seg 18 out 2021
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Paulinho Moska cativa público da Corrente Cultural

O show do cantor incluiu os mais variados sucessos de sua carreira. Foto: Fundação Cultural de Curitiba

O cantor e compositor Paulinho Moska se apresentou no Palco Carlos Gomes, no último sábado, dia 9, integrando a programação da Corrente Cultural. Às 17h40, com 40 minutos de atraso – o que aumentou a ansiedade do público –, subia ao palco a Orquestra a Base de Cordas que acompanharia Paulinho ao longo do show. Após uma peça instrumental, Moska se juntou à Orquestra e iniciou sua apresentação com a alegre “Tudo Novo de Novo”, canção que dá nome ao seu disco de 2007.

O repertório passeou pela discografia inteira do cantor, trazendo alguns de seus maiores sucessos – sempre acompanhados em coro pela plateia –, como “Pensando em Você”, “A Seta e o Alvo” e “A Idade do Céu”, além de tocar a inédita “Somente Nela”, lançada há poucas semanas. Moska ainda prestou algumas homenagens a seus parceiros musicais ao longo do show, dedicando a música “Saudade” para Chico César e “Relampiano” para Lenine.

Após uma sequência de 11 músicas acompanhado pela Orquestra, Paulinho encerrou seu show e, sob brados da plateia exigindo bis, voltou sozinho ao palco para tocar a melancólica “Lágrimas de Diamantes”, encerrando a apresentação, em seguida, com “Brasil Pandeiro” dos Novos Baianos.

Moska se mostrou muito receptivo ao longo do show e visivelmente empolgado com os arranjos feitos em parceria com o maestro João Egashira. “Eu não sabia que minhas músicas eram tão bonitas assim”, brinca. E, realmente, os arranjos intimistas de Paulinho tomaram proporções novas graças à trupe de Egashira, apresentando novas nuances em suas composições.

Após o término do show, Moska atendeu vários fãs: tirou foto, deu autógrafos e conversou um pouco com cada um. Além disso, teve a gentileza de ceder uma entrevista exclusiva para o Jornal Co:::unicação, que você confere a seguir:

Jornal Co:::unicação: Como surgiu a ideia de fazer essa parceria com a Orquestra a Base de Cordas, já que seus arranjos são mais intimistas – especialmente no seu disco “Pouco”?

Paulinho Moska: Na verdade eu vim fazer um show em Curitiba alguns anos atrás e conheci o João Egashira. Ele me falou desse projeto e me deu um disco que eles fizeram o Zé Renato. Eu ouvi e adorei, e já sinalizei pra ele que quando tivesse uma oportunidade era pra ele me convidar. Então quando veio o convite eu já estava esperando, já conhecia um pouco da sonoridade. E claro que eu adorei fazer essa parceria, esses arranjos todos revelam uma música minha que eu não conhecia.

Co:::unicação: E quais são seus planos para o futuro? Tem composto, pensado em CD? Ou tem gravado esporadicamente sem muito compromisso?

Moska: Eu acabei de lançar um DVD em setembro, estou trabalhando ainda na divulgação dele. E pretendo continuar a turnê do “Muito Pouco” ainda durante mais um ano. Eu devo gravar só em 2015, mas já estou compondo uma coisa aqui, outra ali…

Co:::unicação: Você normalmente toca músicas de todos os seus álbuns em seus shows, mas nunca nenhuma do “Eu Falso da Minha Vida o Que Eu Quiser”. Tem algum motivo especial para isso?

Moska: Ah, o “Falso” é um disco muito triste, na verdade. Eu tinha me separado da mãe do meu primeiro filho, e são todas canções muito depressivas. É um disco verdadeiro, embora ele se chame Falso. E ele me dói bastante, é um repertório que eu ainda não voltei a frequentar por questões emocionais mesmo.

Co:::unicação: “Roubando” uma pergunta que você faz para os seus entrevistados no programa Zoombido: O que é música pra você?

Moska: Essa pergunta não tem resposta, na verdade. Eu já fiz 210 entrevistas, perguntei a mesma coisa pra todos, e escutei 210 respostas diferentes. Acho que é uma mistura de todas as respostas que eu já ouvi. Música é som, mas música também é silêncio. Música é vida e também é morte. Música é entretenimento, diversão, mas também é coisa séria. Música é invisível, então a gente não pode falar muito dela, a gente só pode fazer mesmo.  Esse é o tipo de questão que eu levo pro Zoombido e não espero resposta. O Zoombido é um programa poético, ele entra no compositor por outra ótica, minhas perguntas não são jornalísticas. Então eu não sei o que é música, na verdade eu não faço a mínima ideia.

Co:::unicação:Tendo em vista que você já foi um dos “novos da MPB” ali pelos anos 90, e sabendo que você acompanha o novo cenário musical nacional, qual é a sua percepção sobre esses artistas que estão se lançando agora?

Moska: Eu acho que a juventude tem sempre uma coragem muito grande de experimentar, então eu fico de olho porque eu gosto de coisa nova. Às vezes, tem um artista novo que tá fazendo uma música que já é velha. Mas alguns poucos vão produzindo alguma coisa que se destaca. Eu recebo mais coisa do que eu tenho tempo pra ouvir e ver, tanto que acabo ouvindo só 20% do que eu recebo. Mas fico atento porque é nessa pescaria que aparece um parceiro novo, alguma coisa que você pode aprender também, se aproximar, ajudar. É sempre muito difícil começar, mas, ao mesmo tempo, eu queria estar começando hoje.

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