seg 25 out 2021
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O prazer das pequenas coisas pode estar em um hobby

Nem sempre um hobby está relacionado com a profissão. Foto: Ana Clara Tonocchi

Encontrar o prazer na profissão é importante, mas procurar um hobby para relaxar é bom para o seu próprio bem estar. Mas nem sempre sua atividade alternativa precisa estar relacionada ao seu emprego. Algumas pessoas cultivam hobbies que não são muito ligados à área que trabalham, encontrando, nessa atividade, uma válvula de escape.

Esse é o caso de César Augusto Bochi. Formado em Engenharia Química pela UFPR, o engenheiro conta que escolheu o curso durante o terceiro ano do ensino médio, mas ainda assim é escritor e poeta nas horas vagas. “Sempre fui mais para o lado das ciências exatas, então escolhi este curso, que tinha tudo que eu gostava”, explica. “Apesar de fazer parte dos engenheiros, sempre taxados de escreverem mal, sempre gostei de escrever. Quando eu tinha em torno de 7 anos, tentei escrever um livro, ‘O Assassinato do Encanador’. Acho que era para ser um policial, mas não foi para frente, pois o encanador morreu no primeiro parágrafo e eu não sabia como continuar”.

Com 15 anos, ele começou a escrever frases, que o incentivaram a seguir com a escrita. Aos 18 anos, o poeta amador fechou frases e textos suficientes para o conteúdo de um livro de quase 200 páginas, chamado “Eu Calado”. Um curso de redação no ensino médio também foi importante para desenvolver melhor a parte gramatical de seus textos e o gosto pela poesia.

“Ao ouvir ‘Irene no Céu’, de Manoel Bandeira, ser declamado, eu resolvi que ia aprender a escrever poesia também. Ao final do primeiro ano, já havia escrito conteúdo suficiente para mais um livro, com o título ‘Senhooores!!’”. Nos anos seguintes, seu gosto por poemas cresceu ainda mais, dando origem a “8 Colunas – VIII”, “Poemas Incompletos” e “Eventuais Poemas”. Os livros em prosa exigiam mais dedicação e, ao competir com o tempo para faculdade, amigos, família, profissão, não encontraram espaço.

O engenheiro e escritor conta que não vê seus livros de forma comercial. “Sempre escrevi por gosto, como uma forma de me expressar. Por isso, não os vejo comercialmente. Além disso, minha família nunca me apoiou muito. Então os mantenho aqui, como meus tesouros, na minha estante. De vez em quando, abro em uma página qualquer e leio dois ou três poemas. Quem sabe um dia eu os venha publicar, quem sabe eu desembolse uma economia, talvez conheça alguém que queira publicar… Não sei!”, diz ele.

Por que essa contradição?

Luciana Albanese Valore é formada em psicologia pela UFPR, mestre e doutora na área pela USP. Coordenadora de projetos na área de Orientação Profissional e Carreira, a doutora explica que, em alguns casos, a profissão não é percebida como realização pessoal, exigindo da pessoa uma atividade a parte.

Em outras situações, as pressões no ambiente de trabalho fazem com que o hobby se torne uma maneira de relaxar, um tempo de entretenimento. “Um hobby pode servir com um substitutivo ou compensação para a pessoa se sentir realizada ou como maneira para ‘recarregar as baterias’”, explica ela.

Unindo o útil ao agradável

Em relação à situação financeira, a administração dos recursos é importante. Alguns hobbies, como a fotografia, exigem um investimento maior. A psicóloga acredita que é importante aliar o lugar ocupado por esse hobby no projeto de vida em geral. Em alguns casos, essas atividades alternativas  podem gerar um rendimento extra e talvez vir a ser uma segunda carreira.

Ana Luiza de Quadros faz parte do grupo que pretende fazer do hobby um emprego. Estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo, Ana Luiza dedica seu tempo livre para sua outra paixão: a fotografia. Ela conta que é uma área que sempre atraiu seu interesse. “Sempre achei que fosse cursar Direito, mas na última hora acabei escolhendo a Arquitetura. Já a fotografia sempre foi algo que eu gostava”, conta.

Quando a futura arquiteta começou um curso profissionalizante de fotografia, percebeu que as duas áreas se interligavam, principalmente em relação a estética. Este foi um dos motivos que a levaram a considerar seguir as duas áreas paralelamente. Mesmo com alguns traços em comum, o objeto de estudo das duas áreas são distintos. Enquanto na Arquitetura obras são analisadas e projetadas, na fotografia ela se aproxima das pessoas, através, principalmente, dos retratos.

“No momento, a faculdade está tomando muito o meu tempo, mas futuramente pretendo me dedicar mais a fotografia e trabalhar com os dois campos. São áreas que agregam muito uma a outra”, conclui a estudante.

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