futebolistas mais conhecidos do mundo, Maradona foi flagrado no doping duas vezes. Em 1991, o jogador atestou positivo para cocaína.

André Agassi – Um dos maiores tenistas da história, Agassi atestou positivo no antidoping em 1997, depois de usar uma “droga recreativa”. A confissão do atleta veio anos mais tarde, em seu livro autobiográfico.

Giba – Um dos principais jogadores de vôlei do Brasil, Giba foi suspenso de oito jogos do campeonato italiano em 2003 pelo uso de maconha. O jogador admitiu o uso da substância.

Martina Hingis – A suíça foi tenista número 1 do mundo e abandonou a carreira em 2007, depois de ter atestado positivo para cocaína. Hingis negou o uso da droga.

Michael Phelps – Em 2009, o nadador mais famoso do planeta foi suspenso pela Federação norte americana de Natação por ser visto fumando maconha. O atleta não foi flagrado no antidoping, mas recebeu punição de corte de verbas pela conduta inapropriada.

 

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