seg 18 out 2021
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Prateleiras vazias marcam os primeiros meses de vida das Tubotecas

Sem burocracia e sem custo: as tubotecas funcionam na base da confiança. Créditos: Daniel Castellano

As Tubotecas surgiram com um duplo objetivo: comemorar os 320 anos de Curitiba e incitar potenciais leitores. Os livros ficam expostos, provocativos, em prateleiras anexadas à parede do tubo e disponíveis para que qualquer passante tome um e inicie a leitura. Sem cadastros ou prazos. Sem burocracia. A proposta é tentadora para aqueles que não liam devido às complicações dos empréstimos em bibliotecas, ou pelo incômodo de deslocar-se até uma. Ambos os obstáculos foram contornados pelo projeto, que oferece material acessível para leitura, colocado para ser aproveitado nos momentos de espera e levado adiante, com a pretensão de se tornar um hábito na vida do curitibano.

Segundo Marcos Cordiolli, presidente da Fundação Cultural de Curitiba, o diferencial das Tubotecas é o aproveitamento de um espaço onde as pessoas, normalmente, ficariam ociosas, colocando ao dispor livros “à altura da mão” e facilitando o processo de empréstimo do objeto. “Facilita muito a vida das pessoas por não possuir nenhuma dificuldade burocrática e não ter qualquer tipo de custo para o usuário”, diz Cordiolli, que aponta a baixa quantidade de locais para comprá-los como outro motivo para o baixo índice de leitores na cidade.

Para os que utilizam as bibliotecas entubadas, há um único preço: a honestidade. Maria Lúcia de Faria é a mediadora de leitura responsável pelo projeto, e costuma abastecer a Estação-Tubo Central uma vez por dia com uma média de 20 livros. Segundo ela, o desejo era disponibilizar cerca de 50 livros diariamente, mas a média não é possível em função do baixo número de doações – que vem crescendo, apesar de ainda não ser o ideal. Para Maria Lúcia, o projeto funciona na base da confiança. Os livros não são vigiados e os empréstimos não têm registros e, por isso, a devolução depende da iniciativa do usuário. Antônio dos Santos, 48 anos, professor de matemática e inspetor, foi ao tubo entregar o décimo livro e adquirir o décimo primeiro. “Vai da consciência de cada um e é para o bem de todos”, afirma o leitor, que aposta no bom senso dos usuários do transporte público para o funcionamento do programa.

No entanto, apesar de as Tubotecas, segundo Cordiolli, terem alcançado uma repercussão maior que a esperada, elas ainda passam invisíveis aos olhos de muitos. Carlos Jobim, 64 anos, é aposentado e costuma utilizar os tubos com frequência, mas jamais havia percebido as estantes e seus livros. “Veio nessa semana?”, pergunta sobre o programa que existe há quase dois meses e possui 10 bibliotecas na cidade. A mediadora, Maria Lúcia de Faria, acredita que isso se deve a pouca divulgação das pequenas bibliotecas, e pensa que seria necessária uma campanha mais incisiva, dispondo, por exemplo, de anúncios na traseira dos ônibus. Cordiolli discorda, afirmando que a publicidade está no “boca-a-boca” e que se trata de uma “divulgação viral”. O presidente da FCC ainda alega que as prateleiras vazias, como, por vezes, são encontradas, são um ponto positivo do projeto. “A própria falta de livros é uma amostra de que o programa tem um grande sucesso”, argumenta.

Curitiba Lê

Curitiba possui, ainda, outro projeto de incentivo à leitura, de vivência mais extensa que as Tubotecas. É o Curitiba Lê, que completa três anos e implantou, ao longo de sua existência, 13 novos espaços dedicados a grandes autores e localizados em diversos bairros da cidade. As Casas de Leitura promovem rodas de leitura e momentos para contações de histórias, buscando a promoção do hábito de ler. Amilton Luiz Cardoso Leal, artista plástico, acredita que os programas são eficientes não somente com relação ao costume de ler, mas também como um modo de fortalecer a cultura curitibana. “A cultura em Curitiba é quase zero e precisa ser fortalecida com programas desse tipo, que realmente incentivam”, alega o artista, que apoia o projeto da capital.

Serviço

Tubotecas em funcionamento

Estações Praça Rui Barbosa: 4 unidades
Estação Central: 2 unidades
Estação Praça Carlos Gomes: 1 unidade
Estação Carlos Gomes: 1 unidade
Estação Marechal: 2 unidades

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